ETAPA DA VOLTA A PORTUGAL 2019/ GUARDA.

 

Estou com algum receio. Então? Pergunto eu. Tanto carbono e outras coisas que tais. Ora, digo eu não te preocupes com isso. E parecem todos tão rápidos.  Vamos devagar, ao nosso ritmo e chegamos a tempo vais ver.  Hum, diz ela: as tuas pernas não estão em grande forma e eu também já não sou a mesma...Estamos bem um para o outro, digo eu, velhotes e usados... E já viste os equipamentos, pergunta baixinho, tão coloridos e cheios de letras, sim são os equipamentos modernos, nós é que andamos atrasados e fora de moda. Pois, diz ela, estou muito receosa, será que chegamos a tempo de arrumarem tudo e irem embora? Vais ver que sim, respondo com um sorriso confiante ou que pelo menos parece confiante. Também partilho dos seus receios mas tento ser otimista.  Não gosto nada destes controlos de tempo, diz ela, não estamos habituados a isto, e a sestazinha pelo caminho , podemos fazer? Sim faremos umas paragens vais ver.

Se vires o Sr. Marco Chagas avisa está bem, diz ela, gostava de o ver. Ah sim, respondo eu. Não te sabia com tal curiosidade. Sabes é genético Oh, também já fui nova e cheia de sonhos, o bichinho está cá e apesar dos meus 55 anos ainda me vejo a fazer grandes coisas diz ela fazendo brilhar  as suas rodas polidas o Sr. Marco chagas foi um grande campeão, gostava muito de o conhecer. Eu também, cofessei. E não é que conhecemos mesmo.

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Tenho grande paixão pelo ciclismo clássico , pelos grande heróis que subiam e desciam montanhas, sem carros de apoio, entregues a eles próprios, por caminhos de cabras, de pedra. Debaixo de frio ou calor insuportável, que chegavam cobertos de lama ou pó.  Não é saudosismo nem nada que se pareça. É apenas admiração e reconhecimento pelos pioneiros desta modalidade que sempre me apaixonou. Nada que tenha a ver com os tempos de hoje, que são os de hoje, os nossos, diferentes mas também ainda desafiantes. Assim sejamos sérios no que fazemos e tudo vale a pena. Todos os tempos valem a pena. Olhar para trás não é apenas nostalgia é também conhecer e aprender , é preparar o futuro e viver ainda melhor o presente. Sem saudosismo , repito, porque o saudosismo não nos leva a lado nenhum e só nos trás infelicidade.

Tinha algum receio sim, de participar na “Etapa da Volta” mas também curiosidade de como seria. E foi muito desafiante.

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A partida foi na cidade mais alta de Portugal, a bela e rigorosa Guarda, cidade de muitos encantos, de muitas  subidas e descidas. Dilui-me na multidão de participantes, cerca de 800, e parti quase no final para não empatar ninguém. Primeira parte quase em vertigem  pela velocidade da descida constante, estradas secundarias de rara beleza e um percurso magnifico. Tal como não há almoços grátis também as descidas não o são e são para pagar mais tarde, e pagámos com 2 subidas bem longas e fortes, que foram feitas com prazer porque quem sobe por gosto não cansa. Quem por mim passava dava alento, elogiava a “CNC” que pulava de orgulho e agradecia. “Isso é que é de valor” ouvíamos, isso “é de homem”!! E de bicicleta dizia eu , a CNC rejubilava perante as palmas e incentivos de muita gente que na beira da estrada observava a loucura destes ciclistas ávidos de transpor asfalto  e o esforço dos que mais lentos iam. Os incentivos eram muitos e sobretudo muito respeito e consideração por quem tinha ousado fazer tudo aquilo de forma um pouco diferente. Porque a bicicleta é só uma e cada um tem o direito de nela andar com lhe dá maior prazer.  Não existem formas melhores de andar, o que existem é maneiras diferentes de o fazer e todas são recomendáveis. Desde que exista respeito pela natureza, pelo meio envolvente e pelos outros, todas são válidas.

No final da primeira subida havia o sempre ambicionado abastecimento, farto e bem apresentado e foi aí que tivemos o prazer e o privilégio de conhecer o “Enorme” Marco Chagas. Sem qualquer espécie de vedetismo estava no meio dos participantes, falando e convivendo, um exemplo. Achou-nos graça e conversa-mos um pouco, a “CNC” estava que não podia e fizemos uma selfie, se na minha vida fiz mais de meia dúzia foi muito, e com o entusiasmo e confusão  a “CNC” nem aparece, coitada, mas ficou feliz na mesma pois conheceu um dos maiores corredores Portugueses de todos os tempos que ainda por cima a elogiou. Se fosse só por isso já tinha valido a pena.

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Mas houve mais, muito mais, as subidas e as descidas continuaram, as paisagens magníficas também. Aldeias bonitas, pessoas simpáticas nas bermas da estrada.

Incentivos e companheirismo entre os mais lentos também não faltaram, porque os rápidos não se preocupam com isso e vão lançados para a meta.  A meta que estava no alto duma subida em paralelo, íngreme e eu e a “CNC” quando a vimos até nos vieram as lágrimas aos olhos, não sei se de contentamento por ver a meta de da desgraça de ainda ter de fazer tal subida depois de tanto esforço. Mas fizemos e cortamos a meta felizes. Felizmente a organização ainda não se tinha ido embora e ainda fomos a tempo de um saboroso almoço regado com 3 ou 4 imperiais fresquinhas. Valeu a pena esta ida à etapa da Volta, feita de forma diferente por nós, mas muito compensadora.

Com o “Enorme” campeão Marco Chagas.

Com o “Enorme” campeão Marco Chagas.

Bikevibe Lisbon

A BIKEVIBE é uma revista feita na Noruega e vendida em toda a Europa. Faz edições sobre cidades consolidadas no uso da bicicleta. Paris, Milão, Nova Iorque, Londres... Desta vez veio a Lisboa, que não sendo uma cidade consolidada no uso da bicicleta é uma cidade em mudança, e fez uma bela edição sobre a nossa cidade. Este vosso modesto amigo aparece por lá, bem como outros amigos bem mais importantes. É uma revista muito bonita e se quiserem comprar podem fazê-lo na loja underthecover junto á Gulbenkian em Lisboa ou encomendar via net.

Obrigado Bikevibe City Journal pela visita.

Passeio de Bicicletas antigas de Mendiga.

Um passeio a não perder para quem gosta de bicicletas antigas é o de Mendiga. Este passeio organizado por Luís Montez, grande apaixonado e especialista de bicicletas antigas como as tradicionais Pasteleiras é já uma tradição na região de Porto de Mós . Excelente hospitalidade, bonitas paisagens e gastronomia  de eleição. Mendiga vale a pana e o passeio é verdadeiramente bonito.

Muito obrigado ao Luis Montez e a todos pelo caloroso acolhimento.

Mais informação sobre Mendiga aqui: Mendiga-Porto de Mós