A crónica do Pedro

DSCF1136.jpg

A Crónica do Pedro

Gosto muito da escrita do Pedro e de andar de bicicleta com ele. Desafiei-o para escrever uma crónica para o blogue quinzenalmente. Aqui está a primeira. Estou orgulhoso e espero que gostem.

Caminhos para encontrar a verdadeira felicidade com a bicicleta

Um dia, ainda na minha adolescencia, fui pedalar com os meus amigos, como tantas outras vezes. Esse seria o último dia em que iriamos pedalar todos juntos. Não por ter acontecido algo trágico. Mas sim, por outra razão que suponho ser triste, à sua própria maneira. A bicicleta (e andarmos de bicicleta juntos) tinha deixado de ser relevante nas nossas vidas. Esta quebra com a aventura que era pedalar até sítios distantes, ou pelo menos na altura o pareciam, causou o desaparecimento de uma certa maneira de ver as coisas. O deixar de fazer coisas que eram ao mesmo tempo simples como aventureiras. O ir andar de bicicleta para andar de bicicleta. 

Ir passear de carro podia até ser mais cómodo. De aventura não tinha nada. Passámos a ser como tantos outros. A nossa infância tinha ficado para trás.

Eu continuei a andar de bicicleta, se bem que agora, na maior parte das vezes, pedalava sozinho. 

A minha adolescência foi cheia de btt. Posso agradecer à bicicleta de todo o terreno por me voltado a dar ao pedal. E, com o tempo, também deixei de perceber porque é que pedalava. Os anos passaram ,e , simplesmente, a bicicleta ficava mais tempo parada. Deixei de me sentir feliz em cima de uma bicicleta de btt e não sabia porquê. A bicicleta funcionava bem e tinha perícia suficiente para não fazer má figura nos trilhos. O problema era, portanto, meu. O que mudou? Uma crescente sensação de que o aspecto demasiadamente tecnológico à volta do qual o btt parecia girar tornava-se cada vez mais sufocante. As mais recentes "inovações" deixavam de fazer, para mim, muito sentido. O btt deixou de fazer sentido. Sem saber muito bem o que fazer disto tudo, comecei à procura. Do quê, não sabia bem. Mas sabia que gostava de andar de bicicleta e que era possível voltar a pedalar. E todos os dias. E sobretudo, recuperar a felicidade ao pedalar.

Que caminhos proponho então para encontrar a verdadeira felicidade?

I - Simplificar a bicicleta e a maneira como se anda de bicicleta

Pode paracer uma contradição dizer-vos para simplificar a bicicleta com a troca da actual bicicleta por uma outra diferente, mas se calhar não é. Vejamos: o actual sistema e sua maneira de pensar encara todos os recursos naturais e até mesmo o próprio homem como uma espécie de armazém, sempre pronto para ser utilizado a qualquer altura, da maneira mais optimizada, de forma a rentabilizar e sempre com o lucro rápido em mente. A obsolescencia programada é um dado adquirido em qualquer bem de consumo nos dias de hoje. Ora é o tamanho da roda que muda, ora é a necessidade absoluta de termos bicicletas cada vez mais sobredimensionadas para fazermos trilhos perfeitamente normais, ora é a necessidade de mudar as transmissões para algo ainda "melhor". Se hoje temos 10 velocidades, amanhã teremos (de ter) 12. Mas, na prática, para além de um certo patamar, muita coisa é desnecessária. E, a tecnologia, que deveria ser um meio para atingir um determinado fim, torna-se agora o maior inimigo: todo este enquadramento gigante, desde as suspensões, transmissões, quadros exóticos de carbonos, etc, afastam-nos da verdadeira experiência do pedalar. Em vez de estarmos concentrados na experiência do momento, estamos mais concentrados no funcionamento da peça A ou B. Até a paisagem se torna como um objecto, ali, para nos satisfazer com as suas "descidas técnicas" ou com "saltos". Características essas que são independentes do local onde pedalamos. No fundo, tanto faz pedalar em A ou B. O que interessa é pedalar, não pelo acto metafísico de o fazer, mas sim, como meio de atingir determinada meta para melhor quantificarmos e justificarmos determinada aquisição.

Como então simplificar a bicicleta? Fácil: escolher uma bicicleta mais ou menos tradicional, uma bicicleta arquétipo. Quando fechamos os olhos e imaginamos uma casa, não pensamos num apartamento T2 num qualquer subúrbio. Pensamos antes numa cada com jardim. Quando imaginamos uma bicicleta, não imaginamos uma bicicleta exótica de contra relógio feita toda em carbono tipo nave espacial. Pensamos sim, numa bicicleta bem mais clássica. Possivelmente com páralamas e portabagagens. 

Uma bicicleta mais simples deverá estar o mais desligada da "rede" na medida do possível, sem entrar em excessos luditas. Transmissão "normal", sem bizarrias de cassetes com dois dígitos, quadro com muito espaço para pneus largos, apoios para páralamas e portabagagens, travões a cabo, garfo rígido, coisas assim. Uma bicicleta mais simples resistirá melhor às constantes pressões dos "progressos" tecnológicos. Em teoria, a tua bicicleta deveria ser possível de ser construída a nível local, tal como ser possível reparar a mesma localmente, com ferramentas mais ou menos simples.

Como simplificar a maneira como se anda de bicicleta? Um primeiro passo deverá ser encarar o pedalar como algo que tanto pode ser desportivo mas sobretudo, não.  A grande maioria das pessoas encara pedalar como apenas um desporto, ou seja, algo que deve ser relegado a um ou dois dias por semana, para muitos. No fundo, estou aqui a falar da possibilidade de pedalar habitualmente, ou seja, a qualquer momento, poder simplesmente pegar na bicicleta e, juntamente com o facto da bicicleta ser mais simples, não parecer alguém que foi experimentar a bicicleta contra relógio do amigo vestido de calças de ganga. Pedalar por pedalar.

Falando de aspectos mais prácticos, evitar o uso de pedais de encaixe (que implicam o uso de calçado especial), ir pedalar com roupa feita de materiais naturais (algodão, lã, linho) e deixar o camebak em casa. Quando falo de roupa, refiro-me a roupa normal, camisas, calções clássicos, etc, que acho bem mais estéticos do que roupa justa coberta de publicidades.

II - Pedalar por pedalar

Como disse acima, pedalar por pedalar. Simples? Se calhar não.  Pedalar por pedalar implica um verdadeiro trabalho mental. Pedalar por pedalar, conscientemente, implica também um esforço, um esforço de não sucumbir às constantes distracções digitais já nossas conhecidas. Simplesmente, tratar o acto de pedalar como se de um acto de meditação se tratasse. Existir o/no momento.

III - Fazer mais coisas com a bicicleta.

Se deixarmos de usar a bicicleta apenas para fazer exercício ou para ir "fazer trilhos" ruidosamente ao domingo de manhã, podemos chegar à conclusão que a bicicleta é o veículo perfeito para aventuras. 

Podemos sair cedo, sem hora para voltar. Fazer um picnic pelo caminho. Tirar umas fotos. Fazer uma sesta à sombra de uma árvore. Voltar para casa de comboio, se não tiveres vontade de pedalar. 

Podemos também ir acampar com a bicicleta. Para aqueles que não têm tempo, sempre podem experimentar um S24O. 

E, sobretudo, tentar incluir a bicicleta no dia a dia, na medida do possível. Deixar o carro em casa. Deixar de ter carro. Juntar a bicicleta aos transportes públicos sempre que possível. Vencer a preguiça (muitas vezes mental) de fazer curtas e médias distâncias com a bicicleta. Vencer o medo do "suar" . Pedalar mais devagar, que também lá chegamos, e menos cansados e suados. Simplificar, não complicar. 

O verdadeiro caminho para a felicidade é a simplicidade. 

Pedro Manuel / Velocorvo

Passeio Velo Corvo. Sintra.

Sintra Mágica

Passeio em Sintra. Com a Velo Corvo e outros amigos aventureiros. Não de capa e espada mas de pedais e carretos bem afinados. Sobretudo com muita alegria e boa disposição. Sobretudo com enormes sorrisos no rosto. De felicidade.

