Velo Corvo

Pedro, o artesão de bicicletas.

Estarão os artesãos a acabar? Estarão os ofícios que dependem do trabalho manual a acabar? Estarão para terminar as pequenas marcenarias, as pequenas carpintarias ou as pequenas olarias?  Enquanto houverem pessoas como o Pedro não. O Pedro trocou a Engenharia pelo engenho  do fazer, numa arte que dá vida a coisas inanimadas. Tal como um Mestre Carpinteiro tem a sua carpintaria e dá nova vida à madeira ou um Mestre Oleiro tem a sua olaria onde transforma o barro em peças únicas, onde cria e da´ vida a objectos maravilhosos o Pedro tem a sua pequena oficina e todos os dias suja as suas mãos com o óleo das bicicletas. Todos os dias as suas mãos mexem no aço nobre de uma bicicleta antiga ou nas correntes e nos pedais que a ajudam a andar.  Tal como um Mestre Relojoeiro, tal como um Mestre Ceramista ou pintor ,tal como um Mestre Marceneiro o Pedro todos os dias cria e transforma, todos os dias as suas mãos  se envolvem e enlaçam com a matéria prima do seu oficio. Todos os dias o Pedro cria vida onde outros apenas vêm ferro ou rodas. O Pedro é um Mestre nas sua arte e as bicicletas sabem disso. Sim sabem, porque uma bicicleta antiga não é apenas um conjunto de  ferros com dois aros, uma bicicleta antiga tem personalidade, chega a ter alma. Na sua oficina o Pedro e as bicicletas fundem-se, o Pedro é uma bicicleta e uma bicicleta é o Pedro. Das antigas, das com memoria, das que respeitam o passado, das que vivem com a simplicidade das simples coisas boas e maravilhosas. Das que não se deixam influenciar apenas pelas modas ou pelo que não é autentico. A oficina do Pedro não é apenas uma oficina, a oficina do Pedro é um local de encontro, é um local de boas conversas e de amizades que se vão construindo. A oficina do Pedro, a Velo Corvo, é um oásis analógico num mundo cada vez mais tecnológico.  Aqui conversa-se e sonham-se aventuras, aqui bebe-se um café reconfortante e ouve-se uma palavra de estima e optimismo. Da loja do Pedro ninguém sai triste. A loja do Pedro chega a ser um local de terapia.

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Acabarão em breve os artesãos ?  Não enquanto existirem pessoas como o Pedro e outras que felizmente tenho a honra de conhecer, que dignificam a arte, que amam os materiais que trabalham manualmente, que fazem desta sociedade uma sociedade mais humana e que com a sua arte ajudam a transformar o mundo e a fazer muito mais feliz quem está á sua volta.

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Curta entrevista com o Pedro Gil

Como é que um engenheiro muda a sua vida,sai duma vida aparentemente confortável num emprego e abre uma oficina de bicicletas?

Simplesmente, mudando. Vencendo a inércia, o não fazer nada, o acomodar-se, o ter medo de que as coisas não corram bem, a incerteza. Não era feliz. Ganhava mais dinheiro, de certeza. Mas, para que é que serve o dinheiro sem felicidade? A altura da minha vida em que ganhei mais dinheiro foi também a minha altura menos feliz. Agora, sou mais livre, com menos dinheiro mas infinitamente mais feliz.

Que procuras oferecer aos teus clientes que muitas vezes passam a ser amigos?

Um ponto recorrente que surgia sempre que falávamos de lojas de bicicleta era que por vezes o antendimento era bom, mas frio. Por vezes, muitas das lojas, ainda estavam no regime frio do balcão. A bicicleta, para mim, não é como um electrodoméstico que se avaria e para o qual se compra uma qualquer peça de substituição (mas alguém ainda arranja pequenos electrodomésticos?). A bicicleta, geralmente tem alma. Logo, a loja de bicicletas tem de ter alma e significado. E, aqueles que entendem o que estou a fazer com a Velo Corvo, tornam-se meus amigos rapidamente porque sabem que farei tudo para que saiam da loja satisfeitos. E é isso que quero fazer, sempre. Procurar dar o melhor atendimento. Seja para uma camara de ar como para uma bicicleta montada às peças.

O que te atrai numa bicicleta antiga?

Penso que sobretudo terá a ver com questões estéticas. Muito simplesmente, para as bicicletas de ciclismo, estrada, todo o caminho, randonneuses, etc, dos anos 70 para a frente tudo fica mais feio ( e pior). Para as bicicletas de todo o terreno, de 95 para a frente. Curiosamente, com o meu primeiro ordenado num emprego part-time como mecânico de bicicletas, comprei uns travões V-brake, Shimano XT. Acho que a partir daí (anos 90), as coisas perderam o seu encanto- o excesso de tecnologia, ou melhor: o aumentar da “rede” necessária para tornar possível a construção de uma bicicleta. A super-industrialização e máquina fria do vender e vender depressa, para no ano seguinte vender uma qualquer “melhoria”. 

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Achas possível uma bicicleta ter alguma espécie de "alma"?

