Victoria Cycling Café-Lisboa.

Um Café com Alma Ciclista

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Existe em Lisboa um novo espaço onde se respira ciclismo, onde as bicicletas e os ciclistas são bem-vindos, onde se pode conversar sobre passeios ou sobre a última corrida mas também um espaço onde se sonham aventuras e se idealizam projectos. Onde se pode beber um excelente café, ou vários tipos de cafés e onde este se transforma em arte. E a comida, ah a comida é deliciosamente saudável e feita com carinho e cuidado. Chama-se Victoria Cycling Café e é um novo e bonito espaço em Campo de Ourique. De ciclistas para ciclistas, com amor.

Se a Nuria e o André quisessem abrir um espaço comercial, ou apenas  mais um café/ pastelaria em Campo de Ourique, um dos mais nobres bairros de Lisboa, não teria sido difícil no local que escolheram. Mas não se quiseram ficar por aí e jogar pelo seguro.  Pelo contrario, arriscaram e tiveram a coragem de concretizar o seu sonho de abrir um café dedicado a ciclistas.  Não é fácil a sua aposta mas quando as coisas se fazem por amor têm pernas para andar, ou, neste caso, para pedalar e estou seguro que este café será um ponto de referência dos ciclistas em Lisboa no futuro.  Fazem-no por amor ás bicicletas e á arte de bem receber. Fazem-no por amor a esse precioso objecto que se chama bicicleta e em homenagem a todos que têm a felicidade de com elas compartilharem caminhos e estradas, esforços e alegrias. Ali se bebe bom café, diferente, a máquina que o faz é FAEMA marca desde sempre ligada ao ciclismo e ao enorme Eddy Merckx, ali há todo o tipo de café italiano, saboroso e reconfortante.

Mas há muito mais, há sempre boas revistas da especialidade para ler, livros, e  acessórios para ciclistas exigentes.  E muito boa comida, excelente comida, diferente também e que segue os conselhos da nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida. Comida que reconforta a alma cansada de um ciclista ou que agrada a quem aprecia a boa cozinha. Saudável e saborosa. Também se fazem arranjos na pequena oficina, se encontram acessórios ou se vendem ou alugam bicicletas, de qualidade. Pois como na comida a qualidade nas bicicletas é indispensável.

Não conhecia a Nuria e o André mas desde a primeira vez que com eles falei  que fiquei com certeza que o estão a fazer tudo isto com muito carinho, com amor verdadeiro, com grande prazer. O Victória é desde há algum tempo ponto de paragem obrigatório nos meus passeios de bicicleta ou para almoçar. Gosto de lá passar, gosto de lá estar, gosto do conforto de estar num local com quem  aprecia o mesmo que eu, de tirar algumas duvidas, de falar sobre bicicletas com o Ricardo que se encarrega da mecânica. Gosto do ambiente e da decoração simples  mas acolhedora. Gosto muito deste café em Campo de Ourique. Fazia muita falta um café assim para quem gosta de bicicletas mas sobretudo para quem gosta de se sentir em casa e de partilhar um bom café em boa companhia.

O Victória café tem Brunch ao fim de semana, tem passeios organizados, tem Yoga para ciclistas, revistas para ler e comprar, tem acessórios , muitos deles exclusvos e bonitas bicicletas. Tem palestras sobre ciclismo. Tem excelente café e bolos feitos em casa, o pão da melhor padaria de Lisboa, a Gleba. Tem comida espectacular e sobretudo tem a Núria , o André e a sua equipa que merecem todo o sucesso pelo atrevimento e coragem que demonstram.

Para saber mais: Victoria Cycling café - Rua Tomás da Anunciação, 22- Campo de Ourique, Lisboa

(O Victoria Cycling Club está temporariamente encerrado reabrindo em Março no Parque das Nações)

Ardenne.

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Podia falar-vos apenas da qualidade e da beleza das malas Ardenne, que têm este nome devido ao facto da Marie ter nascido nesta zona de França, faria isso se falasse  apenas uma marca de malas e sacos bons e bonitos mas a marca Ardenne é muito mais que isso.  São sacos feitos manualmente  por alguém que gosta mesmo muito de bicicletas, de andar nelas e sobretudo que coloca muito amor no que faz. Os sacos Ardenne para além de muito bons, úteis e bonitos nunca são iguais, são personalizados e valorizam, e de que maneira, a nossa bicicleta.  A Marie faz tudo isto com paixão, com a mesma paixão com que usa e trata das suas bicicletas.  Essa é a grande diferença e isso é notório em casa saco, em cada mala que faz com as suas mãos. A Marie  é uma artesã da nova geração, das que não querem deixar estas artes morrerem. E ainda bem pois  faz com isso felizes os seus clientes e amigos. Apresento-vos a Marie Viera e a sua Ardenne.