File142.jpg

A Velo Corvo organizou mais um dos seus já icónicos passeios. A Sintra claro, ou não fosse o Pedro um grande apaixonado por esta Serra. Em Sintra a  magia da natureza faz-se sentir como em muito poucos outros lugares.  Todos a sentimos, a magia dessa natureza pura e bela. As árvores, as belíssimas e sábias árvores de Sintra falam connosco, basta querer ouvir ,e o vento conta-nos histórias de encantar. Foi um dia de felicidade e amizade, com risos e caras alegres. O esforço, esse, de subir à Serra foi feito com boa vontade e boa disposição.  Sintra marca quem lá vai com olhos de ver e ouvidos de ouvir, Sintra com amigos e companheiros de aventura é fabulosa. Pena que as autoridades continuem a querer ignorar que Sintra é muito mais que um local para se passear de automóvel ou Moto-Quatro e não exista uma verdadeira política de proteção da Serra.. .Mas isso deixo para o texto do Pedro, que podem ler aqui.

Na Holanda.

Em Julho de 1936 dizia o jornalista Ortega Y Gasset,no jornal "La Nacion",de Buenos Aires :

"Os outros povos do planeta consideram a bicicleta um aparelho destinado ao jogo e ao desporto. Permite uma velocidade extraodinária com meios simples, exige algum esforço e, ao mesmo tempo, o seu uso implica um certo risco. Todas estas características confinam o velocipede ao âmbito das actividades desportivas e, entre elas, ás que requerem juventude. Apesar disso, verificamos que por todo o lado aumenta o seu uso em serviços meramente úteis. O Operário que vive em distantes subúrbios vai para o trabalho e regressa dele de bicicleta. O destribuidor de certo tipo de mercadorias e o estafeta também recorrem a ela"... ..."só a ela se recorre quando não há outro remédio ou quando a humildade dos meios económicos o impôe como uma triste necessidade. É por isso que não estranhamos: O operário mal vestido que pedala para ir para casa proclama tacitamente que preferia outro meio de transportee que usa esse precisamente não por ser o desejável mas por uma triste imposição...Mas na Holanda toda a gente anda de bicicleta, qualquer que seja a sua idade, sexo, volume, posse, e agita as pernas sobre os pedais, ia a dizer que cinicamente, isto é, como se fosse a coisa mais natural do mundo,  como se fosse o que é preciso fazer. Pois bem, é isso que errita o viajante, que causa estranheza e incompreensão: Considera-se natural e perfeito o que lhe parece inadquado e erróneo...

La Nacion, Buenos Aires. 1936

Na Holanda não existem desculpas para não se andar de bicicleta. Tudo está preparado e andar de bicicleta é tão natural como andar a pé. A bicicleta parece que faz parte do corpo da maioria dos holandeses, é um completamento que lhes permite chegar mais depressa ao seu destino. De forma prática e eficiente. A bicicleta é isso mesmo: Uma parte do corpo de cada um. Do mesmo modo que usamos as mãos para pegar em algo o holandês usa a bicicleta para se mover. Como diz ainda Ortega e Gasset nesta sua deliciosa crónica os "Holandeses são o povo eleito pelo Deus das Bicicletas".

Todos e tudo se transporta em cima de uma bicicleta de forma simples  e descontraída, as crianças não têm medo, os pais também não pois consideram esta a forma mais segura de deslocação. Na Holanda em muitas ruas de sentido proibido para o trafego automóvel é permitida a circulação em sentido contrário por bicicletas. É também permitida a passagem de vermelhos para virar á direita. Tudo se descomplica.

Parque de estacionamento para bicicletas em Amesterdão

As bicicletas são aos milhares e há que criar condições para que o seu parqueamento seja feito de forma eficiente. É impressionante a quantidade de bicicletas que estacionadas junto aos pontos mais frequentados das cidades.

Umas horas em Amesterdão

Quando se chega a Amesterdão a sensação é de espanto. Confesso que fiquei espantado pois tudo me parecia uma anarquia sem sentido. Bicicletas por todos o lado. Sabia por todas as imagens que já tinha visto que era uma cidade cheia de bicicletas mas nunca imaginei que fossem tantas. Os cidadãos de Amesterdão queixam-se que os turistas não sabem andar de bicicleta na sua cidade. E são capazes de ter razão. Passadas uma horas comecei a perceber que tudo fazia sentido e qua aquela aparente anarquia não passava disso mesmo. Eles estão habituados a circular daquela forma e como já disse atrás a bicicleta não é mais para os Holandeses qua a extensão do próprio corpo e não é mais que um peão com e rodas.

Eroica Limburg 2018

c008ef4fed390181788c035f025111102e3b8108.jpg

A edição  holandesa da Eroica é realizada na região de Limburg, a única região do país que não é plana.  É também a zona onde se realiza a mítica Clássica do ciclismo “ Amstel Gold Race”. A cidade anfitriã é Valkenburg, uma pequena e bonita cidade desta região.

The Dutch edition of Eroica is held in the region of Limburg, the only region in the country that is not flat. It is also the area where the mythical "Amstel Gold class cycling Race" is held. The host city is Valkenburg, a small and pretty city of this region.

_DSF5696.jpg
_DSF4969.jpg

São 3 dias de festa,  num jardim no centro instalou-se uma pequena "feira" onde os participantes e a população local se pode divertir e conviver.

There are 3 days of celebration, in a garden in the center a small "fair" was installed where the participants and the local population can have fun and socialize.

Carrosséis antigos para crianças e graúdos, bancas de diversão, produtos relacionados com bicicletas, comida e bebida, tudo para que todos se divirtam  e sintam felizes. E, claro, muitas bicicletas bonitas.

Antique carousels for children and adults, fun stalls, products related to bicycles, food and drink, everything for everyone to have fun and feel happy. And, of course, many beautiful bikes.

_DSF4938.jpg
_DSF4934.jpg
_DSF4940.jpg

Tivemos o privilégio e a honra nessa noite de jantar e conversar com o Sr. Joop Zoetemelk, lenda do ciclismo Holandês, campeão olímpico no México em 1968  e vencedor do Tour de França em 1980, entre muitos outros sucessos. Contemporâneo de Joaquim Agostinho, que admirava e de quem diz que tinha uma força incrível.

We had the privilege and honor that evening to have dinner and chat with Mr. Joop Zoetemelk, a legend of Dutch cycling, Olympic champion in Mexico in 1968 and winner of the Tour de France in 1980, among many other successes. Contemporary by Joaquim Agostinho, who he admired and who says he had incredible strength.

                                      Fotografia retirada do Site  Veenendaal

                                     Fotografia retirada do Site Veenendaal

435c6866-0265-4d3b-9154-b5920926622d.jpg

Percursos e passeio

Routes and tour

Os percursos como sempre têm três graus de dificuldade. O primeiro com 60 km, o segundo com 100 Km e o terceiro, para os mais “Eroicos” com 160 km. Partem todos do centro da cidade. Partimos de Lisboa com vontade de fazer o de 100 Km mas acabamos por fazer o de 60 devido á riqueza histórica do mesmo.

The courses as always have three degrees of difficulty. The first with 60 km, the second with 100 km and the third, for the most "Eroic" with 160 km. They all start on the city center. We started from Lisbon with the intention of doing the 100 km but we ended up doing the 60 because of the historical wealth of it.

fe810031b1462fa3de56912e49f244504bc22572.jpg

Na estrada !

On the road !

Os percursos como sempre são feitos por estradas secundarias ou caminhos de terra. Ainda houve tempo para apanhar e comer uns doces morangos silvestres

The routes as always are made by secondary roads or dirt tracks. There was time to pick up and eat some sweet wild strawberries.

Como sempre os abastecimentos são de excelente qualidade e realizados em locais bonitos e os produtos da região valorizados.

As always the food and drinking supplies are of excellent quality and made in beautiful locations and value the products of the region.

A região de Limburg tem uma paisagem muito variada, é uma região onde  agricultura tem enorme importância. Não se vê um pedaço de terra que não esteja aproveitado e semeado. Aldeias muito bonitas, florestas que parecem encantadas e sempre tudo preparado para o uso da bicicleta.