Pois claro que sim. Contudo, não podemos pegar numa bicicleta, tirá-la da caixa, e esperar que ela tenha alma. Muitas pessoas dão nomes à bicicleta. Logo aí, atribuimos uma personificação, uma sensação de que há algo mais do que metal. Mas só isto não basta. Temos de fazer qualquer tipo de alteração. Nem que seja colocar uma campainha. E, quanto mais única for a bicicleta, mais alma terá. Quanto mais uso têm certas peças, mais alma terá. O selim que já esteve em várias bicicletas, as manetes de travão que já tenho desde 95, a mala de guiador que uso todos os dias, etc etc. Todas as minhas bicicletas “boas” foram montadas com peças usadas /novas. E é precisamente este grau de intervenção humana, não standardizada, que dá a “unicidade” e alma à bicicleta. E claro, quanto mais uso tiver a bicicleta, mais alma terá.

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A tua loja é muito mais que uma pequena oficina de bicicletas não é ?

Claro que sim! A ideia não é só arranjar bicicletas. A ideia é mesmo juntar o maior número de pessoas que pensem de maneira mais ou menos semelhante e irmos todos pedalar. 

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Qual a sensação quando um cliente vem buscar uma bicicleta e sentes que gostou muito do trabalho que fizeste?

A sensação é óbviamente boa. Conseguir, com o meu trabalho manual, fruto de décadas de aprendizagem, melhorar algo que , para muita gente tem um lugar fulcral na vida delas (a bicicleta), é para mim muito recompensador. 

Os passeios velo corvo.

Já são míticos os passeios VC . Como vês esses passeios e qual o seu objectivo?

Na pergunta está parte da resposta. Míticos, não por ser a Velo Corvo, mas sim, pelo facto de a Velo Corvo ajudar a desvendar a possibilidade que cada um de nós temos de ir um bocado mais longe. Quantos de nós não passamos horas a vermos fotos no instagram e a pensar “quem me dera conseguir fazer”? A verdade é que conseguimos, pelo menos, fazer um bocadinho mais do que já fazemos! Algo mais do que ficar em casa a ver fotos no instagram. Nem que seja uma tarde num qualquer parque, ou uma manhã a subir uma montanha. Nem que seja uma voltinha ao quarteirão durante a semana. 

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Andar devagar, apreciar a paisagem, conviver com amigos...o que é para ti andar de bicicleta?

Ora, é isso mesmo. Andar a uma velocidade mais ou menos confortável, sentir a paisagem e conviver com amigos. Isso tudo mas também o pedalar como uma espécie de meditação.

O Picnic é um dos pontos altos destes passeios...

Isso e o café! Para quê ir pedalar, para chegar lá acima e comer alpista? Não faz muito sentido alimentar-me de barras energéticas, não achas? Acho pouco recompensador. Para além disso, é bom para meter a conversa em dia e se tiver sol....

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Onde gostas de passear ? Sei que Sintra é uma das tuas paixões …

Gosto de passear em Sintra, porque reúne um conjunto de qualidades: paisagem dramática, subida excelente, perto de casa, árvores, bom sítio para acampar e fazer picnics, e uma descida linda. Mais genéricamente, gosto de passear em sítios bonitos, SEM carros. Algo que me transporte para fora da minha vivência diária, sobretudo.

O que é para ti o verdadeiro ciclo-turismo?

Bem, o nome cicloturismo, em Portugal, é usado para tudo e mais alguma coisa: passeios com carros vassoura a tocar música pimba, com multidões envoltas em licra, com bicicletas desadequadas. O cicloturismo tem de ter duas coisas: ciclo e turismo. Parece que a parte do turismo, por cá, é substituida por um porco no espeto. Nada contra comer, mas pelo menos uma visita a um monumento qualquer, não? E a parte estética também é importante. A ideia do cicloturismo será sair cedo e chegar tarde, levar a mala de guiador cheia de tralha, ir a algum sítio com alguma história e significado, tentar aprender alguma coisa, tirar umas fotos e voltar para casa satisfeito. E tudo isto de bicicleta. Pronto. Simples. Ah, e de preferência sem usar carro nem roupa de licra. 

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Como vês o desenvolvimento do uso da bicicleta como meio de transporte em Lisboa e que mudanças gostarias de ver na cidade?

Vejo com bons e felizes olhos. Os erros feitos nos anos 80 e 90 têm de ser corrigidos. Tanto a nível urbanistico, de infraestruturas, como a nível de mentalidades (se bem que estes se calhar ainda vêm de mais atrás). Por mais que se tente dar a volta à situação, uma boa percentagem de pessoas que vivem nos grandes centros urbanos têm de mudar a sua mentalidade. Não pode haver situações individuais para cada pessoa. Não podemos dispender de espaço vital, em locais já densamente populados, para que os automobilistas possam estacionar, quase gratuitamente. A cidade é de todos e não só de alguns. E, se olharmos de um ponto de vista ainda mais exterior, o carro está ligado a tantos outros fenómenos nocivos à vida humana. Logo, tudo o que limite o seu uso, é para mim, positivo. Radical? Sim, porque vou à radix, raiz do problema. A raiz do problema é mesmo esta: a cidade tem espaço limitado, o planeta tem recursos limitados. Logo, é fisicamente impossível continuar a viver como vivemos. 

Relativamente a mudanças. Para já, multas constantes aos infractores. O excesso de velocidade é constante, mesmo em ruas estreitas, perto de escolas, etc. Há avenidas que são utilizadas como autoestradas. A Avenida de Roma não é a autoestrada de Roma! 

E atenção: esta desculpabilização não é exclusiva a Lisboa. Em qualquer aldeia, há um carro a circular em excesso de velocidade. Fiscalização? Pouca. E quando a há, é a crítica do costume. “É caça à multa”. Bem, se não houver infracção, não há multa, certo?

