A Clássica-Lisboa, 14 de Outubo, 10 Horas.

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Como sabem já há muito tempo gosto de bicicletas. Gosto de passear sozinho e gosto muito de andar com amigos. Recordo-me enquanto criança muito pequena de andar na bicicleta do meu irmão mais velho, José Carlos, uma bicicleta de roda 28 enorme com a minha perna por entre o quadro. E todo torto lá muito entusiasmado e feliz. Depois os meus pais ofereceram-me, imagino que com muitas dificuldades e esforço, uma magnifica bicicleta Vilar, vermelha, ainda hoje me lembro da cara de felicidade do meu pai quando a vi pela primeira vez. Seria com certeza um espelho da minha. O meu pai...Com ela vivi inúmeras aventuras com os meus amigos, amigos de infância que ainda hoje me orgulho de preservar.
Fui crescendo e fui continuando a gostar muito. Passados muitos anos o meu pai voltou a oferecer-me uma nova bicicleta para substituir a velha Vilar que já estava extremamente estafada de tanto uso e maus tratos, tinha direito á reforma a pobre coitada. Desta feita de “estrada” e já mais “profissional” ,ofereceu-me uma IBA creme muito bonita e durante muitos anos foi a minha bicicleta. Foi com ela que pela primeira vez fui ter com a Isa á “outra banda” na altura um local tão longínquo para mim. Esta bicicleta acompanhou-me até depois da Carolina nascer embora em paralelo com outra que entretanto comprei. Estávamos no inicio do BTT e não resisti aquele despertar do que viria a ser uma grande moda. Alternava o uso de uma e outra e entretanto mudei-me novamente para Lisboa, para a casa onde tinha nascido e que tanto amava. Aqui, e agora enquanto adulto, redescobri os carreiros e caminhos do Parque Florestal de Monsanto, caminhos que tinha percorrido na infância com os meu amigos de sempre e a quem fui convencendo um a um a voltar a percorre-los comigo. Todos os domingos era como que um regresso á infância, ás brincadeiras e ás gargalhadas, não já com a inocência da infância mas ainda com o sentimento forte de amizade e da cumplicidade que nos une.
Nunca durante todos estes anos tive qualquer apetite pela competição em bicicleta, embora enquanto os meus amigos gostavam muito de futebol eu preferia ver as grandes “voltas” em bicicleta. Sempre gostei de tudo o que girava á volta deste objecto de liberdade e aventura em que dependemos apenas de nós próprios para nos deslocarmos rapidamente para qualquer lugar. Andar de bicicleta sempre foi para mim muito mais que apenas isso. Para mim bicicleta é sinónimo de aventura, de camaradagem, de amizade, de partilha, de conquista e até de solidão e meditação quando necessário. 
Entretanto foi crescendo uma paixão muito grande pelas bicicletas antigas e hoje tenho o privilégio de poder ir a passeios um pouco por todo o lado e são de facto uma enorme paixão. Todos temos os nossos defeitos, eu tenho este. Tenho tido também o enorme privilégio de nos últimos tempos ter feito grandes amigos que comigo partilham desta paixão e que de alguma forma me têm ensinado a olhar tudo de uma nova forma. Com estes passeios e com estes amigos tenho redefinido e relembrado tantas coisas que já sabia mas que muitas vezes involuntariamente esquecia, a velocidade com que vivemos leva-nos por vezes a esquecer o que verdadeiramente importa. 
Tenho há muito tempo o desejo de realizar um passeio deste tipo em Portugal e depois de muitas hesitações decidi fazer uma experiencia em Lisboa e é por isso esta conversa toda, porque vou pela primeira vez na vida organizar algo fora da minha profissão: Um passeio de bicicletas clássica em Lisboa. Será uma primeira experiência que não faço ideia do que irá dar mas que irá correr bem de certeza. Estou a realizar este projeto com o apoio de muitos amigos a quem desde já agradeço e espero que seja o inicio de algo um pouco maior, que é feito sobretudo por paixão.
Convido-vos a participar, se acharem giro e interessante, será um passeio de dificuldade baixa/media, com um pic-nic e surpresas pelo meio. Será um passeio tranquilo e feito de forma segura. Não têm bicicleta? Se procurarem bem têm para lá uma bicicleta antiga na garagem ou na marquise, ou conhecem alguém que tenha. Não têm bicicleta antiga mas têm uma réplica de uma antiga mais moderna? Também serve. Não têm roupa? Se procurarem bem inventam qualquer coisa de época. Um chapéu ou uns suspensórios podem fazer a diferença.
Apresento-vos em primeira mão “A Clássica”, espero que gostem do brilhante cartaz feito pela Mariana Queiroga e que comigo queiram partilhar um pouco desta paixão. Mais novidades em breve.