The region of Limburg has a very varied landscape, it is a region where agriculture has enormous importance. You do not see a piece of land that is not seized and sown. The scenery is that of very beautiful villages, forests that look enchanted and always prepared for the use of the bicycle.

Uma bicicleta 3 Países

A bicycle 3 Countries

_DSF5357.jpg

Este é um dos únicos pontos neutros da Europa, onde se juntam 3 Países,: Holanda, Bélgica e Alemanha. A roda da Frente está na Alemanha, o quadro na Holanda e a roda de trás na Bélgica. Parece impossível mas é verdade. O marco está em território neutro. É também aqui que fica o ponto mais alto da Holanda, 300 metros de altitude.

This is one of the only neutral points in Europe, where 3 countries join: Holland, Belgium and Germany. The front wheel is in Germany, the frame in Holland and the back wheel in Belgium. It seems impossible but it's true. The mark is in neutral territory. This is also the highest point of the Netherlands, with 300 meters of altitude.

Um dos grandes atrativos desta Eroica é precisamente a passagem por três países. diferentes

One of the great attractions of this Eroica is precisely the passage through three countries.

Bosques e florestas abundam nesta região.

Forests and woods abound in this region.

Se em outrasEroicas o vinho é uma parceria certa aqui a cerveja toma o seu lugar. Ou não fosse a Holanda um pais de muita e boa cerveja. A animação nos abastecimentos é contagiante e o Salvador, meu companheiro de viagem, não resistiu a um “pezinho de dança”.

If in other Eroicas the wine is a the right partnership here the beer takes its place, being Holland the country of good beer. The animation in the supply stalls is contagious and Salvador, my traveling companion, did not resist a "little dance".

Um pouco mais á frente, e depois de duas  cervejas bebidas, o que tornou mais complicada a tarefa, chegamos á subida que já tínhamos ouvido falar, a mais íngreme de toda a Holanda, 18% de inclinação.  As nossas pernas, claro, não conseguiram. Os participantes ajudam-se uns aos outros e este casal distribuiu tarefas. Quem estava mais forte transportava as duas bicicletas. É a Eroica!

A little further on, and after two beers which made the task more complicated, we came to the ascent we had heard, the steepest of all Holland, 18% inclination. Our legs, of course, could not keep up. Participants helped each other and this couple distributed tasks. Those who were stronger carried two bikes. It's Eroica!


E eis que chegamos á já mítica ponte com o nome de Luciano Berruti onde todos param para tirar uma fotografia e homenagear o eterno número 1.

And here we come to the mythical bridge with the name of Luciano Berruti where everyone stops to take a photograph and honor the eternal number 1.


Aproxima-se o final e com ele uma pequena angustia de estar a acabar mas também a boa sensação que ainda temos imenso para desfrutar.

The end is approaching and with it a small anguish of the final but also the good feeling that we still have immense to enjoy.

Limburg

A região de Limburg  tem muito que ver: Aldeias medievais, florestas, excelentes caminhos. Tudo está preparado para passeios de bicicleta, para todos os níveis e em segurança.

The Limburg region has a lot to offer: medieval villages, forests, excellent paths. Everything is prepared for bike rides, for all levels and in safety.

Amstel gold race xperience

O Amstel gold race xperience é um café  que celebra a prova de ciclismo mais importante da Holanda, que se realiza nesta região. Fica em Valkenburg e vale a pena visitar.

The Amstel gold race experience is a café that celebrates the most important cycling event in the Netherlands, held in this region. It is in Valkenburg and well worth a visit.

Como ir e onde ficar

How to go and where to stay

Viajamos de Lisboa para Amesterdão e daí de carro para Volkenburg. Em Volkenburg ficamos num parque de campismo de 5 estrelas. numa pequena elevação sobre a cidade.

We traveled from Lisbon to Amsterdam and from there by car to Volkenburg. In Volkenburg we stayed in a 5 star campsite, on a small elevation above the city.

Agradecimentos

A toda a organização da Eroica Limburg onde fomos muito bem recebidos. Especialmente ao George  que tudo fez para que tudo corresse bem. Ao Parque de Campismo de Volkenburg, "Den Driech" que nos acolheu como se estivéssemos em casa. Um Parque de Campismo extremamente acolhedor, confortável e limpo.  Como já disse atrás um parque de campismo de 5 Estrelas.

We thank  the Eroica Limburg organization where we were very well received. Especially George who did everything so that everything went well. To the Volkenburg Camping, "Den Driech" that welcomed us as if we were at home. An extremely welcoming, comfortable and clean campsite. As I said earlier a 5 Star camping site.

Ao Dirk e á Chantal da  “Vive le Vélo” por toda a simpatia e pelas bicicletas de qualidade que nos alugou.

To Dirk and Chantal from "Vive le Vélo" for all the friendliness and quality bikes we rented.

Filme Oficial da Eroica Limburg 2018

Official Eroica Limburg 2018 Movie

Anjou Vélo Vintage 2018. Saumur, França.

ea9e80ce97cce15a4c562534cfa30221-rimg-w720-h537-gmir.jpg

Sexta-feira 23 de Junho, aeroporto de Lisboa. Voo com destino a Nantes. Em Nantes comboio com destino a Saumur . O comboio é para mim o melhor meio de transporte a seguir á bicicleta e os comboios franceses são um exemplo de conforto e eficiência. Se não houver greve.  Havia. Mas mesmo assim tudo correu bem e o atraso foi apenas de uma hora, que aproveitei para dar uma pequena volta pelo centro de Nantes. O comboio, apesar da greve, fez jus á tradicional eficiência e conforto francês. E a paisagem durante a viagem também. Quase sempre acompanhada por um rio ao lado direito e por uma ciclovia. Sim, nos mais de 100 km de viagem havia quase sempre uma ciclovia entre a linha e o rio. Muitas vezes se viam ciclistas carregando com os seus alforges. A viagem é extremamente bonita, com o rio, com os campos cultivados, os cavalos e o charme do campo Françês.

Friday, June 23rd, Lisbon airport. Flight to Nantes. In Nantes train to Saumur. The train is for me the best means of transport right after the bicycle,  and the French trains are an example of comfort and efficiency. If there is no strike. There was…... But still everything went well and the delay was only an hour, which I took to take a short walk through the center of Nantes. The train, despite the strike, did justice to the traditional efficiency and French comfort. And the scenery during the trip too. Almost always accompanied by a river on the right side and a bike path. Yes, in more than 100 km of travel there was almost always a bike path between the train and the river. Often I saw cyclists carrying their bikebags. The trip is extremely beautiful, with the river, with the cultivated fields, the horses and the charm of the French countryside.

Saumur

Saumur não se fica atrás, é uma cidade com imenso charme, rodeada de água e natureza, o tom das casas é todo creme devido á pedra com que são construídas. As ruas são estreitas e o verde abunda. O seu “Château” e os seus edifícios históricos são imponentes, as pessoas muito simpáticas. A primeira impressão é muito agradável e de espanto pela beleza da arquitetura e do espaço natural envolvente.  Depois de um dia de viagem nada melhor que entrar numa cidade que respira bicicletas, que  se entrega de alma e coração a um evento como este. E também nada melhor que ser recebido com tanta simpatia e amabilidade. Charlotte, Eleonor e Melodie fazem-me sentir como se chegasse a casa e como se não bastasse convidam-me para um  cocktail de boas vindas que se realiza no terraço do bonito teatro da cidade. A vista do quinto andar é deslumbrante, dali se vê o rio e a cidade. Dá também para se começar a ver a dimensão deste evento e o impacto que tem na região. A comida é óptima e o vinho também. Uma vez mais o vinho e a bicicleta se unem e o namoro é perfeito. O ambiente com música de época, a maneira como as pessoas se vestem  o espírito e o modo com entram na festa é digno de um fime Françês

Saumur is not less beautiful, it is a city with immense charm, surrounded by water and nature, the houses have cream tone due to the stone with which they were built. The streets are narrow and greenery abounds. Its "Chateau" and its historic buildings are imposing. Very friendly people. The first impression is very pleasant and I’m amazed by the beauty of the architecture and the surrounding natural space. After a day of travel nothing beats entering a city that “breathes” bikes and has surrenderes it’s soul and heart to an event like this. And nothing better than being received with such sympathy and kindness. Charlotte, Eleonor and Melodie make me feel like I'm home, and if that's not enough, invite me to a welcome cocktail on the terrace of the city's beautiful theater. The view from the fifth floor is stunning, from there you can see the river and the city. It also gives you the opportunity to see the dimension of this event and the impact it has on the region. The food is great and the wine too. Once again the wine and the bicycle come together and the courtship is perfect. The atmosphere with epoche music, the way people dress the spirit and the way they enter the party is amazing.