Logo aí, poderia ajudar a reduzir a sensação de insegurança que sentimos, como utilizadores da bicicleta, ao circular nas ruas. Outras alterações: construção de mais ciclovias, mas das que funcionem. Alteração de algumas regras do código da estrada, que permitam por exemplo, a circulação em contramão em algumas ruas, (por ciclistas) e que permitam a passagem com vermelho em determinadas circunstâncias.

Algumas palavras finais? 

Procurar a felicidade em pedalar simplesmente por pedalar. 

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Sei que o Pedro gosta de escrever e por isso mesmo pedil-he que escrevesse um pequeno texto sobre a sua loja. Escreveu este texto numa sua antiga máquina de escrever e obviamente que não resisti a publicar o texto na sua versão original.

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Coisas antigas. Alleycat em Lisboa.

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Eroica Hispania. Vamos?

  Este ano voltarei á Eroica Hispania. A Eroica Hispania é uma enorme festa de ciclismo, de quem ama as bicicletas. Mas também de quem ama a camaradagem fraterna, vencer um desafio ou pura e simplesmente passar um fim de semana extraordinário numa belíssima região de Espanha. Na Eroica Hispania todos são bem vindos, não existe qualquer classificação e ninguém é deixado para trás. Na eroica Hispana a cultura ciclista é elevada ao expoente máximo e a festa é lindíssima. Mercado d  e rua, eventos culturais etc, tudo ligado á bicicleta antiga. Esta Eroica é a que está mais próxima de Portugal e quem gosta verdadeiramente de bicicletas não deve perder. Sobretudo quem tem paixão por bicicletas antigas. Eu irei com o meu amigo Salvador e quem quiser informações,dicas ou apoio disponha que nós ajudamos no que pudermos. Venham também a esta maravilhosa festa do ciclismo de época, garanto que não se vão arrepender.  https://www.eroicahispania.es  Podem também ver reportagem da ultima edição aqui:  https://www.lisboncycling.com/…/20…/7/5/eroica-hispania-2017

Este ano voltarei á Eroica Hispania. A Eroica Hispania é uma enorme festa de ciclismo, de quem ama as bicicletas. Mas também de quem ama a camaradagem fraterna, vencer um desafio ou pura e simplesmente passar um fim de semana extraordinário numa belíssima região de Espanha. Na Eroica Hispania todos são bem vindos, não existe qualquer classificação e ninguém é deixado para trás. Na eroica Hispana a cultura ciclista é elevada ao expoente máximo e a festa é lindíssima. Mercado de rua, eventos culturais etc, tudo ligado á bicicleta antiga. Esta Eroica é a que está mais próxima de Portugal e quem gosta verdadeiramente de bicicletas não deve perder. Sobretudo quem tem paixão por bicicletas antigas. Eu irei com o meu amigo Salvador e quem quiser informações,dicas ou apoio disponha que nós ajudamos no que pudermos. Venham também a esta maravilhosa festa do ciclismo de época, garanto que não se vão arrepender.
https://www.eroicahispania.es
Podem também ver reportagem da ultima edição aqui:
https://www.lisboncycling.com/…/20…/7/5/eroica-hispania-2017

O Salvador e o seu sonho.

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O Salvador tinha um sonho desde criança, ter uma pequena oficina de bicicletas. Procurou, batalhou e a realização do sonho aconteceu. O Salvador sempre teve jeito e gosto por consertar coisas, sempre teve gosto pelas bicicletas, as antigas então são uma verdadeira  paixão. Para juntar ao que já sabia fez uma formação e depois disso foi fazer um “estágio” com um verdadeiro Mestre, o Pedro da Velocorvo, que lhe ensinou com prazer muitas coisas que só os verdadeiros Mestres sabem e têm a generosidade imensa de partilhar.  Com muita coragem mudou tudo na sua vida e com muita ousadia montou a sua própria oficina. Um acto de amor e paixão por estes objectos de duas rodas que tantos apaixonam. Quando  uma bicicleta entra pela porta da oficina do Salvador o seu coração sorri de felicidade e os  seus olhos brilham de emoção, a Bicicleta, essa, sente o amor com que é recebida e sabe que vais ser acarinhada e mimada. Que o Salvador irá limpar com carinho os seus cromados, que tratará das suas ferrugens  com ternura e que cada esfera será polida até brilhar como uma estrela.  Para o Salvador uma bicicleta é tudo menos um pedaço de ferro, é um objecto amado, uma amiga de quem ele cuida com prazer.  O Salvador fascina-se na sua oficina, perde a noção do tempo e viaja dentro da loja com as suas bicicletas pelo mundo inteiro. O salvador é feliz, e merece.

Oficina da Bicicleta. Rua Olivério Serpa n19 Q - Benfica, 1500-471 Lisboa (junto ao mercado)

Foz Côa.

