Uma Serra, amigos e dois passeios Velo Corvo.

Arrábida com Sol

No final de Setembro o Pedro convocou para mais um passeio Velo Corvo, desta feita na Arrábida, Setubal. Desta vez era especial pois íamos ter com o nosso amigo Jean François Laurent , grande amante do cicloturismo e que se passeava solitariamente por Portugal. O Jean François é um histórico do cicloturismo Francês, grande viajante de bicicleta, autor do fórum tonton velo, fundador e colaborador de revistas da especialidade, mestre na arte de viajar em bicicleta. Para além do mais tanto eu como a Marie ou o Pedro temos uma divida de gratidão e amizade para com ele. Sem que o soubesse e nos conhecesse teve uma importância enorme nas nossas vidas. Passear com o Jean François foi uma honra incrível e um privilégio.

O cicloturismo é uma grande família.
— Jean François Laurent

Saímos de Lisboa em direção  a Setúbal de comboio, chegados a Setúbal tivemos de esperar um pouco pelo Jean François e aproveitamos para visitar o mercado de Setúbal, talvez um dos mais bonitos do País.

Enquanto esperávamos a Marie desenhava e o Pedro estudava a rota a seguir.

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O dia estava a começar a ficar quente, o céu estava azul, um dia lindo para fazer um passeio de bicicleta por uma serra entre o campo e um mar que tem um azul esverdado verdadeiramente belo.. .O Jean François chegou e partimos em direção a esta serra tão bonita.

E começamos a subir, debaixo de um dia cada vez mais quente, subidas duras em que por vezes tivemos de desmontar, pelo menos alguns de nós. Mas tudo compensava a  dureza das subidas, as vistas, a companhia... e o azul do céu e do mar que pareciam ter combinado com o verde das árvores para nos deslumbrar.

Depois de Sesimbra começamos o regresso a Lisboa pela herdade da Apostiça, por estrada de terra chegamos á fonte da telha, com muitas peripécias pelo meio como é normal, e daqui á Trafaria onde apanhámos o Barco para Belém.  Cerca de 90 Km num passeio que se recomenda vivamente.

Herdade da Apostiça

Chegada á Fonte da Telha

No barco Trafaria-Belém

Arrábida com Chuva

 

O Pedro avisou: Muitos km’s a subir, muita chuva. Mesmo assim quando chegamos a Palmela éramos  nove . Nove aventureiros. De Palmela ao Portinho da Arrábida, e depois a Setúbal, subindo e descendo com muita chuva e frio.

Deixo as fotografias possíveis para um passeio muto diferente, na mesma Serra, que fizemos  com imenso prazer. Foi tão bom que, encharcados, todos perguntava-mos: Quando é o próximo? O texto deixo para o Pedro que o escreveu aqui.

Serra da Estrela com amigos.

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Nestas férias convidei alguns amigos para comigo percorrerem alguns caminhos da Beira Interior. Em boa hora o fiz. Caminhos e estradas que costumo percorrer sozinho mas que sempre quis partilhar com outras pessoas. Pessoas que como eu pensam e sabem que andar de bicicleta é muito mais que apenas isso. É o prazer do esforço, a alegria da conquista e a emoção da partilha.  É a boa solidão do silêncio, a felicidade de uma boa gargalhada ou de um simples sorriso e o ficarmos gratos por de alguma forma podermos ajudar os outros. Chegar ao fim de uma subida extenuante e ter sorrisos à nossa espera, incentivando e ajudando. Saborear em conjunto aquilo que mais simples e melhor a vida tem: A Liberdade, a Felicidade, a Amizade. Depois do esforço vem o momento de partilhar uma refeição, uma cerveja ou um copo de água ou de vinho, vem o prazer do cansaço e do corpo dorido, vem a felicidade de continuarmos juntos, a partilhar todos estes momentos.

Fotografia: Ricardo Batista.

Fotografia: Ricardo Batista.

Foi extraordinário este fim de semana, glorioso mesmo diria eu, que andava trôpego de tanta emoção.

Erada-Paul-Orondo-Casegas-Erada.

Cerca de 35 Km por montes e vales, de subidas e descidas ligeiras e um pequeno “murinho” de 3 rampas seguidas a 10% dos quais ninguém se queixou por aí além. 35 Km de boa disposição intervalados com banhos refrescantes em ribeiras e rios e com um belíssimo pic-nic que a Alice e a Isa nos prepararam.

Depois o descomprimir e o digerir de tantas emoções, a descontração e o repouso, o afinar das bicicletas pois também elas merecem descanso e atenção. E o jantar que tão bem nos soube. O convívio, a calma, os silêncios, os risos...

ERADA-TORRE

No segundo dia subimos á Torre, 26 Km do ponto de partida até ao ponto mais alto de Portugal continental. Sempre a subir, sempre com boa disposição e com uma enorme vontade de superação.  26 km de esforço e prazer, de camaradagem e alegria, não só por nós próprios mas sobretudo pela enorme felicidade que é a maravilha de ver os outros felizes. Felizes de conseguirem superar as suas espectativas, felizes por admirarem as vistas soberbas que a Serra nos oferece, felizes por partilharem tudo isto com amigos. Que bom que seria se o mundo sempre  assim fosse.

A subida de Unhais da Serra até á Nave de Stº António.

E chegamos á Torre com as emoções a transbordar devido á conquista da mítica subida. Sim, subimos com estas antigas e valorosas bicicletas. Nossas amigas e companheiras. E juntos, comemorámos o feito com um pic-nic,  não que  sem antes algumas lágrimas tenham corrido por algumas caras cansadas mas felizes. As bicicletas, as nossas valentes bicicletas, também aproveitaram para descansar já pensando naquilo que as esperava: A vertiginosa descida de regresso.

A descida de regresso é espetacular , curva e contracurva,  descidas rápidas e muito cuidado pois é fácil atingir velocidades elevadas.  Tudo correu bem, as descidas foram feitas em segurança, com várias paragens e  o Pedro ia dando dicas para  para que tudo terminasse da melhor maneira.  Chegamos ao ponto de partida e o fim de semana estava a chegar ao fim, com pena nos despedimos uns dos outros mas a semente estava lançada e em breve partilharemos juntos outros caminhos. Até breve meus amigos e obrigado por tão maravilhosa companhia.

 Fotografias: Ricardo Batista e Lisbon Cycling