A cidade está cheia de pessoas vestidas á época, 8 mil bicicletas são esperadas. Mas mais importante que isso é a entrega e o envolvimento da comunidade na festa. Ciclista ou não, utilizador de bicicleta ou não a maioria entra na festa e no espírito. A cidade vive alegria e boa disposição. A música toca em cada recanto, música dos anos 20, 30, 40 ou 50. As pessoas dançam com prazer e gosto, vivem o momento de forma descontraída mas empenhada. O ambiente é vibrante e entusiasmante.

The city is full of people dressed in vintage, 8 thousand bikes are expected. But more important than that is the community involvement in the party. Cyclist or not, bicycle user or not the majority adheres to the party and the spirit. The city lives joy and good disposition. The music plays in every corner, music from the 20's, 30's, 40's or 50's. People dance with pleasure and taste, live the moment in a relaxed but committed way. The atmosphere is vibrant and exciting.

O espaço está organizado em 3 áreas distintas: Venda de produtos de época e regionais, restauração e espaço reservado à venda de artigos para ciclismo e bicicletas. A festa abriu e a cidade, que há muito se prepara, está rendida.

The space is organized in 3 distinct areas: Selling of vintage and regional products, catering and a space reserved for the selling of articles for cycling and bicycles. The party has opened and the city, which has long been preparing, has surrendered.

 

Os percursos e os passeios.

"COMO QUE ISOLADOS DO MUNDO"- “AS WE WERE ISOLATED FROM THE WORLD”

Émile Zola

_DSF2634.jpg
E que delicia, andarem assim, como o voo de uma andorinha, que passa a rasar o solo da magnifica estrada, sentindo a frescura do ar, no sopro das ervas e das folhas, cujo odor forte fustiga o rosto! Mal tocavam o chão, e era como se asas os empurrassem com o mesmo impulso, através dos raios e das sombras, da vida dispersa do grande bosque que se agita, com os seus musgos, as suas fontes, os seus animais e os seus perfumes...

And what a delight, to walk like this, like the flight of a swallow, that scrapes the soil of the magnificent road, feeling the freshness of the air, in the breeze of herbs and leaves, whose strong odor beats the face! They barely touched the ground, and it was as if wings thrust them with the same impulse, through the rays and the shadows, of the dispersed life of the great forest that is stirred, with its mosses, its fountains, its animals and its perfumes ...
_DSF2652.jpg
...depois, ao chegarem à encosta para Poissy, Marie desafiou Pierre, e ambos deixaram embalar as bicicletas por ali abaixo. Então, foi aquela alegre excitação da velocidade, a enervante sensação do equilíbrio, a descarga emocional quando se avança a perder o fôlego, enquanto sentiam a estrada sombria a fugir-lhes debaixo dos pés e as árvores, do dois lados do caminho a girarem como as varetas de um leque a abrir-se. A brisa sopra com força; parte-se em direção ao horizonte, em direção ao infinito que, ao longe vai recuando cada vez mais. É a esperança sem fim, a libertação de laços demasiado cerrados, através do espaço. E não há excitação melhor do que esta, em que os corações pulam a céu aberto...

... and then, as they reached the slope toward Poissy, Marie challenged Pierre, and they both let the bikes slide down and down. Then it was that joyful excitement of speed, the unnerving sensation of balance, the emotional release as you progressed out of breath, as you felt the dark road fleeing under your feet and the trees on either side of the road spinning like the rods of a fan to open. The breeze blows hard; it sets off towards the horizon, towards the infinite that, in the distance, regresses more and more. It is endless hope, the liberation of the bonds, through space. And there is no better excitement than this, in which hearts jump in the open ...
_DSF4274.jpg
...Com destreza , Marie saltou da bicicleta, e meteu-se por uma vereda onde deu mais umas cinquenta passadas gritando a Pierre que a seguisse. As duas bicicletas encostadas ao tronco de árvores ficaram no meio de uma pequena clareira...Com efeito era o esconderijo mais acolhedor que se poderia imaginar”

”... Deftly, Marie jumped off her bicycle, and strolled down a path, calling Pierre to follow. The two bicycles leaning against the trunk of trees stood in the middle of a small clearing ... In fact it was the most cozy hiding place one could imagine.
— Texto extrído do livro "Paris" de Emile Zola
_DSF3083.jpg

O romantismo Françês está presente em todo o lado. É com se lêssemos um livro de Émile Zola ou vivêssemos dentro de  um filme  de Jacqes Tati.

French Romanticism is present everywhere. It is as if we read a book by Emile Zola or live in a Jacqes Tati film.


Em Saumur  o simples acto de andar de bicicleta é para todos. A cidade e a região estão preparadas para isso. Desde  a deslocação mais informal ao passeio mais simples, do ciclismo de turismo e familiar  ao ciclismo mais veloz tudo  está previsto e as condições para a sua prática são excelentes. As magníficas paisagens ajudam, a tranquilidade e o civismo também. Saumur e toda a região do Val du Loire são fantásticas para andar de bicicleta. Para todos andarem de bicicleta. E isso reflete-se nos percursos escolhidos para este evento. Passeios simples mas muito belos, com diversos graus de dificuldade onde todos mas mesmo todos podem participar. São seis os percursos, desde os 30 Km, completamente planos, ao mais longo de 120 Km para os mais bem preparados fisicamente.

In Saumur the simple act of cycling is for everyone. The city and the region are prepared for this. From the more informal trip to the simpler tour, from touring cycling and family to faster cycling everything is planned and the conditions for its practice are excellent. The magnificent landscapes help, tranquility and civility as well. Saumur and the whole region of the Val du Loire are fantastic for biking. For everyone to ride a bike. And this is reflected in the routes chosen for this event. Simple but very beautiful walks with varying degrees of difficulty where everyone but everyone can participate. There are six routes, from the 30 km, completely flat, to the longest of 120 km for the best prepared.

decontracte.png

Ilustração: Anjou Velo Vintage

Todos respeitam o código de conduta e as roupas são escolhidas a preceito. Tudo é motivo para festa!

 

Everyone respects the code of conduct and the clothes are chosen according to precept. Everything is reason to party!

No sábado fiz o percurso de 60 Km de moto, apenas para fazer fotografias. No segundo dia o percurso de 30 Km em bicicleta. De forma muito tranquila, parando para tirar fotografias, para admirar uma paisagem, para uma bebida fresca ou comer algo num dos muitos e bons abastecimentos.

On Saturday I made the 60 km on a motorcycle, just to take photos. On the second day, I made the 30 km route by bike. Slowly, stopping to take pictures, to admire the landscape, to have fresh drink or to eat something in one of the many and magnificent snack stops.

A ver passar os ciclistas...

Watching the cyclers go by...

... e o passeio continua...

As caves

The Wine cellars

Uma das partes mais interessantes destes passeios terá sem duvida sido a visita às caves de vinho. Um impressionante percurso ciclável foi criado por dentro das mesmas. Por entre garrafas de vinho cheias de pó, à espera de verem a luz do dia, ao longo de paredes esculpidas na pedra, por entre teias de aranha e túneis sombrios. E até por túneis com obras de arte e instalações  artísticas. Um mundo subterrâneo que faz lembrar os livros de fantasia como o “Senhor dos Anéis” ou o “Elfo Negro.” Locais onde em momentos de ilusão poderíamos imaginar Anões e Elfos brindando juntos.