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Confesso que os passeios de Cicloturismo nunca me atraíram e que nunca tinha participado em nenhum. Mas quando ouvi falar do de Foz Côa o meu instinto foi dizer logo que ia, sem saber bem ao quê mas que ia. Que me queria inscrever e participar pois achava que ia gostar. Sobretudo pela região, que não conhecia. E o meu instinto não podia estar mais certo. Quando saí de Lisboa, no sábado, chovia a bom chover e assim foi durante toda a viagem, chuva e mais chuva até perto da Covilhã, onde dormi. E durante a noite a chuva continuou. “Amanhã vai ser complicado”, pensei eu pois a previsão era ainda de mais chuva. Mas a natureza tem destas coisas e a manhã acordou solarenga e com céu azul, parecia impossível mas era verdade. E assim foi durante toda a manhã, depois de dias e dias de chuva seguidos uma trégua e o sol apareceu. Da Covilhã a Foz Côa o sol acompanhou-me sempre e quando lá chegamos , eu e a minha companheira que tanta chuva tinha apanhado no dia anterior em cima do carro, rejubilamos de contentes. Um dia lindo e frio, uma Vila muito bonita e logo á chegada um encontro com um outro ciclista que também ia para o passeio. Foi a segui-lo que cheguei ao local de partida. Quando me falaram do passeio de Foz Côa referiram logo que era um passeio onde se comia esplendorosamente e para confirmar isso mesmo  estavam também a chegar várias bolas de carne que serviram de pequeno almoço a quem já se tinha levantado à mais de 2 horas. E que bem que souberam aquelas fatias.  Começaram a chegar cada vez mais ciclistas e por volta das 9,00 horas eram cerca de 120 preparados para partir.  Muitos estavam um pouco espantados com a aparência da minha amiga, “vai nesta bicicleta”? Perguntam alguns um pouco incrédulos , vou respondia eu mas a algumas pessoas custava a acreditar que isso ia acontecer. “olhe que é muito dur”...Existia um carro vassoura e essa era a razão para a minha  falsa confiança em conseguir percorrer todo o percurso. Se não conseguisse o carro transportava-me ao meu destino. O Passeio começou na Vila de Foz Côa e deu uma volta pela região, lindíssima, com as Amendoeiras em flor, com muitas oliveiras e vinhas durante todo o percurso. Amêndoas, Azeite e Vinho, uma riqueza de valor incalculável que todos se orgulham de ter e preservar. Mas há muito mais em Foz Côa, que para além de belas paisagens tem um património de grande importância mundial. Mas o melhor de tudo são as pessoas e a maneira como nos receberam, uma simpatia e uma hospitalidade fantásticas. O passeio , tal como me avisaram era duro , duro sim mas altamente recompensador. As vistas magníficas e a boa companhia compensavam a dureza das longas subidas e as descidas, bom as descidas também eram muitas e bem divertidas de fazer. Para aplacar a dureza nada como os afamados abastecimentos com que fomos presenteados durante o percurso. Sumos, fruta, presunto ,queijo, as famosas bolas, bolinhos e muitas outras iguarias não faltaram. “Parece um casamento” ouvi alguém dizer e na realidade a mesa era digna dessa honra. Numa terra de vinho de qualidade este não podia faltar e até um maravilhoso “Porto Caseiro” havia. Delicioso. Foram dois os abastecimentos e um excelente almoço convívio no final. Que mais pode pedir um ciclista cansado? Eram já perto das 14,00 horas quando regressamos a Foz Côa, cansados mas felizes e bem dispostos. O percurso tinha sido fantástico com uma organização rigorosamente impecável a todos os níveis. Não me canso de elogiar toda a simpatia, a maravilhosa hospitalidade com que todos fomos recebidos. Muito obrigado ACCÔA , muito obrigado a todos. Para o ano voltarei. Foz Côa, que não conhecia, ficou no meu coração. Quando saía de Foz Cõa a chuva, que tanta falta faz, regresssou. Parecia que a natureza sabia que o passeio tinha acabado. Se calhar sabia mesmo...

Primeira das duas ultimas foto foi tirada pelo meu amigo José Morais, grande reporter  e divulgador do cicloturismo em Portugal foto, a  última com o amigo "Estica", tirada pelo meu amigo e amigo dos cicloturistas Antonio Baganha.

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Lojas que gosto. Cenas a Pedal-Lisboa

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A cenas a pedal já fez 11 anos em Setembro.  Lisbon Cycling falou com a Ana para descobrir o que levou um casal tão jovem a investir neste negocio numa cidade onde muito pouca gente andava de bicicleta.

LC- Ana , como é que  há dez anos se corria o risco de investir num negocio de bicicletas em Lisboa? Sobretudo na vertente em que vocês investiram, mais virada para o ciclismo urbano, de viagem e até de carga.

Ana: Bem, há 10 anos tínhamos 25 anos  e éramos muito ingénuos (risos). A sério, quando criamos a “Cenas a Pedal” não a criámos com a prespectiva do empreendedor que vê uma oportunidade de negocio para servir o mercado e também tirar partido dessa oportunidade.  Essa oportunidade realmente não existia. O nosso objectivo era  poder contribuir para uma mudança cultural , digamos assim.

LC: Como ?

ANA:  Pensámos que isto poderia passar  pelo facto de não haver exemplos que incentivassem a uma mudança. Se não virmos ninguém a utilizar uma determinada ferramenta se calhar nunca pensamos que também a podemos utilizar, mas se vir-mos alguém a fazer determinada coisa se calhar já pensamos que também podemos conseguir fazer isso.  A ideia de fundar a empresa foi a de ajudar a que certos  tipos de soluções para a mobilidade em bicicleta sejam mais fáceis de ver e adquirir cá .  No fundo a missão a que nos propusemos era mais para uma associação só que nós éramos só dois  e não conhecíamos mais ninguém. Mas na empresa temos mais autonomia para decidir como fazer as coisas e isso é uma vantagem.  Independentemente da forma como criámos a empresa o que nos levou a criá-la foi o desejo de partilharmos com as pessoas uma paixão que nós tínhamos, éramos fãs de bicicletas, éramos fãs de usar a bicicleta em vários contextos e ajudar as pessoas que nós queríamos contagiar a aderir a este estilo de vida.