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LC: Quando começaste a fazer malas e outros acessórios para bicicletas e porquê?

MV: Comecei a fazer malas há alguns anos, simplesmente porque precisava de uma. Tinha começado a usar a bicicleta para as minhas deslocações e precisava de uma forma de transportar as minhas coisas. Como já costurava roupa há alguns anos tinha algum material em casa e improvisei o resto. Devo dizerque não ficou grande coisa.... Mas serviu para alguém ver e se interessar, e pedir uns alforges caseiros. A partir daí vi que tinha algum potencial, melhorei os materiais, comprei uma máquina de costura dos anos 60 própria para o serviço e fui fazendo mais malas a pedido.

LC: Qual a diferença entre uma mala feita à mão e uma feita em série?

MV: Acho que a grande diferença está na produção em série vs produção artesanal ou mesmo em pequena escala. Todos os sacos que vemos foram cosidos por alguém, algures. Diria que a produção artesanal é mais intimista. Pode-se conversar com quem vai fazer o trabalho, pode se pedir algo mais personalizado. A nível humano é outro tipo experiência, muito diferente da de entrar numa grande superfície e comprar a mala genérica x ou y.

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LC: Que valorizas mais quando fazes uma mala?

MV: Quando faço uma mala valorizo o rigor. Gosto de fazer costuraras bonitas e direitas e de furar as correias todas bem alinhadas, por exemplo. Valorizo também o lado artesanal do processo, sei que mesmo fazendo dois modelos iguais, na mesma cor, nunca serão exatamente iguais, cada uma tem qualquer coisa que a diferencia.

LC: Que tipo de malas e acessórios fazes?

MV: Faço tudo um pouco. Ultimamente tenho feito muitas malas de guiador, de vários tamanhos. Mas também faço malas de selim, alforges, malas a tiracolo , rolos de ferramentas e em breve terei um modelo de mochila. Também já fiz malas com base em fotografias de anúncios antigos e meia dúzia de medidas. Na verdade só sou limitada pela imaginação e bom senso.

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LC: Que cuidados tens na escolha de materiais?

MV: Escolho materiais resistentes que envelheçam bem. Aqueles que quanto mais os usamos mais bonitos ficam, ganham carácter. Assim cada mala acaba por ganhar padrões de uso únicos, que só a tornam mais bonita

LC: Como nasceu o teu entusiasmo pelas bicicletas? Sei que tens uma história muito interessante de quando te inscreveste num fórum de bicicletas antigas e começaste a contactar com pessoas que tinham o mesmo gosto que tu, podes contarum pouco dessa história?

MV: Posso claro! É uma história longa, mas como pode servir a alguns e algumas aqui vai ela: Tudo começou quando regressei a casa depois de ficar desempregada e regressei “à terra”. Aqui as pequenas deslocações fazem-se de bicicleta, e na altura só tinha a minha bicicleta de adolescente, uma btt horrorosa já herdada da minha irmã mais velha. Era tudo mau: grande demais, pesada, selim desconfortável, gasta (faltam-lhe vários dentes na pedaleira, comidos pelo o uso) e cheia de folgas. Ainda assim fartei-me de andar com ela antes de ter a carta de condução, porque não tinha outro remédio. Precisava de ir às explicações, na altura também montava a cavalo e tinha de ir ao picadeiro etc etc. E como é óbvio detestava-a e detestava tudo o que tinha a ver com bicicletas. Nem pensar em voltar a pegar nela! Por isso comecei a procurar alternativas. E eis que alguém me oferece uma pasteleira que tinha ficado esquecia num alpendre durante 20 anos. Decidi que ia por aquilo a andar de novo e inscrevi-me no tal fórum português e mais tarde no fórum francês. Conheci muita gente extremamente simpática, que me ajudaram imenso na minha empreitada. Alguns tornaram-se amigos próximos, e ainda nos encontramos ara pedalar ou para conversar. Depois com a pasteleira comecei a ganhar gosto pela bicicleta ( imagina a desgraça que aquela btt era) e comecei a querer ir mais longe e a querer saber mais. Arranjei outra bicicleta, grande demais, uma demi-course motoconfort, mas que me deixava antever o que seria ter uma bicicleta mais ligeira do meu tamanho, e por isso comecei a andar atrás do graal. Graal esse que um dia chegou a minha casa, vindo de França, oferecido por um randonneur da velha guarda, que nunca conheci pessoalmente mas que tinha lá uma bicicleta que de tão pequena não servia a mais ninguém, e teve a generosidade de me enviar. E depois disso nunca mais parei de pedalar, mas desta vez por gosto, além das saídas utilitárias. Moral da história: muitas vezes, alguém que diz não gostar de andar de bicicleta simplesmente nunca experimentou uma como deve ser!