One of the most interesting parts of these tours was undoubtedly the visit to the wine cellars. An impressive cycling route was created from within them. Through dusty bottles of wine, waiting to see the light of day, long walls carved in stone, cobwebs and dark tunnels. And even through tunnels with works of art and artistic installations. An underground world reminiscent of fantasy books like "Lord of the Rings" or the "Black Elf." Places where in moments of illusion we could imagine Dwarves and Elves toasting together

 

Familias e Crianças

Families and Children

Verdadeiramente interessante foi a presença de famílias inteiras. Avós, pais e crianças, muitas e muitas crianças. Iam de bicicleta, iam nos reboques, iam com os pais em cadeirinhas. Iam felizes, riam, brincavam, pedalavam e até dormiam em andamento. Uma felicidade tão grande ver um evento com tantas famílias juntas,com tantos jovens e com tantas crianças...

Truly impressive was the presence of entire families. Grandparents, parents and children, many, many children. They rode bicycles, were in trailers, with their parents in pushchairs. They were happy, they laughed, they played, they pedaled and even slept in progress. Such a great happiness to see an event with so many families together, with so many young people and with so many children ...

Saumur e o Val du Loire

_DSF4218.jpg

Esta região é muito bonita. Rios, parques naturais de rara beleza, caminhos calmos e bem assinalados para passear a pé ou de bicicleta. Arquitetura deslumbrante, muito charme,  como se estivéssemos a ver um filme. Cultura, gastronomia, vinho, a tradição Francesa no seu melhor. Muita paz e muita tranquilidade. Uma região para explorar em família, para explorar a sós ou com companhia. Altamente recomendável para passear de bicicleta onde tudo está preparado para o efeito. A zona tem excelentes hotéis, muitos deles rurais e parques de campismo de excelente qualidade. Aconselho quem pretenda ir para o ano ao AVV a marcar com muita antecedência a sua estadia na zona pois devido ao evento tudo esgota muito rapidamente. O mesmo se passa com a reserva de bilhetes para os passeios deste evento.

This region is truly beautiful. Rivers, natural parks of rare beauty, calm and well marked paths for walking or cycling. Gorgeous architecture, lots of charm as if we were watching a movie. Culture, gastronomy, wine, the French tradition at its best. Much peace and tranquility. A region to explore with family, to explore alone or with company. Highly recommended for cycling since everything is prepared for the purpose. The area has excellent hotels, many of them rural and excellent quality campsites. I would advise anyone who wishes to go to AVV next year to mark their stay in the area well in advance, because due to the event everything books out very quickly. The same goes for booking tickets for the tours of this event.

_DSF2978.jpg

A minha ida ao Anjou Velo Vintage foi inesquecível. O profissionalismo, a atenção e empenho  dos voluntários, o cuidado com que tudo é pensado até ao mais pequeno pormenor, a maneira como somos recebidos na cidade e o envolvimento desta na festa são incríveis. Depois o ambiente, um ambiente de festa, de alegria onde tudo se parece complementar e fazer sentido.  Onde todos se respeitam, onde tudo flui de maneira natural e humana onde a harmonia se faz sentir de forma quase perfeita. Ao contrário do que muitas pessoas pensarão estes eventos não são uma celebração nostálgica do passado, um estar agarrado ás tradições e ao passado duma forma conservadora,  com medo do futuro. Bem pelo contrário, quem assim celebra as tradições, a amizade, a cultura está de olhos postos no futuro. Num futuro mais humano e saudável. A bicicleta é e será sempre um protagonista desse futuro. Até para o ano Anjou Velo Vintage. Porque é um lugar onde voltarei de certeza !

My trip to Anjou Velo Vintage was unforgettable. The professionalism, the attention and commitment of the volunteers, the care with which everything is thought up to the smallest detail, the way we are received in the city and the involvement of it in the party are amazing. And then … the environment, a party atmosphere, of joy where everything seems complementary and makes sense. Where people respect each other, where everything flows in a natural and human way where harmony is almost perfectly. Contrary to what many people may think these events are not a nostalgic celebration of the past, a clinging to traditions and past in a conservative way, afraid of the future. On the contrary, those who celebrate traditions, friendship and culture are looking to the future. Looking into a more humane and healthy future. The bicycle is and will always be a protagonist of this future. See you next year Vintage Anjou Velo.! Because it's a place I'll be back for sure!

Agradecimentos

Acknowledgements

             Bicicleta personalizada emprestada pela AVV para fazer os meus percursos.

            Bicicleta personalizada emprestada pela AVV para fazer os meus percursos.

Esta viagem não teria sido possível sem a amabilidade e hospitalidade da organização do Anjou Velô Vintage que tudo fez para tão bem nos receber a todos. Nas pessoas da Charlotte, da Eleonor e da Melodie quero agradecer sinceramente a todos. Foi verdadeiramente emocionante participar neste excelente evento e nunca esquecerei a maneira como fui recebido. Agradeço também ao Didier, piloto altamente competente da moto colocada à minha disposição para um dos percursos e  à Madame Chantal dona da casa onde me hospedei pela sua simpatia. E à minha amiga Olfa, de Paris, que me ofereceu as passagens de comboio de Nantes a Seumur, uma delas incluiu a viagem de TGV em primeira classe. Um luxo que nunca tinha experimentado.

This trip would not have been possible without the kindness and hospitality of the organization of the Vintage Anjou Velô which did everything to welcome us all. Through Charlotte, Eleonor and Melodie I want to sincerely thank all the people envolved in the organization. It was truly exciting to participate in this great event and I will never forget the way I was welcomed. Thank you also to Didier, a highly competent driver of the motorbike placed at my disposal for one of the routes and Madame Chantal, owner of the house where I stayed for her sympathy. And my friend Olfa, from Paris, who made me a special gift - the train tickets from Nantes to Seumur, one of them included the TGV trip in first class. A luxury I had never experienced.

Mais informações: Anjou Vélo Vintage

Mais fotografias: Flickr

Instagram: Lisboncycling.

Video Oficial AVV 2018

Eroica Hispania parte 3

Ane Gabiria & Unai Pro

     “Me encantan las miradas y sonrisas que recibimos cada vez que salimos en tandem. Es como si ver un tandem diera suerte”... Ane Gabiria     

 

“Me encantan las miradas y sonrisas que recibimos cada vez que salimos en tandem. Es como si ver un tandem diera suerte”... Ane Gabiria

 

IMG_9050.jpg

A Ane e o Unai levaram para a Eroica um dos 3 “tandem” que estiveram presentes. É uma  alegria ver “tandens” antigos e normalmemente quem os leva espalha simpatia. Não deve ser fácil subir colinas com tal "máquina". Cruzamo-nos várias vezes no percurso e depois na meta. A Ane parava, contemplava, tirava fantásticas fotografias ( que podem ver aqui ) e por incrível que possa parecer subiram tudo o que havia para subir. Uma das coisas mais saudáveis de se participar nestes eventos é conhecer pessoas novas e fazer  amigos.  Nem que fosse só por os ter conhecido já valia a pena ter ido à Eroica Hispania.

LC - De que região de Espanha são?

 Ane- De Galdakao, un pueblo a 9 kms de Bilbao.

LC- em quantas Eroicas Hispania já participaram?

Ane-  Hemos estado en todas las ediciones de la Eroica, en algunas (2015,2017) sacando fotos y en las otras (2016,2018) participando con el tandem.

LC- O que é para ti participar numa Eroica?

Ane-.- La Eroica nos tiene enamorados. Tener la posibilidad de pedalear entre viñedos, rodeados de otros amantes del ciclismo y vestidos con ropas de otra época te hace transportarte a aquella época. Es una prueba en la que puedes disfrutar de la bici sin ningún tipo de prisa. Tienes tiempo de pedalear, reir, hablar, comer bien y disfrutar! Solo disfrutar!

IMG_9083.jpg

LC- Como foi o vosso dia de passeio?

Ane- Fue un día perfecto! El tiempo nos respetó y aunque parecía que iba a llover, pudimos pedalear incluso con sol. Participamos en la Eroica Corta (69kms). Es un recorrido perfecto para hacerlo en tandem, que a pesar de tener rampas exigentes, no son demasiado largas como para no poder afrontarlas. El tandem además me da la posibilidad de ir en bici junto con mi pareja, aun no teniendo el mismo estado de forma. Al ir en tandem también puedo disfrutar de mi otra afición: la fotografía. Hay momentos en los que puedo ir sacando fotos mientras pedaleo, cosa que no sería capaz de hacerlo si fuera en mi bici. La verdad es que se me hizo corto y me quedé con ganas de más.