LC: Têm uma escola de Bicicleta, o que é que pretendem com esta escola?

Ana: A escola pretende ensinar pessoas a andar de bicicleta. Ela surgiu a partir do nosso desejo de aprender a conduzir duma forma mais eficaz, ou seja, reduzir as más experiencias, encontrar alternativas para uma condução mais segura e confortável. Tivemos formação, estudámos e percebemos que isso teve grande impacto na nossa  maneira de usar a bicicleta e melhorou muito a nossa experiencia. A partir desta constatação decidimos que seria muito útil partilharmos a nossa experiência com outras pessoas. Inicialmente ela estava focada em aprender a conduzir, e apesar nós já andarmos de bicicleta na estrada, aprendemos imenso. Depois muitas pessoas nos perguntaram se ensinávamos a andar a partir do zero, o que nos deixou muito surpresos, pois muitos eram adultos.  Tínhamos a ideia que toda a gente sabia andar de bicicleta ,mas não, não é assim e existe uma fracção  significativa da população adulta que não sabe andar ou anda mal e então desenvolvemos métodos para ajudar essas pessoas. Hoje em dia essa vertente tem bastante expressão no nosso trabalho.

LC: Achas importante educar as pessoas para a partilha da estrada?

Ana: Sim, é particularmente importante ensinar as pessoas a saber integrar-se  no meio rodoviário  e a saber lidar com as outras pessoas. Não encarar as estradas, os passeios ou as ciclovias como um terreno de batalha em que os outros estão lá para lhes fazer mal, temos que perceber que as coisas só funcionam se as pessoas cooperarem e que muitas vezes quando as coisas correm mal de parte a parte não é, na maioria das vezes, uma coisa deliberada , muitas vezes são falhas de comunicação, falhas  humanas etc. Por isso trabalhamos muito nas aulas de condução como aprender a identificar essas falhas humanas e as próprias falhas do sistema que potenciam  as falhas humanas e que muitas vezes não são visíveis a olho nu. Por exemplo muita gente vai para uma ciclovia e pensa que” aqui posso andar, é seguro “ mas há uma série de coisas que podem acontecer e se não formos educados para isso não damos por elas até ao dia em que as coisas correm mal. Se formos educados para prevenir  armadilhas, para percebermos como as coisas funcionam, para identificar problemas é muito mais fácil antecipar situações perigosas e as coisas correm muito melhor. Vale mesmo a pena investir um pouco na nossa educação nem que seja pesquisando na internet pois existe muita informação disponível sobre estes temas.

LC: Achas que tem havido uma evolução no uso da Bicicleta em Lisboa ou as coisas estão mais ou menos estagnadas?

Ana: Realmente nós agora cruzamo-nos com muitas pessoas e é óbvio que há muito mais gente a andar de bicicleta. Por vezes é um pouco difícil distinguir o que é transporte  ou o que é  lazer ou  até desporto mas sim vêm-se muito mais pessoas a andar de bicicleta. Têm que haver mais investimentos nas politicas publicas para que este desenvolvimento seja mais acentuado. Parece-me que em 2012/13 houve um grande aumento mas entretanto dá a impressão que as coisas estagnaram um pouco. Se não dermos condições para que andar de bicicleta seja agradável as pessoas tendem a parar, desistem porque a espectativa que tinham não se confirmou.

LC: Qual é para ti a principal dificuldade em andar de bicicleta em Lisboa?

Ana: Lisboa é uma cidade ainda muito permeável ao automóvel e há muita dificuldade em escolher uma rota  confortável porque os carros estão por todo o lado. Escolher rotas, acho que essa é a grande dificuldade. Podes até escolher ir apenas por ciclovias mas muitas vezes chegas ao fim duma e não sabes bem o que fazer nem por onde ir. Devia haver um aconselhamento mais eficaz para rotas mais amigáveis. Estamos neste momento a fazer um inquérito aos nossos ex-alunos que são cerca de 800 e eles referem muito que uma das coisas que os impede de utilizar mais a bicicleta é não conhecer sítios agradáveis e seguros, não terem sinalética em que possam confiar.

LC: É muito mais isso que o mito das colinas não é?

Ana: Acho que sim, porque as colinas têm alternativas, podem-se contornar ou  existe até neste momento a alternativa da bicicleta elétrica que  ajuda muito. Ou as dobráveis que podem ser utilizadas em conjunto com os transportes públicos. Se a pessoa tiver vontade as colinas não são realmente um problema.

LC: pensas que a bicicleta eléctrica é uma solução para algumas das dificuldades de Lisboa ou de um utilizador que não quer ou não pode despender determinado esforço?

