Eroica Hispania 2019

Eroica Hispania 2019-Cenicero, La Rioja, Espanha.

Estás feliz? Estou, disse eu, muito.  Lembraste quando viemos sozinhos pela primeira vez e como imaginávamos o que seria de partilhar toda esta emoção com amigos ? Claro que sim digo eu, sorrindo.  Foi mais um pequeno sonho realizado não foi? Foi, e foi tão bonito ! E tu estás feliz? Não podia estar mais, respondeu a minha amiga Bicicleta.

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Os preparativos foram feitos num simpático jantar. Por entre uns refrescantes  copos de limonada ou de bom vinho fomos acertando os pormenores. Tudo ficou mais ou menos combinado  para a grande aventura da “Embaixada Lusitana” que se deslocava à Rioja espanhola para participar na Eroica Hispania 2019. O entusiasmo era enorme.

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O Pedro, o Ricardo e o Carlos tiveram a espinhosa missão de desmontar as bicicletas uma a uma e das enfiar e acondicionar dentro da carrinha. Cerca de 900 Km nos separavam do nosso destino, cerca de 9 a 10 horas de viagem que decorreu sem incidentes de maior. Ao fim da tarde estávamos em Cenicero, ponto de partida e chegada da Eroica Hispania. Entre hotéis e o Parque de Campismo todos nos acomodámos confortavelmente.

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O Sábado foi passado entre a pequena feira de  artigos de bicicleta e uns  curtos passeios, que incluíram visitas a caves de vinhos. e a sua degustação.

Ao final da tarde o Clube de Cenicero preparou uma belas sandes de “lomo e pimiento”, regado com vinho da Rioja que fizeram as delicias de ciclistas famintos e sequiosos.

Eventos como a Eroica não se resumem ao dia do passeio mas sim a todo um fim de semana. Animação qb, feira de artigos da especialidade, camisolas de sonho e um ambiente fantástico, tudo isso espera quem se atreve a ir.

Aventura Lusitana

O dia amanheceu fresco mas com previsão de muito calor. Partimos cerca das sete e meia com o entusiasmo quase infantil de quem vai  para uma grande aventura. E íamos!  As espectativas eram elevadas, a frescura da manhã como que nos dava energia para o que nos propúnhamos, o sol brilhava para um dia lindíssimo e cheio de vida.  

Decidimos fazer os 68 Km para podermos desfrutar e parar as vezes que queríamos, para ir sem pressa de chegar. E assim fizemos, 68 Km duros, de puro prazer, esforço e emoção.

A natureza ao longo do passeio é deslumbrante. As vinhas alternam com os prados, as planicies com montanhas, as pequenas aldeias cor de terra completam o cenário de filme romântico.  Sente-se a conjugação da força da Natureza com a nossa vontade de pedalar, sente-se como que uma corrente macia que nos envolve e que nos liga a todos, entre todos. As nossa cabeça é o motor, que nos diz “vai que consegues”,  e as nossas pernas vão, por vezes mais com o coração que com a força , mas vão, “observa e vê, contempla e desfruta”, e nós observamos e contemplamos, vemos e desfruramos,  com o coração cheio, “Ama”, e nós amamos cada pedaço de chão que nos dão o privilégio de pisar, cada pedaço de flor de cores exuberantes, cada pedaço de trigo verde que embala os campos, cada pedaço de nós próprios e melhor ainda cada pedaço dos outros com quem partilhamos tal jornada. Sim, não há nada como partilhar  este prazer com quem está em sintonia connosco.

São duros os 68 Km? Sim são duros. Por terra batida, por asfalto, com algumas subidas bem difíceis que cada um fez ao seu ritmo, controlando o esforço. O calor começou a apertar e tornou-se  forte. Abrasador. A água é fundamental nestas situações e não pode faltar. O Ricardo tratou que não faltasse. Ao fim de uma subida a compensação de uma bela vista e dum abastecimento abundante.  A paragem e a satisfação de ter conseguido cumprir mais uma etapa. Um abraço, um beijo, um olhar de cumplicidade e o prazer do convívio.

E o passeio continua, um passeio onde todos desfrutam á sua maneira, dizendo piadas, cantando, sorrindo. Mas há lugar também para a solidão, para a introspeção. Neste passeio partilhamos muitas emoções e também nos encontramos a nós próprios. Por vezes rindo e falando, por vezes  mais sós, respeitando silêncios e a solidões a que cada um se dedica.

( A Rita levava a camisa com que a sua Avó andava de bicicleta, creme com bolinhas pretas, a felicidade com que o disse  foi comovente e representa bem a emoção desta  sua primeira participação ).