LC- O que mais te agradou ?

Ane- Me encantó todo! El ambiente, los paisajes, la gente... y tener la posibilidad de conocer a gente como tú!  Un día espectacular!

DSCF2245.jpg

Maria & Paolo

A Maria e o Paolo conheceram-se numa Eroica hispania e desde aí nunca mais se perderam de vista. A Maria é Espanhola , de Najera, uma aldeia perto de Cenicero, o Paolo Italiano, de Milão.  Nas Eroicas também existem muitas histórias de amor. E de superação.

Maria and Paolo met in an Eroica Hispania and from there on they never lost sight of each other again. Maria is Spanish from Najera, a village near Cenicero, Paolo is Italian and from Milan. In Eroicas there are also many love stories.

 

DSCF1561.jpg

A Maria vai á Eroica Hspania desde a primeira edição, o Paolo desde 2012 que vai a todas em Itália e  também tem vindo a Espanha. Adoram o espírito do evento, sem competição e muito convívio e respeito entre todos.

LC- O que mais gostam nas Eroicas?

Paolo - Gostamos de tudo , do ambiente, não apenas durante a prova mas também no dia antes . É um ambiente espetacular. Gente de todo o mundo que se respeita e se admira. Gostamos também das camisolas de lã e das bicicletas antigas, tudo isto tem algo de muito especial. Gostamos também muito do percurso, com “estrada branca” (gravilha) bem conservada e autentica. Gostamos do aspecto ecológico para conservação do ambiente e destes caminhos naturais, da boa e saborosa comida, sem barritas , da recuperação das bicicletas antigas, mais simples, mas muito mais bonitas, e sobretudo da magnifica atmosfera de amizade.

LC- Como se conheceram?

P- Conhecemo-nos em Junho de 2016 em Cenicero, na segunda edição da Eroica Hispania. No mês de Maio tinha conhecido, David, um amigo de Maria, na Eroica da Primavera, na Toscania  e depois de no final bebermos uma cerveja ele convidou-me a ir a Eroica Hispania. E assim foi. Em Junho apanhei um autocarro com mais amigos que se dirigiam para a Eroica Hispania onde ia também Giacarlo Brocci e os seu filhos, e fomos para Espanha. 1500 Km para ir, 1500 Km para voltar!!

Conheci a Maria numa adega com um copo de vinho de Rioja na mão e falamos só um pouco. Maria fez nesse ano o passeio mais curto e eu o mais longo. Disse-lhe que teria de fazer pelo menos uma vez na vida o mais longo. E por aí ficamos pois ela tinha um namorado na altura. Na Eroica Heroica Hispania de 2017 e depois de muita chuva a Maria estava á espera de amigos que fizeram o percurso longo, eu vinha com eles. Era o homem mais feliz do mundo! Falamos mais um pouco e durante o Inverno também estivemos em contacto. Fomo-nos encontrando em Espanha e também em Itália  e na Primavera apaixonamo.nos. Em Abril deste ano fomos a Roubaix onde a Maria tentou pela primeira vez andar numa bicicleta de estrada moderna. Divertimo-nos muito nessa altura. Desde esse dia começamos a pensar que a Maria poderia na próxima Eroica Hispania tentar fazer o percurso grande, um sonho que estava no nosso coração. Esta Eroica hispania foi a primeira que fizemos juntos !!! Recentemente a Maria recebeu de presente uma bicicleta clássica muito bonita, uma Zeus, Uma autentica bicicleta espanhola, mais leve e rápida que a que tinha anteriormente. Quem lha ofereceu foi David, o nosso amigo que é responsável por toda a nossa história. Este ano já fizemos uma viagem de Milão a Veneza, para que Maria treinasse um pouco mais, em Maio , na Eroica Montalcino já fez os 120 Kms. A Maria é muito forte de corpo e cabeça, tem muito espírito de sacrifício e anda muito bem de bicicleta. Assim nesta Eroica Hispania, saimos ás 6 da manhã e tentamos fazer o percurso maior,190 Km, connosco iam os nossos amigos David e Ricky que é Inglês. Tivemos alguns problemas mecânicos pelo caminho mas fizemos tudo com muita calma. Fomos os últimos e chegamos por volta das 21,30. Estávamos muito felizes pois tínhamos conseguido chegar antes do por do sol o que era o nosso objectivo. A Maria esteve sempre  muito bem disposta e divertida durante todo o percurso. No final nem parecia cansada. Foi a primeira vez que cruzamos uma linha de meta juntos, foi a realização de um sonho. Muitos amigos nos esperavam, esperavam os últimos, este casal, esta rapariga tão forte. Creio que Maria terá sido a primeira rapariga “Riojeana” a concluir este percurso. No final bebemos uma cerveja com amigos de todo o mundo.Com todos os amigos que nos esperavam. Amigos de Barcelona, de Cenicero, de Inglaterra, de Roma, de Brooklyn, de Lisboa...Estavamos muito felizes.Todos nos reveremos em Gaiole...Para mim a eroica Hispania é a mais autentica, a mais bonita. Tem todo o espírito de Giacarlo Brocci e de Luciano Berruti. A Eroica é uma grande família.

Maria goes to Eroica Hspania since the first edition, Paolo since 2012 went to all in Italy and also has come to Spain. They love the spirit of the event, without competition and much conviviality and respect among all.

LC- What do you like the most in the Eroicas?

Paolo - We like everything, the environment, not only during the race but also the day before. It's a spectacular setting. People from all over the world respect each other and admire each other. We also like the wool sweaters and old bikes, all this has something very special. We also enjoyed the route, with a well preserved and authentic "white road" (gravel). We like the ecological aspect to preserve the environment and these natural paths, the good and tasty food, the recovery of old bicycles, simpler but more beautiful, and above all the magnificent atmosphere of friendship.

LC- How did you two meet?

Q- We met in June 2016 in Cenicero, in the second edition of Eroica Hispania. In the month of May I had met, a friend of Maria's, in the Spring Eroica in Tuscany, and after drinking a beer in the end he invited me to go to Eroica Hispania. And so it was. In June I picked up a bus with more friends who were going to Eroica Hispania, Giacarlo Brocci and his children were also on the bus, and we went to Spain. 1500 km to go, 1500 km to go back !!I met Maria in a wine cellar with a glass of Rioja in her hand and we talked a little. Maria made the shortest trip that year and I the longest. I told her that I would have to do the longest  at least once in my life. And that was it, because she had a boyfriend at the time.In Eroica Heroica Hispania in 2017 and after much rain Maria was waiting for friends who made the long journey, I came with them. I was the happiest man in the world! We talked some more and during the winter we were also in touch. We were meeting in Spain and also in Italy and in spring we fell in love.In April of this year we went to Roubaix where Maria tried for the first time to ride a modern road bike. We had a lot of fun then.From that day we began to think that Maria could at the next Eroica Hispania try to make the great journey, a dream that was in our heart. This Eroica Hispania was the first one we did together !!! Maria recently received a very beautiful classic bicycle, a Zeus, an authentic Spanish bicycle, lighter and faster than the one she had previously. The one who offered it to us was David, our friend who is responsible for our entire history. This year we have already made a trip from Milan to Venice, so that Maria could train a little more, in May, at Eroica Montalcino she already made the 120 Kms. Maria is very strong of body and mind, she has a true spirit of sacrifice and rides very well. So in this Eroica Hispania, we left at 6 in the morning and tried to make the biggest route, 190 km, with us went our friends David and Ricky who is English. We had some mechanical problems on the way but we did everything very calmly. We were the last ones and we arrived around 21.30. We were very happy because we had managed to arrive before sunset and that was our goal. Maria was always very well-disposed and fun during the whole trip. In the end she did not even look tired. It was the first time we crossed a finish line together, it was the realization of a dream. Many friends were waiting for us, waiting for the last, this couple, this strong girl. I think Maria was the first "Riojeana" girl to complete this course. In the end we drank a beer with friends from all over the world. With all the friends who were waiting for us. Friends from Barcelona, enicero, England, Rome, Brooklyn, Lisbon ... We were very happy. We will all return to Gaiole ...For me eroica Hispania is the most authentic, the most beautiful. It has the spirit of Giacarlo Brocci and Luciano Berruti. Eroica is a great family.