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LC: Achas que as bicicletas podem ser um elo de ligação de pessoas que não se conhecem e fomentar amizades?

MV: Tenho a certeza que sim. Conheci muita gente simpática à conta das bicicletas, e fiz imensos amigos. Mas há um senão: há tantas formas de se andar e gostar de bicicletas que para haver o tal elo de ligação os gostos velocipédicos têm de ser iguais ou pelo menos semelhantes.

LC: Que sinónimos encontrarias para a palavra bicicleta?

MV: Seriam: liberdade, descoberta, simplicidade.

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LC: O que sentes quando andas de bicicleta e onde mais gostas de andar?

MV: Quando ando de bicicleta sinto-me bem, descontraída, e alegre, especialmente quando o sol brilha etenho o vento de costas! Claro que há momentos mais difíceis, quando só queremos chegar ao fim da subida, ou que o vento mude de direção, mas esses não contam...Gosto principalmente de andar onde não há carros e pouca gente, onde não há barulhos “humanos”. Gosto de passar por sítios com paisagens interessantes e tenho um fraco por estradas de montanha, mesmo sabendo que acabo sempre por sofrer nelas.

LC: O que vês numa bicicleta antiga?

MV: Gosto das bicicletas antigas porque são bonitas, elegantes, simples, robustas e envelhecem bem. Como permanecem por muito tempo, ao longo dos anos podemos olhar para elas, passar a mão pelo selim e pensar “ já fomos juntos a este e aquele lugar, já chegamos a sítios onde nunca pensei que pudesse chegar”

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Velo Corvo-Lisboa.

PEDRO, O ARTESÃO DE BICICLETAS.

Estarão os artesãos a acabar? Estarão os ofícios que dependem do trabalho manual a acabar? Estarão para terminar as pequenas marcenarias, as pequenas carpintarias ou as pequenas olarias?  Enquanto houverem pessoas como o Pedro não. O Pedro trocou a Engenharia pelo engenho do fazer, numa arte que dá vida a coisas inanimadas. Tal como um Mestre Carpinteiro tem a sua carpintaria e dá nova vida à madeira ou um Mestre Oleiro tem a sua olaria onde transforma o barro em peças únicas, onde cria e da´ vida a objectos maravilhosos o Pedro tem a sua pequena oficina e todos os dias suja as suas mãos com o óleo das bicicletas. Todos os dias as suas mãos mexem no aço nobre de uma bicicleta antiga ou nas correntes e nos pedais que a ajudam a andar.  Tal como um Mestre Relojoeiro, tal como um Mestre Ceramista ou pintor ,tal como um Mestre Marceneiro o Pedro todos os dias cria e transforma, todos os dias as suas mãos  se envolvem e enlaçam com a matéria prima do seu oficio. Todos os dias o Pedro cria vida onde outros apenas vêm ferro ou rodas. O Pedro é um Mestre nas sua arte e as bicicletas sabem disso. Sim sabem, porque uma bicicleta antiga não é apenas um conjunto de ferros com dois aros, uma bicicleta antiga tem personalidade, chega a ter alma. Na sua oficina o Pedro e as bicicletas fundem-se, o Pedro é uma bicicleta e uma bicicleta é o Pedro. Das antigas, das com memoria, das que respeitam o passado, das que vivem com a simplicidade das simples coisas boas e maravilhosas. Das que não se deixam influenciar apenas pelas modas ou pelo que não é autentico. A oficina do Pedro não é apenas uma oficina, a oficina do Pedro é um local de encontro, é um local de boas conversas e de amizades que se vão construindo. A oficina do Pedro, a Velo Corvo, é um oásis analógico num mundo cada vez mais tecnológico.  Aqui conversa-se e sonham-se aventuras, aqui bebe-se um café reconfortante e ouve-se uma palavra de estima e optimismo. Da loja do Pedro ninguém sai triste. A loja do Pedro chega a ser um local de terapia.

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Acabarão em breve os artesãos ?  Não enquanto existirem pessoas como o Pedro e outras que felizmente tenho a honra de conhecer, que dignificam a arte, que amam os materiais que trabalham manualmente, que fazem desta sociedade uma sociedade mais humana e que com a sua arte ajudam a transformar o mundo e a fazer muito mais feliz quem está á sua volta.