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Do ultimo abastecimento ao final é um tiro, chegamos extenuados mas felizes, abraçamo-nos, cumprimentamo-nos e fizemos uma foto. Para a postridade. De alegria estampada nos olhos, de coração apertado de emoção.

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O Alexandro estava de rastos, de tanto pedalar e cantar.  O Ricardo queria beber uma  “Bjeca” ou uma “Canha” como os espanhóis lhe chamam. Bebemos duas que não há nada melhor depois de uma aventura velocipédica que uma cervejinha bem tirada e fresca. Que nos perdoem os mais puros mas nestas alturas isto não vai lá só com água. 

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Terminamos a tarde numa esplanada, bebendo uns  copinhos e restabelecendo as forças, conversando e já recordando o grande feito. Celebrando a vida e as melhores coisas  que ela nos dá. Que privilégio esta partilha.

( Estando aqui sentados pedem-me que diga alguma coisa, a mim... e eu falo duns anos antes, em que estava sentado naquela praça num final de tarde, sozinho no meio de uma multidão que comia e bebia, que conversava alto como só os espanhóis sabem conversar, que se divertia. E eu sozinho bebia daquilo tudo, como se estivesse em cada mesa brindando e bebericando. Recordo-me de como pensei que seria tão bom que um dia ali estivesse com amigos. E ali estava eu cumprindo esse pequeno sonho. E lembrei-me também  de nessa tarde magica ter ouvido falar as bicicletas, de sentir os seus pensamentos e a sua comunhão com o seu ciclista. Claro que já tinha bebido uma ou duas “canhas” quando cheguei a esse ponto, mas que porra a vida é feita  também de sonhos, emoções e por vezes de alguma fantasia não é? )

A noite terminou, como não podia deixar de ser, com um delicioso jantar numa esplanada no “Pueblo” de La Guardia que é considerado um dos mais bonitos de Espanha. Boa companhia, boa comida e boa bebida, corpos cansados e mentes tranquilas e felizes. Que se pode  pedir mais ?

Amigos Bascos

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Conheci a Ane e o Unai  o ano passado na Eroica Hispania e desde aí temos mantido algum contacto. Sabia que iam mas não os tinha ainda visto. Não os vi no campismo nem na partida e estava com receio que à ultima da hora não pudessem ter vindo. Parei durante o caminho, por acasso, no local onde os tinha conhecido no ano passado para fazer uma fotografia. Quando olho para trás vejo a Ane a acenar toda contente. Fiquei maravilhado, não tínhamos combinado nada e fomos encontrar-nos exatamente no mesmo local onde nos conhecemos o ano passado. Existem coincidências incríveis e verdadeiramente magicas que nos fazem pensar na beleza da vida e nos dão uma alegria enorme. Obrigado Ane e Unai.

Nuno e Carlos

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O Nuno e o Carlos acompanharam toda esta viagem em trabalho mas também por prazer. O Nuno está a produzir e a realizar um documentario sobre ciclismo Clássico de que todos nos vamos orgulhar e o Carlos a fazer as fantásticas imagens para o mesmo. Obrigado aos dois por tão boa companhia e pelo vosso entusiasmo.

Prémio para o melhor Bigode

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Não havia nenhum concurso para o melhor bigode, mas se houvesse o Ricardo ganhava, disso ninguém tem qualquer duvida. Grande “bigodassa” Ricardo.

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A Eroica Hispania 2019 decorreu uma vez mais  na bonita região de La Rioja. Esta região é bem conhecida pelos os seus vinhos e por ser uma das regiões vinícolas mais famosas  de Espanha e do mundo. Tem excelentes hotéis e parques de campismo e rotas bem assinaladas para quem gosta de turismo de natureza, de povoações bonitas e boa gastronomia.. Tem inúmeras adegas onde se pode fazer degustação do precioso néctar , bem acompanhado de um bom queijo ou umas fatias de presunto.  É também uma grande rota de passagem do Caminho de Santiago. Uma região que vale bem a pena visitar.

O evento contou este ano com a presença de  cerca de 850 participantes de 25 Países. Ao contraio de outras edições, em que choveu  muito, esta  decorreu  sob um sol por vezes escaldante mas que deu um grande colorido ao passeio. Os primeiros participantes, os “eroicos”, partiram ás 6,00 horas da manhã para uma distancia de  194 Km. Mais tarde partiram os  participantes dos  144 e dos 68 km onde participaram  a maioria dos Portugueses.

Agradecimento.

 

A todo o grupo. Pela camaradagem, pelo empenho, pela amizade que nos uniu.  

