Ardenne Bags

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Podia falar-vos apenas da qualidade e da beleza das malas Ardenne, que têm este nome devido ao facto da Marie ter nascido nesta zona de França, faria isso se falasse  apenas uma marca de malas e sacos bons e bonitos mas a marca Ardenne é muito mais que isso.  São sacos feitos manualmente  por alguém que gosta mesmo muito de bicicletas, de andar nelas e sobretudo que coloca muito amor no que faz. Os sacos Ardenne para além de muito bons, úteis e bonitos nunca são iguais, são personalizados e valorizam, e de que maneira, a nossa bicicleta.  A Marie faz tudo isto com paixão, com a mesma paixão com que usa e trata das suas bicicletas.  Essa é a grande diferença e isso é notório em casa saco, em cada mala que faz com as suas mãos. A Marie  é uma artesã da nova geração, das que não querem deixar estas artes morrerem. E ainda bem pois  faz com isso felizes os seus clientes e amigos. Apresento-vos a Marie Viera e a sua Ardenne.

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LC: Quando começaste a fazer malas e outros acessórios para bicicletas e porquê?

MV: Comecei a fazer malas há alguns anos, simplesmente porque precisava de uma. Tinha começado a usar a bicicleta para as minhas deslocações e precisava de uma forma de transportar as minhas coisas. Como já costurava roupa há alguns anos tinha algum material em casa e improvisei o resto. Devo dizerque não ficou grande coisa.... Mas serviu para alguém ver e se interessar, e pedir uns alforges caseiros. A partir daí vi que tinha algum potencial, melhorei os materiais, comprei uma máquina de costura dos anos 60 própria para o serviço e fui fazendo mais malas a pedido.

LC: Qual a diferença entre uma mala feita à mão e uma feita em série?

MV: Acho que a grande diferença está na produção em série vs produção artesanal ou mesmo em pequena escala. Todos os sacos que vemos foram cosidos por alguém, algures. Diria que a produção artesanal é mais intimista. Pode-se conversar com quem vai fazer o trabalho, pode se pedir algo mais personalizado. A nível humano é outro tipo experiência, muito diferente da de entrar numa grande superfície e comprar a mala genérica x ou y.

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LC: Que valorizas mais quando fazes uma mala?

MV: Quando faço uma mala valorizo o rigor. Gosto de fazer costuraras bonitas e direitas e de furar as correias todas bem alinhadas, por exemplo. Valorizo também o lado artesanal do processo, sei que mesmo fazendo dois modelos iguais, na mesma cor, nunca serão exatamente iguais, cada uma tem qualquer coisa que a diferencia.

LC: Que tipo de malas e acessórios fazes?

MV: Faço tudo um pouco. Ultimamente tenho feito muitas malas de guiador, de vários tamanhos. Mas também faço malas de selim, alforges, malas a tiracolo , rolos de ferramentas e em breve terei um modelo de mochila. Também já fiz malas com base em fotografias de anúncios antigos e meia dúzia de medidas. Na verdade só sou limitada pela imaginação e bom senso.

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LC: Que cuidados tens na escolha de materiais?

MV: Escolho materiais resistentes que envelheçam bem. Aqueles que quanto mais os usamos mais bonitos ficam, ganham carácter. Assim cada mala acaba por ganhar padrões de uso únicos, que só a tornam mais bonita

LC: Como nasceu o teu entusiasmo pelas bicicletas? Sei que tens uma história muito interessante de quando te inscreveste num fórum de bicicletas antigas e começaste a contactar com pessoas que tinham o mesmo gosto que tu, podes contarum pouco dessa história?

MV: Posso claro! É uma história longa, mas como pode servir a alguns e algumas aqui vai ela: Tudo começou quando regressei a casa depois de ficar desempregada e regressei “à terra”. Aqui as pequenas deslocações fazem-se de bicicleta, e na altura só tinha a minha bicicleta de adolescente, uma btt horrorosa já herdada da minha irmã mais velha. Era tudo mau: grande demais, pesada, selim desconfortável, gasta (faltam-lhe vários dentes na pedaleira, comidos pelo o uso) e cheia de folgas. Ainda assim fartei-me de andar com ela antes de ter a carta de condução, porque não tinha outro remédio. Precisava de ir às explicações, na altura também montava a cavalo e tinha de ir ao picadeiro etc etc. E como é óbvio detestava-a e detestava tudo o que tinha a ver com bicicletas. Nem pensar em voltar a pegar nela! Por isso comecei a procurar alternativas. E eis que alguém me oferece uma pasteleira que tinha ficado esquecia num alpendre durante 20 anos. Decidi que ia por aquilo a andar de novo e inscrevi-me no tal fórum português e mais tarde no fórum francês. Conheci muita gente extremamente simpática, que me ajudaram imenso na minha empreitada. Alguns tornaram-se amigos próximos, e ainda nos encontramos ara pedalar ou para conversar. Depois com a pasteleira comecei a ganhar gosto pela bicicleta ( imagina a desgraça que aquela btt era) e comecei a querer ir mais longe e a querer saber mais. Arranjei outra bicicleta, grande demais, uma demi-course motoconfort, mas que me deixava antever o que seria ter uma bicicleta mais ligeira do meu tamanho, e por isso comecei a andar atrás do graal. Graal esse que um dia chegou a minha casa, vindo de França, oferecido por um randonneur da velha guarda, que nunca conheci pessoalmente mas que tinha lá uma bicicleta que de tão pequena não servia a mais ninguém, e teve a generosidade de me enviar. E depois disso nunca mais parei de pedalar, mas desta vez por gosto, além das saídas utilitárias. Moral da história: muitas vezes, alguém que diz não gostar de andar de bicicleta simplesmente nunca experimentou uma como deve ser!

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LC: Achas que as bicicletas podem ser um elo de ligação de pessoas que não se conhecem e fomentar amizades?

MV: Tenho a certeza que sim. Conheci muita gente simpática à conta das bicicletas, e fiz imensos amigos. Mas há um senão: há tantas formas de se andar e gostar de bicicletas que para haver o tal elo de ligação os gostos velocipédicos têm de ser iguais ou pelo menos semelhantes.

LC: Que sinónimos encontrarias para a palavra bicicleta?

MV: Seriam: liberdade, descoberta, simplicidade.

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LC: O que sentes quando andas de bicicleta e onde mais gostas de andar?

MV: Quando ando de bicicleta sinto-me bem, descontraída, e alegre, especialmente quando o sol brilha etenho o vento de costas! Claro que há momentos mais difíceis, quando só queremos chegar ao fim da subida, ou que o vento mude de direção, mas esses não contam...Gosto principalmente de andar onde não há carros e pouca gente, onde não há barulhos “humanos”. Gosto de passar por sítios com paisagens interessantes e tenho um fraco por estradas de montanha, mesmo sabendo que acabo sempre por sofrer nelas.

LC: O que vês numa bicicleta antiga?

MV: Gosto das bicicletas antigas porque são bonitas, elegantes, simples, robustas e envelhecem bem. Como permanecem por muito tempo, ao longo dos anos podemos olhar para elas, passar a mão pelo selim e pensar “ já fomos juntos a este e aquele lugar, já chegamos a sítios onde nunca pensei que pudesse chegar”

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