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CURTA ENTREVISTA COM PEDRO GIL

Como é que um engenheiro muda a sua vida,sai duma vida aparentemente confortável num emprego e abre uma oficina de bicicletas?

Simplesmente, mudando. Vencendo a inércia, o não fazer nada, o acomodar-se, o ter medo de que as coisas não corram bem, a incerteza. Não era feliz. Ganhava mais dinheiro, de certeza. Mas, para que é que serve o dinheiro sem felicidade? A altura da minha vida em que ganhei mais dinheiro foi também a minha altura menos feliz. Agora, sou mais livre, com menos dinheiro mas infinitamente mais feliz.

Que procuras oferecer aos teus clientes que muitas vezes passam a ser amigos?

Um ponto recorrente que surgia sempre que falávamos de lojas de bicicleta era que por vezes o antendimento era bom, mas frio. Por vezes, muitas das lojas, ainda estavam no regime frio do balcão. A bicicleta, para mim, não é como um electrodoméstico que se avaria e para o qual se compra uma qualquer peça de substituição (mas alguém ainda arranja pequenos electrodomésticos?). A bicicleta, geralmente tem alma. Logo, a loja de bicicletas tem de ter alma e significado. E, aqueles que entendem o que estou a fazer com a Velo Corvo, tornam-se meus amigos rapidamente porque sabem que farei tudo para que saiam da loja satisfeitos. E é isso que quero fazer, sempre. Procurar dar o melhor atendimento. Seja para uma camara de ar como para uma bicicleta montada às peças.

O que te atrai numa bicicleta antiga?

Penso que sobretudo terá a ver com questões estéticas. Muito simplesmente, para as bicicletas de ciclismo, estrada, todo o caminho, randonneuses, etc, dos anos 70 para a frente tudo fica mais feio ( e pior). Para as bicicletas de todo o terreno, de 95 para a frente. Curiosamente, com o meu primeiro ordenado num emprego part-time como mecânico de bicicletas, comprei uns travões V-brake, Shimano XT. Acho que a partir daí (anos 90), as coisas perderam o seu encanto- o excesso de tecnologia, ou melhor: o aumentar da “rede” necessária para tornar possível a construção de uma bicicleta. A super-industrialização e máquina fria do vender e vender depressa, para no ano seguinte vender uma qualquer “melhoria”. 

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Achas possível uma bicicleta ter alguma espécie de "alma"?

Pois claro que sim. Contudo, não podemos pegar numa bicicleta, tirá-la da caixa, e esperar que ela tenha alma. Muitas pessoas dão nomes à bicicleta. Logo aí, atribuimos uma personificação, uma sensação de que há algo mais do que metal. Mas só isto não basta. Temos de fazer qualquer tipo de alteração. Nem que seja colocar uma campainha. E, quanto mais única for a bicicleta, mais alma terá. Quanto mais uso têm certas peças, mais alma terá. O selim que já esteve em várias bicicletas, as manetes de travão que já tenho desde 95, a mala de guiador que uso todos os dias, etc etc. Todas as minhas bicicletas “boas” foram montadas com peças usadas /novas. E é precisamente este grau de intervenção humana, não standardizada, que dá a “unicidade” e alma à bicicleta. E claro, quanto mais uso tiver a bicicleta, mais alma terá.

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A tua loja é muito mais que uma pequena oficina de bicicletas não é ?

Claro que sim! A ideia não é só arranjar bicicletas. A ideia é mesmo juntar o maior número de pessoas que pensem de maneira mais ou menos semelhante e irmos todos pedalar. 

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Qual a sensação quando um cliente vem buscar uma bicicleta e sentes que gostou muito do trabalho que fizeste?

A sensação é óbviamente boa. Conseguir, com o meu trabalho manual, fruto de décadas de aprendizagem, melhorar algo que , para muita gente tem um lugar fulcral na vida delas (a bicicleta), é para mim muito recompensador. 

Os passeios velo corvo.

Já são míticos os passeios VC . Como vês esses passeios e qual o seu objectivo?

Na pergunta está parte da resposta. Míticos, não por ser a Velo Corvo, mas sim, pelo facto de a Velo Corvo ajudar a desvendar a possibilidade que cada um de nós temos de ir um bocado mais longe. Quantos de nós não passamos horas a vermos fotos no instagram e a pensar “quem me dera conseguir fazer”? A verdade é que conseguimos, pelo menos, fazer um bocadinho mais do que já fazemos! Algo mais do que ficar em casa a ver fotos no instagram. Nem que seja uma tarde num qualquer parque, ou uma manhã a subir uma montanha. Nem que seja uma voltinha ao quarteirão durante a semana. 