Ao Willy .

Muito obrigado a todos.

Artur

Restos de colecção.

L'Eroica, Gaiole in Chianti 2018

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Em Outubro voltei com o meu amigo Salvador a Gaiole in Chianti na Toscânia para mais uma L’Eroica, a maior e mais importante Eroica do calendário anual. Decidimos ir já um pouco em cima da hora e a única maneira de ir  foi apanhar o Avião para Roma e depois fazer cerca de 250 Km de carro para Gaiole. Duro, mas como se costuma dizer ”Quem corre por gosto não cansa”. E assim foi, ou quase, porque já não temos idade para tanto reboliço.

Mas valeu a pena, se valeu. As paisagens da Toscânia são incríveis e o ambiente que se respira neste encontro é incomparável.  Bicicletas de todos os tipos, antigas , bem antigas, gente de todo o mundo. Ambiente de grande festa e confraternização, algo de muito especial e único que nos enche a alma de contentamento e nos renova as energias.

A tarde de sábado foi passada em “deambulação”  pelas diversas e numerosas bancas que tudo vendem, desde peças a lindas bicicletas, de roupa a  acessórios de todos os tipos. Eu  e o Salvador lá íamos resistido a tanta tentação.  Mas não foi fácil. Nessa noite fomos convidados para um maravilhoso jantar de comida e vinho Toscano. A organização estraga-nos com mimos que não merecemos.

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No domingo a alvorada, a nossa, tocou ás 4,00. A casa de banho onde os primeiros “estremunhados” do camping já estavam em actividade estava animada. O Domingo é um dia longo e queria partir com os primeiros a sair, sentir-me como os “Eroicos” que vão fazer mais de 200 Km , muitos deles só chegando quando a noite já os volta a abraçar. Queria sentir essa sensação, de partir e fazer parte do percurso com eles. Um dia penso que o farei todo, mas esse dia ainda estará para vir. E assim foi, levantei-me pelas 4,00 horas e ás  5,00 estava na linha de partida.  E com eles parti, com gente alegre e faladora, com gente mais compenetrada, com gente mais tímida mas com um objectivo comum: Chegar ao fim e faze-lo divertindo-se e sem qualquer tipo de competição. E com eles fui até ao Eroica Caffé, em Brolio. Noite cerrada, chuva miudinha e muita mas muita vontade de andar de bicicleta e percorrer aqueles maravilhosos caminhos em excelente companhia.

Saímos de Brolio e começou a amanhecer, uma manhã fria e sem sol, muito húmida, mas a alma e o coração iam quentes.

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Zona de Vinhos, do famoso vinho Chianti, onde as vinhas são presença constante.

Uns quilómetros depois deixamos a companhia destes amigos e seguimos um caminho mais curto. Vamos encharcados. Um pouco mais á frente o Salvador decide fazer um outro trajecto. Sigo solitariamente pelos caminhos de terra batida, a famosa “strada bianca” que tantas páginas de literatura inspirou e tantas lendas criou. Vou debaixo de uma chuvinha que vai abrandado. As paisagens, os cheiros, o ambiente, a alegria de ali estar e de estar vivo e a pergunta que muitas vezes me faço: Terei eu o direito de ser tão feliz?

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Por mim passavam mais ciclistas que resolveram fazer o percurso de forma mais solitária e pessoal, sem a companhia dos muitos que estavam para trás.

E chagámos aos sempre apetecíveis e famosos locais de abastecimento, sempre chegamos onde nos esperam, dizia Saramago, e aqui nos esperaravam pessoas de grande simpatia e amabilidade. Estes são não apenas um local de descanso e reabastecimento mas um local de verdadeiro convívio e partilha pois minguem tem pressa de comer a correr para ganhar mais uns metros. ( mais fotos dos abastecimentos no Instagram)

Chego ao local de chegada e pergunto-me se já fiz tantos Quilómetros, como foi possível ter sido tão rápido? Ia tão distraído que nem dei pelo tempo passar. E deixei-me ficar pelo centro de Gaiole, bebendo daquele ambiente de festa, de camaradagem e apenas usufruindo e fotografando.

Começa a chegar a noite, e da penumbra fria  continuam a sair participantes, que fizeram mais de 200 Km, chegam e com eles chegam sorrisos e abraços, com eles chega a felicidade de terem conseguido. Com eles chega muito calor, e a noite fica menos fria.

