Junto ao Rio.

_F5A6242.jpg

Diz-me um vizinho meu, já com alguma idade, sempre que passo por ele: "Força que os outros já passaram", ontem, na feira da ladra ouvi uma que não ouvia há anos: "fecha a porta" e hoje alguém me disse em Sapadores: "força Artur Agostinho".!!, sim foi mesmo Artur Agostinho. Ah e outro: "com uma idade dessas e ainda vai de bicicleta"? Felizmente este tipo de comentários é cada vez mais raro. Mas imagino o que ainda devem "sofrer" as ciclistas do sexo feminino que circulam sozinhas nas suas deslocações. Paralelamente é curioso admirar as expressões de automobilistas com quem nos cruzamos: Do zangado, que acha que só empatamos e que devíamos era estar era em casa a dar ao pedal numa daquelas bicicletas fixas ao simpático que nos dá passagem tudo pode acontecer. Uns olham para nós com ar de espanto, "lá vai mais um destes malucos", outros com ar de grande compaixão, "coitadas destas pobre almas" mas os que aprecio mais e a quem me apetece gritar "saiam da lata e atrevam-se" são os que olham para nós com cara meio triste meio conformada de quem pensa "eu gostava tanto de ser capaz de fazer o mesmo mas..." A esses digo: atrevam-se!!! Vão buscar aquela bicicleta que está guardada ao tempo e ponham-na a andar. Se estiver ferrugenta ela é bonita assim, se não for de marca nem da moda , não faz mal, o que ela quer é andar, andar com o seu companheiro, o que ela quer é partilhar as estradas e os caminhos com ele(a). Vão ver que ganham uma verdadeira amiga e vão perceber que sem amigos não se pode viver.

Entretanto em Lisboa, junto ao rio, ontem pelas 8 da manhã estava mais ou menos assim e quando está assim agradecemos à Mãe Natureza por nos termos levantado cedo e ir de bicicleta para onde temos que ir. É uma alegria tão grande.