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Andar devagar, apreciar a paisagem, conviver com amigos...o que é para ti andar de bicicleta?

Ora, é isso mesmo. Andar a uma velocidade mais ou menos confortável, sentir a paisagem e conviver com amigos. Isso tudo mas também o pedalar como uma espécie de meditação.

O Picnic é um dos pontos altos destes passeios...

Isso e o café! Para quê ir pedalar, para chegar lá acima e comer alpista? Não faz muito sentido alimentar-me de barras energéticas, não achas? Acho pouco recompensador. Para além disso, é bom para meter a conversa em dia e se tiver sol....

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Onde gostas de passear ? Sei que Sintra é uma das tuas paixões …

Gosto de passear em Sintra, porque reúne um conjunto de qualidades: paisagem dramática, subida excelente, perto de casa, árvores, bom sítio para acampar e fazer picnics, e uma descida linda. Mais genéricamente, gosto de passear em sítios bonitos, SEM carros. Algo que me transporte para fora da minha vivência diária, sobretudo.

O que é para ti o verdadeiro ciclo-turismo?

Bem, o nome cicloturismo, em Portugal, é usado para tudo e mais alguma coisa: passeios com carros vassoura a tocar música pimba, com multidões envoltas em licra, com bicicletas desadequadas. O cicloturismo tem de ter duas coisas: ciclo e turismo. Parece que a parte do turismo, por cá, é substituida por um porco no espeto. Nada contra comer, mas pelo menos uma visita a um monumento qualquer, não? E a parte estética também é importante. A ideia do cicloturismo será sair cedo e chegar tarde, levar a mala de guiador cheia de tralha, ir a algum sítio com alguma história e significado, tentar aprender alguma coisa, tirar umas fotos e voltar para casa satisfeito. E tudo isto de bicicleta. Pronto. Simples. Ah, e de preferência sem usar carro nem roupa de licra. 

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Como vês o desenvolvimento do uso da bicicleta como meio de transporte em Lisboa e que mudanças gostarias de ver na cidade?

Vejo com bons e felizes olhos. Os erros feitos nos anos 80 e 90 têm de ser corrigidos. Tanto a nível urbanistico, de infraestruturas, como a nível de mentalidades (se bem que estes se calhar ainda vêm de mais atrás). Por mais que se tente dar a volta à situação, uma boa percentagem de pessoas que vivem nos grandes centros urbanos têm de mudar a sua mentalidade. Não pode haver situações individuais para cada pessoa. Não podemos dispender de espaço vital, em locais já densamente populados, para que os automobilistas possam estacionar, quase gratuitamente. A cidade é de todos e não só de alguns. E, se olharmos de um ponto de vista ainda mais exterior, o carro está ligado a tantos outros fenómenos nocivos à vida humana. Logo, tudo o que limite o seu uso, é para mim, positivo. Radical? Sim, porque vou à radix, raiz do problema. A raiz do problema é mesmo esta: a cidade tem espaço limitado, o planeta tem recursos limitados. Logo, é fisicamente impossível continuar a viver como vivemos. 

Relativamente a mudanças. Para já, multas constantes aos infractores. O excesso de velocidade é constante, mesmo em ruas estreitas, perto de escolas, etc. Há avenidas que são utilizadas como autoestradas. A Avenida de Roma não é a autoestrada de Roma! 

E atenção: esta desculpabilização não é exclusiva a Lisboa. Em qualquer aldeia, há um carro a circular em excesso de velocidade. Fiscalização? Pouca. E quando a há, é a crítica do costume. “É caça à multa”. Bem, se não houver infracção, não há multa, certo?

Logo aí, poderia ajudar a reduzir a sensação de insegurança que sentimos, como utilizadores da bicicleta, ao circular nas ruas. Outras alterações: construção de mais ciclovias, mas das que funcionem. Alteração de algumas regras do código da estrada, que permitam por exemplo, a circulação em contramão em algumas ruas, (por ciclistas) e que permitam a passagem com vermelho em determinadas circunstâncias.

Algumas palavras finais? 

Procurar a felicidade em pedalar simplesmente por pedalar. 

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Sei que o Pedro gosta de escrever e por isso mesmo pedil-he que escrevesse um pequeno texto sobre a sua loja. Escreveu este texto numa sua antiga máquina de escrever e obviamente que não resisti a publicar o texto na sua versão original.

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Salva Biclas, Benfica-Lisboa.

