Foz Côa.

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Confesso que os passeios de Cicloturismo nunca me atraíram e que nunca tinha participado em nenhum. Mas quando ouvi falar do de Foz Côa o meu instinto foi dizer logo que ia, sem saber bem ao quê mas que ia. Que me queria inscrever e participar pois achava que ia gostar. Sobretudo pela região, que não conhecia. E o meu instinto não podia estar mais certo. Quando saí de Lisboa, no sábado, chovia a bom chover e assim foi durante toda a viagem, chuva e mais chuva até perto da Covilhã, onde dormi. E durante a noite a chuva continuou. “Amanhã vai ser complicado”, pensei eu pois a previsão era ainda de mais chuva. Mas a natureza tem destas coisas e a manhã acordou solarenga e com céu azul, parecia impossível mas era verdade. E assim foi durante toda a manhã, depois de dias e dias de chuva seguidos uma trégua e o sol apareceu. Da Covilhã a Foz Côa o sol acompanhou-me sempre e quando lá chegamos , eu e a minha companheira que tanta chuva tinha apanhado no dia anterior em cima do carro, rejubilamos de contentes. Um dia lindo e frio, uma Vila muito bonita e logo á chegada um encontro com um outro ciclista que também ia para o passeio. Foi a segui-lo que cheguei ao local de partida. Quando me falaram do passeio de Foz Côa referiram logo que era um passeio onde se comia esplendorosamente e para confirmar isso mesmo  estavam também a chegar várias bolas de carne que serviram de pequeno almoço a quem já se tinha levantado à mais de 2 horas. E que bem que souberam aquelas fatias.  Começaram a chegar cada vez mais ciclistas e por volta das 9,00 horas eram cerca de 120 preparados para partir.  Muitos estavam um pouco espantados com a aparência da minha amiga, “vai nesta bicicleta”? Perguntam alguns um pouco incrédulos , vou respondia eu mas a algumas pessoas custava a acreditar que isso ia acontecer. “olhe que é muito dur”...Existia um carro vassoura e essa era a razão para a minha  falsa confiança em conseguir percorrer todo o percurso. Se não conseguisse o carro transportava-me ao meu destino. O Passeio começou na Vila de Foz Côa e deu uma volta pela região, lindíssima, com as Amendoeiras em flor, com muitas oliveiras e vinhas durante todo o percurso. Amêndoas, Azeite e Vinho, uma riqueza de valor incalculável que todos se orgulham de ter e preservar. Mas há muito mais em Foz Côa, que para além de belas paisagens tem um património de grande importância mundial. Mas o melhor de tudo são as pessoas e a maneira como nos receberam, uma simpatia e uma hospitalidade fantásticas. O passeio , tal como me avisaram era duro , duro sim mas altamente recompensador. As vistas magníficas e a boa companhia compensavam a dureza das longas subidas e as descidas, bom as descidas também eram muitas e bem divertidas de fazer. Para aplacar a dureza nada como os afamados abastecimentos com que fomos presenteados durante o percurso. Sumos, fruta, presunto ,queijo, as famosas bolas, bolinhos e muitas outras iguarias não faltaram. “Parece um casamento” ouvi alguém dizer e na realidade a mesa era digna dessa honra. Numa terra de vinho de qualidade este não podia faltar e até um maravilhoso “Porto Caseiro” havia. Delicioso. Foram dois os abastecimentos e um excelente almoço convívio no final. Que mais pode pedir um ciclista cansado? Eram já perto das 14,00 horas quando regressamos a Foz Côa, cansados mas felizes e bem dispostos. O percurso tinha sido fantástico com uma organização rigorosamente impecável a todos os níveis. Não me canso de elogiar toda a simpatia, a maravilhosa hospitalidade com que todos fomos recebidos. Muito obrigado ACCÔA , muito obrigado a todos. Para o ano voltarei. Foz Côa, que não conhecia, ficou no meu coração. Quando saía de Foz Cõa a chuva, que tanta falta faz, regresssou. Parecia que a natureza sabia que o passeio tinha acabado. Se calhar sabia mesmo...

Primeira das duas ultimas foto foi tirada pelo meu amigo José Morais, grande reporter  e divulgador do cicloturismo em Portugal foto, a  última com o amigo "Estica", tirada pelo meu amigo e amigo dos cicloturistas Antonio Baganha.

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