Os 7 Magníficos/The Magnificent 7

DSCF1455.jpg

Fizeram quase 600 Km para ligar Barcelona a Cenicero. Vieram de varias partes de Espanha para se juntarem nesta aventura. Em Barcelona irá abrir brevemente o primeiro Eroica Café fora de Itália e isso merecia ser comemorado.

They made almost 600 km to arrive from Barcelona to Cenicero. They came from various parts of Spain to join in this adventure. In Barcelona will open soon the first Eroica Café outside of Italy and this deserves to be celebrated.

Não se conheciam todos uns aos outros e vieram de vários locais de Espanha. O primeiro dia  foi muito duro mas depois tudo se foi alterando com a beleza das paisagens e com a camaradagem dos companheiros de viagem, com o esforço que cada um fez. O segundo dia  já custou menos, já faltavam menos quilómetros e a iam-se conhecendo melhor uns aos outros. Todos se entreajudavam. Foi uma viagem em “que cada dia fizemos uma Eroica”  por caminhos de terra , por caminhos tranquilos, a mesma filosofia da Eroica em cada dia , em cada quilómetro, visitando e conhecendo locais até chegar a Cenicero para participar na “Eroica Hispania”.  6 homens e uma mulher  que se sentiu como uma princesa de quem todos tomavam conta, a quem todos protegiam.

They did not know each other and came from various places in Spain. The first day was very hard, but then everything changed with the beauty of the scenery and the comradeship of the fellow travelers with the effort that each one made. The second day already was less hard, with less miles to travel and they knew each other better. Everyone was helping each other. It was a trip where "every day we made an Eroica" by paths of land, by quiet paths, the same philosophy of Eroica every day, every kilometer, visiting and knowing places until arriving at Cenicero to participate in "Eroica Hispania". 6 men and one woman who felt like a princess of whom everyone was taking care of, whom everyone protected.

Eroica Café/ Barcelona

DSCF1477.jpg

Miguel, Eroica café, Barcelona

Porquê abrir um café Eroica?

Miguel . Porque irá ser um local de encontro de todos os amantes de Eroica . Será um local permanente de partilha e de convívio. Onde se falará de bicicletas e de muitas outras coisas. É uma maneira de recuperar e essência dos bares antigos, um lugar onde possas conversar sobre tudo.

Pensas que será possível transmitir todo este espírito da Eroica?

Absolutamente. A Eroica tem muita essência , á Eroica vai a pessoa que gosta de desfrutar das paisagens, dos percursos, de desfrutar verdadeiramente da bicicleta., de conviver. É isso  que encontrará no “Eroica Cafe”. No Eroica Café vão suceder eventos que têm a ver com ciclismo, com comida, não com gastronomia, mas com comida verdadeira. A força da Eroica não tem só a ver com pedalar , tem também a ver com a sua ligação á terra,  á região, á comida. Da mesma forma que o aço é importante em relação ao ciclismo para nós será importante recuperar a tradição da boa comida.  O que queremos fazer é uma Eroica permanente. É um pouco como trazer a Eroica do mundo rural para o mundo urbano. Uma coisa que me apaixonou  e impressionou a primeira vez que fui á Eroica foi que estavam pedalando juntas pessoas que nada tinham que ver umas com as outras. Pessoas completamente diferentes em tudo. Desde o ciclista que paga uma fortuna por uma bicicleta ao jovem que tira a o pó á bicicleta do seu avô há muito guardada, desde o mais  novo ao mais velho, gente muito diferente que pedala junta. Em harmonia. É este o espirito que queremos no Eroica café.

Why open an Eroica coffee?

Because it will be a meeting place for all lovers of Eroica. It will be a permanent place of sharing and conviviality. Where you will talk about bicycles and many other things. It is a way of recovering the essence of the old bars, a place where you can talk about everything.

Do you think it will be possible to convey this whole spirit of Eroica?

Absolutely. Eroica has a lot of essence, in Eroica participates the person who likes to enjoy the landscapes, the routes, to truly enjoy the bicycle., To live. That's what you'll find at "Eroica Cafe". At Eroica Café events will happen that have to do with cycling, with food, not with gastronomy, but with real food. The strength of Eroica is not just about pedaling, it has to do with its connection to the land, the region, the food. Just as steel is important in relation to cycling for us it will be important to regain the tradition of good food. What we want to do is a permanent Eroica. It's a bit like bringing Eroica from the rural world to the urban world. One thing that struck me and impressed me the first time I went to Eroica was that they were pedaling together people who had nothing to do with each other. Completely different people at all. From the cyclist who pays a fortune for a bicycle to the young man who dusts his grandfather's bicycle for a long time, from the youngest to the oldest, very different people who pedal together. In harmony. this is the spirit

Willy

DSCF1374.jpg

Wily é o estratega, é a alma de Eroica Hispania. Está em todo o lado. Todos querem falar com ele e ele fala com todos. Willy não para. No Briefing que faz no dia antes da prova é duma eficiência incrível, explicando , respondendo a perguntas, esclarecendo. Explica tudo em Espanhol, em Inglês e em Italiano. Mas não está só, tem uma grande equipa com ele. É espantoso observar como Willy e toda a sua equipa trabalha.

Wily is the strategist, he is the soul of Eroica Hispania. He is everywhere. Everyone wants to talk to him and he talks to everyone. Willy does not stop. In the Briefing he gives the day before the route you can see his incredible efficiency, explaining, answering questions, clarifying. He explains everything in Spanish, English and Italian. But he is not alone, he has a great team with him. It's amazing how Willy and his team work.

DSCF1365.jpg

LC - Como correu a Eroica Hispania 2018 ?

WIlly - Foi a melhor até ao dia de hoje.

LC - quantos Participantes?

W-844

LC - Quantas participantes do sexo feminino.

W- 14% eram Mulheres

LC- Quantos Portugueses ?

W - Cinco.

LC- Qual a idade do participante mais velho ?

W- Adolfo Bello, nasceu em  1933

LC – O que mais gostaste na organização de este ano?

W - As paisagens, a Rioja este ano está bela como nunca. E adoro a equipa que tenho, sem eles seria impossível ter um evento assim. E ainda hão-de chegar mais.

LC- Foi muito emotiva a homenagem a Luciano, em que pensas quando pensas nele?

W- Felicidade !!

LC - How was Eroica Hispania 2018?

WIlly - It was the best until today.

LC - how many Participants?

W- 844

LC - How many female participants.

W -14% were Women

LC- How many Portuguese?

Five.

LC- How old is the oldest participant?

W-Adolfo Bello, was born in 1933

LC - What do you like most about this year's organization?

W - The landscapes, Rioja this year is as beautiful as ever. And I love the team I have, without them it would be impossible to have such an event. And more will come.

LC- It was a very emotional homage to Luciano, what do you think of when you think about him?

Happiness !!

 

 

 

Eroica Hispania 2018 ( Parte 2 )

Uma Eroica sem o seu Herói?

DSCF1257.jpg
DSCF2074.jpg
DSCF1500.jpg
DSCF1583.jpg

Peço que me desculpe o escriba mas este titulo não está correto . Luciano esteve presente, sempre , no coração de todos.  Luciano estava por toda a parte. Estava no pensamento de todos e de certeza  que as ruas e os becos de Cenicero o sentiam. Que se  lembram das passagens de Luciano e da sua bicicleta, quando eram um só, do ruído das rodas antigas contra as calçadas gastas, do sorriso de Luciano e da sua simpatia e boa disposição. Do seu carisma. Cenicero recordou Luciano, os amigos recordaram Luciano, quem mal o conhecia mas conhece o seu legado pensou em Luciano. A organização fez homenagens simples, mas tocantes  e sinceras. Luciano esteve presente. Luciano fez parte da Eroica Hispania 2018.

I apologize this  title is not correct. Luciano was always present in everyone's heart. Luciano was everywhere. It was in  the thought of everyone and I’m sure that the streets and alleys of Cenicero felt him also. They reminded Luciano and his bike's rides, the noise of the old wheels against the worn sidewalks, of Luciano's smile and of his sympathy and good disposition. Of his charisma. Cenicero remembered Luciano, his friends remembered Luciano, those who barely knew him but know his legacy thought of Luciano. The organization made simple but touching and heartfelt tributes. Luciano was present. Luciano was part of Eroica Hispania 2018.