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O Salvador tinha um sonho desde criança, ter uma pequena oficina de bicicletas. Procurou, batalhou e a realização do sonho aconteceu. O Salvador sempre teve jeito e gosto por consertar coisas, sempre teve gosto pelas bicicletas, as antigas então são uma verdadeira  paixão. Para juntar ao que já sabia fez uma formação e depois disso foi fazer um “estágio” com um verdadeiro Mestre, o Pedro da Velocorvo, que lhe ensinou com prazer muitas coisas que só os verdadeiros Mestres sabem e têm a generosidade imensa de partilhar.  Com muita coragem mudou tudo na sua vida e com muita ousadia montou a sua própria oficina. Um acto de amor e paixão por estes objectos de duas rodas que tantos apaixonam. Quando  uma bicicleta entra pela porta da oficina do Salvador o seu coração sorri de felicidade e os  seus olhos brilham de emoção, a Bicicleta, essa, sente o amor com que é recebida e sabe que vais ser acarinhada e mimada. Que o Salvador irá limpar com carinho os seus cromados, que tratará das suas ferrugens  com ternura e que cada esfera será polida até brilhar como uma estrela.  Para o Salvador uma bicicleta é tudo menos um pedaço de ferro, é um objecto amado, uma amiga de quem ele cuida com prazer.  O Salvador fascina-se na sua oficina, perde a noção do tempo e viaja dentro da loja com as suas bicicletas pelo mundo inteiro. O salvador é feliz, e merece.

Salva Biclas, Rua Olivério Serpa n19 Q - Benfica, 1500-471 Lisboa (junto ao mercado)

Cenas a Pedal-Lisboa.

A cenas a pedal já fez 11 anos em Setembro.  Lisbon Cycling falou com a Ana para descobrir o que levou um casal tão jovem a investir neste negocio numa cidade onde muito pouca gente andava de bicicleta.

LC- Ana , como é que  há dez anos se corria o risco de investir num negocio de bicicletas em Lisboa? Sobretudo na vertente em que vocês investiram, mais virada para o ciclismo urbano, de viagem e até de carga.

Ana: Bem, há 10 anos tínhamos 25 anos  e éramos muito ingénuos (risos). A sério, quando criamos a “Cenas a Pedal” não a criámos com a prespectiva do empreendedor que vê uma oportunidade de negocio para servir o mercado e também tirar partido dessa oportunidade.  Essa oportunidade realmente não existia. O nosso objectivo era  poder contribuir para uma mudança cultural , digamos assim.

LC: Como ?

ANA:  Pensámos que isto poderia passar  pelo facto de não haver exemplos que incentivassem a uma mudança. Se não virmos ninguém a utilizar uma determinada ferramenta se calhar nunca pensamos que também a podemos utilizar, mas se vir-mos alguém a fazer determinada coisa se calhar já pensamos que também podemos conseguir fazer isso.  A ideia de fundar a empresa foi a de ajudar a que certos  tipos de soluções para a mobilidade em bicicleta sejam mais fáceis de ver e adquirir cá .  No fundo a missão a que nos propusemos era mais para uma associação só que nós éramos só dois  e não conhecíamos mais ninguém. Mas na empresa temos mais autonomia para decidir como fazer as coisas e isso é uma vantagem.  Independentemente da forma como criámos a empresa o que nos levou a criá-la foi o desejo de partilharmos com as pessoas uma paixão que nós tínhamos, éramos fãs de bicicletas, éramos fãs de usar a bicicleta em vários contextos e ajudar as pessoas que nós queríamos contagiar a aderir a este estilo de vida.

LC: Têm uma escola de Bicicleta, o que é que pretendem com esta escola?

Ana: A escola pretende ensinar pessoas a andar de bicicleta. Ela surgiu a partir do nosso desejo de aprender a conduzir duma forma mais eficaz, ou seja, reduzir as más experiencias, encontrar alternativas para uma condução mais segura e confortável. Tivemos formação, estudámos e percebemos que isso teve grande impacto na nossa  maneira de usar a bicicleta e melhorou muito a nossa experiencia. A partir desta constatação decidimos que seria muito útil partilharmos a nossa experiência com outras pessoas. Inicialmente ela estava focada em aprender a conduzir, e apesar nós já andarmos de bicicleta na estrada, aprendemos imenso. Depois muitas pessoas nos perguntaram se ensinávamos a andar a partir do zero, o que nos deixou muito surpresos, pois muitos eram adultos.  Tínhamos a ideia que toda a gente sabia andar de bicicleta ,mas não, não é assim e existe uma fracção  significativa da população adulta que não sabe andar ou anda mal e então desenvolvemos métodos para ajudar essas pessoas. Hoje em dia essa vertente tem bastante expressão no nosso trabalho.

LC: Achas importante educar as pessoas para a partilha da estrada?