Passava já das dez horas quando fomos ao café comer qualquer coisa e beber um ultimo capuchino antes de nos pormos á estrada para fazer os mais de 200 km para o aeroporto de Roma. O dia que tinha começado as 4,00 ainda tinha pela frente uma viagem de carro e apanhar o avião ás 6,00 horas para Lisboa. E eis que aparece Giancarlo Brocci e uma vez mais toda a sua ternura,  simpatia e  humildade nos surpreendeu. Com um ar de quem está exausto mas feliz mete-se connosco e com a senhora do bar que para todos tem sempre um sorriso de simpatia, que também está a trabalhar desde as quatro da manhã e continua alegre pois diz que “dias não são dias e aquele dia é especial” . Giancarlo retribui-lhe com muita ternura e surpreende-a com a espontaneidade de um gesto carinhoso. Gesto simples mas que muito revela sobre este enorme ser Humano que é  Giancarlo e que retrata bem todo o espírito e emoção que é a Eroica, que é muito, mas muito  mais que um simples passeio de bicicletas..

E de coração cheio, pois não podia ter teminado de melhor forma, nos fazemos ao caminho. Até para o ano Gaiole.

De Pequenino se…

Um dos grande objetivos da Eroica é a promoção do uso da bicicleta e do desporto entre os jovens e as crianças e isso é visível de forma muito significativa nas diversas edições. Muitas crianças a participar nesta míni-Eroica em Gaiole mas sempre muitos jovens participantes por todo o mundo. A Eroica é um veiculo de promoção do desporto sim, mas do desporto pelo desporto, de forma pura e saudável, sem batota ou  com base numa competição altamente comercial e desumanizada que pretende transformar os atletas em maquinas de quebrar recordes e onde tudo vale para que isso aconteça. A Eroica quer trazer as pessoas para a rua, para que se sujem, para que se cansem, para que sintam o prazer do esforço e da persistência , da camaradagem, da victoria justa, da solidariedade e da partilha, do contacto com a natureza e com a cultura. Valores que cada vez mais fazem falta num mundo cada vez mais competitivo e individualizado onde todos tentam ganhar a todos, a todo o custo.

Uma Mesa Portuguesa, com certeza…

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Já sabia pelo Instagram que outros compatriotas tinham viajado de Portugal para participar neste encontro. Mas não estava preparado para o que vi, ou por outra ,estava, pois somos capazes disto e de muito mais. Esta é a nossa tradição. Bem no centro de Gaiole, na zona mais movimentada ouço falar Português e deparo-me com uma mesa bem posta, com umas belas “chouriças” prontas a ir para o assador de barro, com uma bela garrafa de vinho “Tia Ermelinda” e 3 representantes do nosso País, do melhor que temos.

O cheirinho, ahh o cheirinho que vinha daquelas chouriças a assar no lume, na canoa de barro. Veio tudo de Portugal, as chouriças,o recipiente de barro Até o bagaço para fazer a chama veio da terra. Ninguém resistia e a curiosidade de quem passava era muita. O Vinho, a curiosidade pelo vinho. Pouca gente sabe, lá fora, da qualidade e da excelência do nosso vinho e especialmente desta bela garrafa de D. Ermelinda. E a preciosidade do saca-rolhas Campagnolo, a dar o toque Italiano.

O sucesso  desta iniciativa foi enorme, quem não vinha pela vista vinha atrás do cheiro. E perguntavam de onde eram e o que era aquilo. E o vinho, que maravilha de vinho diziam, até o Presidente da Câmara Municipal veio ver o que se passava, e elogiar o magnifico néctar e as fantásticas chouriças. E sobretudo a simpatia daqueles 3 Portugueses fantásticos que se deram áquele trabalho.

Ciclo Club Lebre

São o Ciclo Clube Lebre e vieram de propósito para a Eroica, trouxeram tudo, desde as chouriças ás bicicletas, porque para fora não se vai desprevenido. Vieram par amor ás bicicletas e a esta festa magnifica de amizade e camaradagem.

Os elementos do Ciclo Club Lebre com o Presidente da Camara de Gaiole in Chianti e outros curiosos.

Os Lebre fizeram o percurso de 120 Km, infelizmente não os encontrei pelo caminho mas aqui fica este registo, feito pelos próprios e que tiveram a amabilidade de me enviar. Foi um enorme prazer ter conhecido este grupo, um orgulho. Obrigado amigos da Lebre e até breve.

Agradecimentos

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Ao meu amigo e companheiro de viagem Salvador. Uma vez mais á Organização da Eroica que tão bem nos trata, que nos mima de forma tão espetacular. Agradecimento especial á Ângela e ao Lívio , que são inexcedíveis na simpatia e na competência. Muito obrigado por tudo.

Aos mecânicos da  Gaudenzi que com carinho nos prepararam as nossas bicicletas.

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