Ana: Sim, eu sou uma grande fã, andei nos últimos 4 anos com duas bicicletas citadinas diferentes eléctricas. Digamos que por exemplo  a bicicleta eléctrica reduz a “energia de activação” duma pessoa que quer começar a andar , torna as distancias e as subidas mais fáceis e até atenua alguns pormenores mais complicados do transito. Muitas vezes a bicicleta eléctrica  serve de transição para uma bicicleta normal pois a pessoa começa a ganhar confiança e a sentir que é capaz. Uma Bicicleta eléctrica pode ajudar a passar de uma forma muito mais tranquila de um estilo de vida sedentário para um estilo de vida mais activo. Aconselho a bicicleta eléctrica a toda a gente que tem medo das subidas, das colinas, do não ser capaz, uma eléctrica minimamente decente resolve muito  destes problemas. Há que acabar com este preconceito em relação à bicicleta eléctrica.

LC: O que achas que falta em Lisboa para que haja mais utilização de bicicletas na cidade?

Ana: É uma questão de politicas publicas, as pessoas vão para a bicicleta naturalmente quando isso fizer sentido, neste momento as pessoas usam muito carro, são muito dependentes dele mas se começares a tornar essa dependência mais difícil  e os transportes públicos, por exemplo, começarem a funcionar melhor as pessoas começam a procurar alternativas.  Se tivermos menos carros na cidade vai ser muito mais seguro andar a pé ou de bicicleta. São precisas medidas públicas que devolvam o espaço ás pessoas  e que acabem com estes apoios ao uso do automóvel. Não se deve obviamente obrigar ninguém a andar de bicicleta mas deve-se reduzir um bom bocado o uso do automóvel, depois as pessoas que escolham a alternativa que querem que será de certeza melhor para a pessoa e para a sociedade. Não tenho nada contra o automóvel que é muito útil e faz falta a muitas pessoas em muita situações, simplesmente é uma questão de dosearmos as coisas  e fazer ver a quem usa que isso tem um grande impacto em toda a sociedade.

LC: Qual é o público alvo da vossa loja?

Ana: São os “commuters”, são as famílias, a partir da segunda criança  as coisas complicam-se e é mais difícil encontrar nas lojas normais soluções  adequadas ao que precisam. São viajantes em bicicleta, pessoas com algum tipo de “necessidade especial” a quem  tentamos arranjar soluções e fãs de coisas mais divertidas como por exemplo as bicicletas reclinadas. Temos também bicicletas de carga e muitas outras coisas interessantes, úteis e divertidas para quem anda de bicicleta.

LC: sei que têm o projecto da “Casa da Bicicultura”. Que projecto é esse?

ANA.: Da experiência que temos ao longo destes 11 anos já deu para perceber quais são as dificuldades de quem quer começar a andar de bicicleta e não o faz, ou de quem quer andar mais e não consegue. Somos um país periférico dos centros do uso de bicicleta e então surgiu a ideia de formar uma espécie de clube de gente que gosta de bicicletas e que se foque na cultura da bicicleta. A ideia é criar um espaço físico onde exista uma “veloteca”, por nomeadamente, onde existam coisas que cá em Portugal sejam difíceis de ver ao vivo ou comprar, que se  possam experimentar como se levassem um livro para ler, ter acesso a utensílios que não necessitamos sempre mas que ali estão disponíveis para quando necessitamos.  Que seja um espaço de encontro onde as pessoas possam conversar sobre as suas experiências ou tirar duvidas. Onde possam ter aulas de mecânica e de condução. Onde se possa trabalhar na bicicleta num sítio bem equipado onde aprendes com alguém e  podes tirar dúvidas. Onde se possam  organizar passeios e encontros, etc.  É uma maneira de pormos em prática estes dez anos de experiência, agora numa experiência colectiva.

 

Notas: esta entrevista já foi feita em 2016, ainda no espaço de Alvalade. Neste momento a base da loja e oficina é num armazém em Marvila. A Ana e o Bruno continuam a atender as pessoas por email (e telefone), e presencialmente por marcação - não são uma loja normal nem sequer nos horários. :-)

CARREGAR EM CIMA PARA SLIDSHOW, OBRIGADO.

Dois passeios, dois Domingos, uma bicicleta, uma Cidade.

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Nos dois últimos domingos dei dois bons passeios por Lisboa.  Solitariamente e com muito prazer. Saí cedo para evitar trânsito e condutores que até ao Domingo vão com pressa e mal dispostos.  Sim, até ao Domingo as coisas podem ser complicadas com gente a pensar que só andamos ali para atrapalhar as suas vidas de bons e abnegados automobilistas.  No primeiro passeio pensei em fazer uma volta entre as colinas e Monsanto, passar pelos bairros históricos.  A primeira passagem foi pelo Bairro da Ajuda, pelo seu belíssimo Palácio , descendo depois a Calçada até ao Restelo onde parei  no Famoso “Careca” para um maravilhoso “petit Croissant” que de Francês nada tem.  Pois, mesmo bom não é? Dai segui para a Beira-Rio, até Alcântara onde passei o viaduto subindo depois a Rua Maria Pia em direcção ao Cemitério dos Prazeres. Bela subida com o Monsanto à esquerda e o casario à direita. De Campo de Ourique desci á Estrela e depois  á Lapa, da Lapa  a Santos entrando depois no Bairro da Madragoa. Subi a Calçada do Combro com mais facilidade do que pensava ser possível e  depois ao Bairro Alto chegando ao Príncipe Real. Daí foi sempre a descer até ao Camões e à Praça do Comércio de onde subi a Rua da Madalena seguindo pela Rua das Farinhas entrando na Mouraria. Da Mouraria ao Intendente foi um pulo, bem mais difícil do que pensei foi subir até à encosta do Castelo. Aí sim foi puxado, o piso em paralelo é tramado. Circulei depois pela Costa do Castelo até ao Bairro do Castelo e depois uma vertiginosa e bela descida até ao largo do Chafariz de dentro em Alfama. Curva e contra curva, ruas estreitas, muito cuidado com as pessoas e um prazer enorme. Daí subir até á Graça, passando pela feira da Ladra e daí ao mais bonito Miradouro de Lisboa, a Senhora do Monte onde parei para comer uma saborosa Bananinha que já trazia de casa.  Depois Almirante Reis, Saldanha e Monsanto onde a tranquilidade nos acolhe e a  natureza nos surpreende. Um grande passeio este que teve um pequeno senão e por isso mesmo  tive de encurtar o percurso: O piso é tão mau que a minha roda de trás empenou e teve de ir para o Mestre Corvo para arranjo na semana seguinte. Muito paralelo, muito buraco, muita subida e muita descida mas um passeio diferente que vale mesmo a pena.