Ana: Sim, é particularmente importante ensinar as pessoas a saber integrar-se  no meio rodoviário  e a saber lidar com as outras pessoas. Não encarar as estradas, os passeios ou as ciclovias como um terreno de batalha em que os outros estão lá para lhes fazer mal, temos que perceber que as coisas só funcionam se as pessoas cooperarem e que muitas vezes quando as coisas correm mal de parte a parte não é, na maioria das vezes, uma coisa deliberada , muitas vezes são falhas de comunicação, falhas  humanas etc. Por isso trabalhamos muito nas aulas de condução como aprender a identificar essas falhas humanas e as próprias falhas do sistema que potenciam  as falhas humanas e que muitas vezes não são visíveis a olho nu. Por exemplo muita gente vai para uma ciclovia e pensa que” aqui posso andar, é seguro “ mas há uma série de coisas que podem acontecer e se não formos educados para isso não damos por elas até ao dia em que as coisas correm mal. Se formos educados para prevenir  armadilhas, para percebermos como as coisas funcionam, para identificar problemas é muito mais fácil antecipar situações perigosas e as coisas correm muito melhor. Vale mesmo a pena investir um pouco na nossa educação nem que seja pesquisando na internet pois existe muita informação disponível sobre estes temas.

LC: Achas que tem havido uma evolução no uso da Bicicleta em Lisboa ou as coisas estão mais ou menos estagnadas?

Ana: Realmente nós agora cruzamo-nos com muitas pessoas e é óbvio que há muito mais gente a andar de bicicleta. Por vezes é um pouco difícil distinguir o que é transporte  ou o que é  lazer ou  até desporto mas sim vêm-se muito mais pessoas a andar de bicicleta. Têm que haver mais investimentos nas politicas publicas para que este desenvolvimento seja mais acentuado. Parece-me que em 2012/13 houve um grande aumento mas entretanto dá a impressão que as coisas estagnaram um pouco. Se não dermos condições para que andar de bicicleta seja agradável as pessoas tendem a parar, desistem porque a espectativa que tinham não se confirmou.

LC: Qual é para ti a principal dificuldade em andar de bicicleta em Lisboa?

Ana: Lisboa é uma cidade ainda muito permeável ao automóvel e há muita dificuldade em escolher uma rota  confortável porque os carros estão por todo o lado. Escolher rotas, acho que essa é a grande dificuldade. Podes até escolher ir apenas por ciclovias mas muitas vezes chegas ao fim duma e não sabes bem o que fazer nem por onde ir. Devia haver um aconselhamento mais eficaz para rotas mais amigáveis. Estamos neste momento a fazer um inquérito aos nossos ex-alunos que são cerca de 800 e eles referem muito que uma das coisas que os impede de utilizar mais a bicicleta é não conhecer sítios agradáveis e seguros, não terem sinalética em que possam confiar.

LC: É muito mais isso que o mito das colinas não é?

Ana: Acho que sim, porque as colinas têm alternativas, podem-se contornar ou  existe até neste momento a alternativa da bicicleta elétrica que  ajuda muito. Ou as dobráveis que podem ser utilizadas em conjunto com os transportes públicos. Se a pessoa tiver vontade as colinas não são realmente um problema.

LC: pensas que a bicicleta eléctrica é uma solução para algumas das dificuldades de Lisboa ou de um utilizador que não quer ou não pode despender determinado esforço?

Ana: Sim, eu sou uma grande fã, andei nos últimos 4 anos com duas bicicletas citadinas diferentes eléctricas. Digamos que por exemplo  a bicicleta eléctrica reduz a “energia de activação” duma pessoa que quer começar a andar , torna as distancias e as subidas mais fáceis e até atenua alguns pormenores mais complicados do transito. Muitas vezes a bicicleta eléctrica  serve de transição para uma bicicleta normal pois a pessoa começa a ganhar confiança e a sentir que é capaz. Uma Bicicleta eléctrica pode ajudar a passar de uma forma muito mais tranquila de um estilo de vida sedentário para um estilo de vida mais activo. Aconselho a bicicleta eléctrica a toda a gente que tem medo das subidas, das colinas, do não ser capaz, uma eléctrica minimamente decente resolve muito  destes problemas. Há que acabar com este preconceito em relação à bicicleta eléctrica.

LC: O que achas que falta em Lisboa para que haja mais utilização de bicicletas na cidade?

Ana: É uma questão de politicas publicas, as pessoas vão para a bicicleta naturalmente quando isso fizer sentido, neste momento as pessoas usam muito carro, são muito dependentes dele mas se começares a tornar essa dependência mais difícil  e os transportes públicos, por exemplo, começarem a funcionar melhor as pessoas começam a procurar alternativas.  Se tivermos menos carros na cidade vai ser muito mais seguro andar a pé ou de bicicleta. São precisas medidas públicas que devolvam o espaço ás pessoas  e que acabem com estes apoios ao uso do automóvel. Não se deve obviamente obrigar ninguém a andar de bicicleta mas deve-se reduzir um bom bocado o uso do automóvel, depois as pessoas que escolham a alternativa que querem que será de certeza melhor para a pessoa e para a sociedade. Não tenho nada contra o automóvel que é muito útil e faz falta a muitas pessoas em muita situações, simplesmente é uma questão de dosearmos as coisas  e fazer ver a quem usa que isso tem um grande impacto em toda a sociedade.

LC: Qual é o público alvo da vossa loja?

Ana: São os “commuters”, são as famílias, a partir da segunda criança  as coisas complicam-se e é mais difícil encontrar nas lojas normais soluções  adequadas ao que precisam. São viajantes em bicicleta, pessoas com algum tipo de “necessidade especial” a quem  tentamos arranjar soluções e fãs de coisas mais divertidas como por exemplo as bicicletas reclinadas. Temos também bicicletas de carga e muitas outras coisas interessantes, úteis e divertidas para quem anda de bicicleta.

LC: sei que têm o projecto da “Casa da Bicicultura”. Que projecto é esse?

ANA.: Da experiência que temos ao longo destes 11 anos já deu para perceber quais são as dificuldades de quem quer começar a andar de bicicleta e não o faz, ou de quem quer andar mais e não consegue. Somos um país periférico dos centros do uso de bicicleta e então surgiu a ideia de formar uma espécie de clube de gente que gosta de bicicletas e que se foque na cultura da bicicleta. A ideia é criar um espaço físico onde exista uma “veloteca”, por nomeadamente, onde existam coisas que cá em Portugal sejam difíceis de ver ao vivo ou comprar, que se  possam experimentar como se levassem um livro para ler, ter acesso a utensílios que não necessitamos sempre mas que ali estão disponíveis para quando necessitamos.  Que seja um espaço de encontro onde as pessoas possam conversar sobre as suas experiências ou tirar duvidas. Onde possam ter aulas de mecânica e de condução. Onde se possa trabalhar na bicicleta num sítio bem equipado onde aprendes com alguém e  podes tirar dúvidas. Onde se possam  organizar passeios e encontros, etc.  É uma maneira de pormos em prática estes dez anos de experiência, agora numa experiência colectiva.

 

Notas: esta entrevista já foi feita em 2016, ainda no espaço de Alvalade. Neste momento a base da loja e oficina é num armazém em Marvila. A Ana e o Bruno continuam a atender as pessoas por email (e telefone), e presencialmente por marcação - não são uma loja normal nem sequer nos horários. :-)

Av. da República-Lisboa.

Muitos Lisboetas teimam em não querer ver as bicicletas que por eles passam. Que não existem, que nunca viram nenhuma, que tudo é uma ilusão e um despesismo de rico.  Que só os pobres ou quem não pode ter carro anda de bicicleta. Por essas redes sociais fora muitos alertam para este desvario, para quê construir ciclovias onde passa um ciclista por dia dizem. Ontem estive, por motivos de um compromisso, cerca de meia-hora na esquina da Av. De Berna com a Av. Da República e até eu, que tenho atenção a estas coisas e tenho acompanhado de perto o fenómeno da bicicleta em Lisboa fiquei espantado. Não com a falta de bicicletas mas sim pelo contrario, naquela meia-hora passaram imensas, muitas delas do sistema GIRA.  Estava tão feliz que peguei na máquina e fiz umas fotografias. Por aqui se prova que quando se fazem coisas, quando se trabalha bem as coisas acontecem. Acontecem na Av. Da Répública e  noutras zonas ese forem bem feitas acontecerão por toda a cidade. Porque uma vez mais digo: As colinas são um mito e os Lisboetas estão a começar a perceber isso.  

A Isabel-Belém

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Ia na ciclovia do Tejo quando reparei na Isabel. Levava os braços abertos como quem abraça o mundo e o transforma em felicidade. Não resisti a meter-me com ela.

LC: tens essa bicicleta há quanto tempo?  Isabel: Um ano mais ou menos. Foi a melhor compra que eu fiz!! LC: Consegues definir numa frase o que é para ti andar de bicicleta em Lisboa? Isabel:  É genial !!! Normalmente venho super cansada do trabalho e limpa-me a cabeça. LC: Eu vinha atrás de ti e reparei que vinhas a abrir os braços ... Isabel: Sim, vinha. E a cantar.  Venho sempre muito contente...