O segundo foi bem mais tranquilo, se bem que mais longo.  Restelo, Algés onde se saúda o novo piso entrae esta localidade e a torre de Belém e o que parece vir a ser um novo troço de ciclovia que ligará a Torre a Oeiras. Uma boa nova pois esta parte é muito frequentada por ciclistas, muitas famílias inclusive e é bastante perigosa. Oxalá a ciclovia seja uma realidade em breve. De Algés à Expo sempre à beira-rio  e depois de volta á Praça do Comércio. Daí subi a Av. Da Liberdade, depois ao alto do Parque Eduardo VII onde entrei em Monsanto pelo corredor verde. É sempre uma maravilha, depois do burburinho da Cidade entrar em Monsanto.  Dois passeios simples que recomendo em Lisboa. O primeiro mais duro devido ás subidas e descidas e sobretudo ao estado do piso, o segundo menos cansativo e mais contemplativo. Experimentem. Sem pressas e apenas pelo simples prazer de passear na vossa bicicleta. Ela também vai gostar.

 7 colinas e Monsanto.

7 colinas e Monsanto.

 Zona Ribeirinha e Monsanto.

Zona Ribeirinha e Monsanto.

FPCUB.

 Foi com muito orgulho que recebi este fim de semana, na Assembleia Geral da FPCUB, o diploma de Associado de Mérito.  O meu contributo para a utilização da bicicleta é muito modesto e por isso mesmo não estava à espera de tamanha destinção. Informo também que fui convidado e com muita honra aceitei o cargo de Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral. Muito obrigado à FPCUB.

Foi com muito orgulho que recebi este fim de semana, na Assembleia Geral da FPCUB, o diploma de Associado de Mérito.  O meu contributo para a utilização da bicicleta é muito modesto e por isso mesmo não estava à espera de tamanha destinção. Informo também que fui convidado e com muita honra aceitei o cargo de Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral. Muito obrigado à FPCUB.

Mais um passeio Velo Corvo a Sintra e Cascais.

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Entro em Benfica no comboio e 2 passageiros com ar de quem ainda vem da noite  olham para mim como quem olha para um extraterrestre. Ouço qualquer coisa como “estes gajos das bicicletas” e mais algumas coisa de difícil compreensão.   Sento-me no meu lugar e a conversa muda de assunto. Continuam a estudar-me e pouco depois a conversa volta ás bicicletas,. Falam de coisas passadas, diz um que um amigo de vez em quando lhe emprestava uma bicicleta e é fácil ver pela expressão que ele adorava andar nela. Durante muito tempo conversam sobre o assunto e depois a conversa volta a mudar. Chegados a Sintra , na zona da porta ficam a olhar directamente para mim e para a minha companheira. “ Não leve a mal, diz um dos rapazes , estamos a admirar a sua bicicleta, é mesmo bonita, é já antiga não é? É, mais ou menos,respondo eu, e a conversa continua enquanto caminhamos , uma conversa sobre bicicletas que acho nem eu nem eles alguma vez pensamos em  ter uns com os outros quando cuzamos olhar em Benfica. No final e já à saída do cais desejam-me um bom passeio e vão à sua vida, espero que a conversa  sobre bicicletas lhes  tenha de algum modo relembrado momentos felizes.  Talvez um dia os volte a encontrar, quem sabe em cima de uma bicicleta.

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Chegado a Sintra encontro a Marie, o Pedro e o Hugo que não conhecia. A primeira paragem é nas loja de Queijadas, não se pode ir a Sintra sem se levar para o piquenique pelo menos uma dúzia. O Hugo diz que não come, alguém teve de comer as dele.

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Começamos s subir a serra a bom ritmo, na nossa frente segue uma corrida pedestre. Aos poucos começamos a apanhar os participantes e o seu lixo, garrafas de plástico por todo lado.  Um cidadão desportista e preocupado com a saúde não é necessariamente um bom cidadão.

Primeira paragem para recuperar as forças, comer  qualquer coisa e fazer o tradicional xixi. Uma segunda mais à frente para reabastecer de água numa fonte.

Os corredores continuam a passar por nós.  E nós muito confortáveis  a sugar o sol da manhã e a maravilha de apenas estarmos ali, vivos. O Pedro e a Marie são dos casais mais fotogénicos que conheço (os amigos vão gozar com ele por causa desta afirmação, acho eu) e eu mesmo sem levar máquina para não chatear ninguém não resisto a tirar fotos com o telemóvel. Maldito telemóvel que não nos deixas em paz.

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Este passeio está a ser uma oportunidade para testar os recentes melhoramentos que o Pedro fez á minha Ralheigh. Estou muito contente com o resultado final e sobretudo com o meu novo saco feito pela Marie. Para além de ser extremamente bonito é igualmente eficiente. A mudança que também a Marie operou na minha modesta bicicleta é incrível. Muito obrigado aos dois.

Vários kms depois chegamos aquele que é sempre um dos momentos mais ansiados dos passeios Velocorvo, pelo menos para mim é, o momento verdadeiramente memorável que é  momento do pic-nic . Saem as iguarias dos sacos, repastamos em abundancia e começamos a sentir o cansaço, aquele cansaço bom da subida, a transformar-se numa sensação de sono. O calor do maravilhoso dia aconchega-nos  e o ruído do vento nas Árvores embala-nos. E é aqui que agradecemos à natureza por nos ter dado este recanto tão bonito  e nos proporcionar tanta paz. Á natureza e ao Pedro que nos desafia para  estes empreendimentos. O telemovel continua como que a fazer fotos sozinho quase sem a Marie e o Pedro darem por isso. O Pedro esse prefere o analógico e tira fotografias com a sua maravilhosa e estimada "Leica". Luxos!!

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Não nos apetece mas temos de partir, a descida é grande até ás areias mornas do Guincho.  Descemos a bom descer sentido a velocidade  nas rodas finas e o vento nos nossos sorrisos de felicidade.

E eis que chegamos a Cascais, ultima etapa antes de apanhar-mos o comboio de regresso a Lisboa. Uma “Boulangerie“ Francesa  intromete-se no caminho e o Pedro não resiste em despertar os instintos Franceses da Marie desafiando-a para um “Pain au Chocolat” que os acompanha nos respectivos estomagos  no caminho para Lisboa. O Comboio acolhe 4 ciclistas cansados mas felizes e transporta-os ao seu destino. O Hugo ainda queria fazer o regresso pela Marginal, mas os outros mandriões companheiros de viagem preferiram o sossego da carruagem Não fosse o diabo tece-las e estragar um dia perfeito.

Junto ao Rio.

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Diz-me um vizinho meu, já com alguma idade, sempre que passo por ele: "Força que os outros já passaram", ontem, na feira da ladra ouvi uma que não ouvia há anos: "fecha a porta" e hoje alguém me disse em Sapadores: "força Artur Agostinho".!!, sim foi mesmo Artur Agostinho. Ah e outro: "com uma idade dessas e ainda vai de bicicleta"? Felizmente este tipo de comentários é cada vez mais raro. Mas imagino o que ainda devem "sofrer" as ciclistas do sexo feminino que circulam sozinhas nas suas deslocações. Paralelamente é curioso admirar as expressões de automobilistas com quem nos cruzamos: Do zangado, que acha que só empatamos e que devíamos era estar era em casa a dar ao pedal numa daquelas bicicletas fixas ao simpático que nos dá passagem tudo pode acontecer. Uns olham para nós com ar de espanto, "lá vai mais um destes malucos", outros com ar de grande compaixão, "coitadas destas pobre almas" mas os que aprecio mais e a quem me apetece gritar "saiam da lata e atrevam-se" são os que olham para nós com cara meio triste meio conformada de quem pensa "eu gostava tanto de ser capaz de fazer o mesmo mas..." A esses digo: atrevam-se!!! Vão buscar aquela bicicleta que está guardada ao tempo e ponham-na a andar. Se estiver ferrugenta ela é bonita assim, se não for de marca nem da moda , não faz mal, o que ela quer é andar, andar com o seu companheiro, o que ela quer é partilhar as estradas e os caminhos com ele(a). Vão ver que ganham uma verdadeira amiga e vão perceber que sem amigos não se pode viver.

Entretanto em Lisboa, junto ao rio, ontem pelas 8 da manhã estava mais ou menos assim e quando está assim agradecemos à Mãe Natureza por nos termos levantado cedo e ir de bicicleta para onde temos que ir. É uma alegria tão grande.

Na Av. da República.

Muitos Lisboetas teimam em não querer ver as bicicletas que por eles passam. Que não existem, que nunca viram nenhuma, que tudo é uma ilusão e um despesismo de rico.  Que só os pobres ou quem não pode ter carro anda de bicicleta. Por essas redes sociais fora muitos alertam para este desvario, para quê construir ciclovias onde passa um ciclista por dia dizem. Ontem estive, por motivos de um compromisso, cerca de meia-hora na esquina da Av. De Berna com a Av. Da República e até eu, que tenho atenção a estas coisas e tenho acompanhado de perto o fenómeno da bicicleta em Lisboa fiquei espantado. Não com a falta de bicicletas mas sim pelo contrario, naquela meia-hora passaram imensas, muitas delas do sistema GIRA.  Estava tão feliz que peguei na máquina e fiz umas fotografias. Por aqui se prova que quando se fazem coisas, quando se trabalha bem as coisas acontecem. Acontecem na Av. Da Répública e  noutras zonas ese forem bem feitas acontecerão por toda a cidade. Porque uma vez mais digo: As colinas são um mito e os Lisboetas estão a começar a perceber isso.