E depois Jacek. A mesma simplicidade de Luciano, a mesma simpatia e ternura. Simpatia e ternura que por todos ia distribuindo. Dava e recebia abraços, tirava fotografias, cumprimentava e conversava. De modo natural convivia com todos. O seu modo simples e  sincero a todos conquistava. Jacek parecia que seguia os passos de seu pai pelas estreitas ruas de Cenicero, que escutava os ruídos da sua bicicleta e que entendia tudo o que as pedras lhe diziam.

And then Jacek. The same simplicity of Luciano, the same sympathy and tenderness. Sympathy and tenderness that everyone received. He would give and receive hugs, take photographs, greet and talk. Naturally he mingled with everyone, his simple and sincere way of conquering them all. Jacek seemed to follow in his father's footsteps along the narrow streets of Cenicero, who listened to the sounds of his bicycle and understood everything the stones told him.

 

DSCF1522.jpg

Os passos de seu pai, as suas pedaladas eram agora as dele. Como se o seu pai estivesse presente em cada esquina, em cada banco de jardim em cada viela. E ele percebia-o. A herança lendária de Luciano está bem entregue e Jacek será, pela sua simplicidade, pela sua simpatia e por mérito próprio o numero 1 de todas as Eroicas.

His father's footsteps, his pedals were now his. As if his father was present at every corner, on every garden bench in every alley. And he sensed it. Luciano's legendary heritage is well delivered and Jacek will be, for his simplicity, his sympathy and his own merit the number 1 of all Eroicas.

O legado de seu pai não poderia estar melhor entregue. Luciano Berruti, que deve andar na brincadeira no céu dos ciclistas e das bicicletas, metido numa divertida fuga ao lado de Gino Bartali e de Fausto Coppi, deve estar extremamente feliz e orgulhoso observamdo, com o seu sorriso matreiro, o seu filho Jacek.

His father's legacy could not have been better delivered. Luciano Berruti, who must be joking in the skies with cyclists and bicycles, in an amusing escape with Gino Bartali and Fausto Coppi, must be extremely happy and proud to observe, with his sly smile, his son Jacek.

Eroica Hispania 2018 ( Parte 1 )

f5ff86689a18b505d6e5c75155e7838ce7b2c29a.jpg

 A sua forma física não era a melhor e vinha extenuado, para ele a subida parecia uma parede que  tentava escalar empurrando a sua bicicleta como um fardo. Cada passo que dava lhe parecia o ultimo antes de se sentar no chão devido ao cansaço. Por ele passou, ainda em cima da sua bicicleta, uma outra participante que  tentava subir, já aos “esses” e em grande esforço, a desafiante subida. Sentiu as poucas forças que tinha  ressuscitarem e gritou-lhe “força, não desistas, estás quase” e correndo atrás  deu um pequeno empurrão à outra participante para a  ajudar um pouco  a chegar ao topo.  Ela conseguiu e ele ficou feliz por ter ajudado.

Este é o espírito da Eroica. Este é o espirito da Eroica Hispania e de todas as Eroicas que se realizam no mundo inteiro.

 His physical shape was not the best and he was exhausted, for him the climb looked like a Wall, it was like trying to climb pushing his bicycle like a bale. Every step he took seemed to him the last, before he sat down on the floor because of his tiredness. Another one passed by him,  still on top of his bicycle, another participant who tried to climb, already making  "SS sways" and in great effort, the challenging ascent. He felt the few forces he had being resurrected and shouted "go on,! do not give up, you're almost there" and running behind him he gave a little shove to the other participant to help him to reach the top. He succeeded and he was happy to have helped.

This is the spirit of Eroica. This is the spirit of Eroica Hispania and of all the Eroicas that take place all over the world.

DSCF1980.jpg

Participar numa “Eroica” não é apenas participar em mais uma prova de ciclismo, em mais uma manifestação desportiva ou em mais um passeio. Participar numa “Eroica” é muito mais que isso, é participar num acto de amor ás bicicletas , á tradição, á cultura, á amizade e ao companheirismo.  Participar numa “Eroica” é partilhar a alegria e o sofrimento, é partilhar as excelentes paisagens e as dificuldades dos percursos.  É partilhar os raios de sol que nos aquecem mas também, e com gosto , a chuva que nos molha e encharca as roupas e os sapatos, que nos ensopa até aos ossos, mas que também nos lava a alma e restablece. É partilhar a alegria do reencontro ou de conhecer amigos novos, é partilhar uma refeição e beber um copo de bom vinho em boa companhia. É partilhar experiencias e paixões, é  esforçar-se de forma incondicional  apenas  por objectivos  tão simples como sejam a participação, a partilha ou a superação de si próprio. É participar num evento onde se dá valor ao esforço apenas pela beleza de o fazer.

Participating in an "Eroica" is not only to participate in another cycling event, another sporting event or another tour. To participate in "Eroica" is much more than that, it is to participate in an act of love for bicycles, tradition, culture, friendship and companionship. To participate in an "Eroica" is to share the joy and the suffering, is to share the excellent landscapes and the difficulties of the routes. It is to share the rays of the sun that warm us but also the rain that dampens us and soaks our clothes and shoes, which weaves to the bones, but which also cleanses our soul and restores us. It is sharing the joy of reunion or meeting new friends, is sharing a meal and drinking a glass of good wine in good company. It is sharing experiences and passions, and striving unconditionally only for objectives as simple as participation, sharing or overcoming yourself. It is to participate in an event where the effort is valued only for the beauty of doing it.

IMG_8994.jpg

Eroica Hispania 2018

Cenicero, La Rioja. Hispania

IMG_9006.jpg

A “Eroica hispania 2018” realizou-se nos dias 2 e 3 de Junho em Cenicero. Cenicero fica situada na belíssima região da  La Rioja em Espanha, já junto ao País Basco. É uma pequena e bonita vila com 2176 habitantes que vive essencialmente da agricultura  com grande destaque para a produção de vinho ou não foose esta a mais importante região vinícola de Espanha e uma das mais importantes do mundo. As suas ruas são estreitas com casas cor de terra e tem na sua praça principal um bonito coreto. É nessa praça principal que tem inicio e fim a Eroica Hispania. São essas ruas estreitas  cor de terra que recebem calorosamente quem visita Cenicero nestes dias.

The "Eroica hispania 2018" was held on 2 and 3 June in Cenicero. Cenicero is located in the beautiful region of La Rioja in Spain, near the Basque Country. It is a small and beautiful village with 2176 inhabitants that lives mainly from agriculture with great prominence for the production of wine , one of the most important wine regions of Spain and one of the most important in the world. Its streets are narrow with earthy houses and it has in its main square a beautiful bandstand. It is in this main square that begins and ends the Eroica Hispania. These earthy narrow streets  are the ones that warmly welcome anyone visiting Cenicero these days.

DSCF1231.jpg
DSCF1173.jpg
DSCF1209.jpg

Cenicero fica engalanada para o efeito e por todo o lado se vêm bicicletas andando de um lado para o outro. Ciclistas ocupam ruas, praças , restaurantes e esplanadas . Os hotéis da região enchem-se de hóspedes e o relvado das piscinas locais de campistas. Pela ruas sente-se o clima de festa, de convívio entre todos.

Cenicero is “dressed up” out for this purpose and everywhere you see bicycles. Cyclists occupy streets, squares, restaurants and terraces. Hotels in the area are filled with guests and the lawns of local campers' pools. The streets feel the atmosphere of partying, of conviviality among all.

 

DSCF1319.jpg
DSCF1250.jpg
DSCF1260.jpg
DSCF1296.jpg
DSCF1282.jpg
DSCF1299.jpg
DSCF1324.jpg
DSCF1489.jpg
DSCF1361.jpg

Sábado é o primeiro dia desta festa de Bicicletas, vão chegando cada vez mais pessoas e a animação vai sendo cada vez maior.  Visitam-se bancas de venda de material usado, de bonitas bicicletas que tanto gostávamos de levar para casa, das tão cobiçadas  e apetecidas camisolas de lã. É difícil resistir a tanta solicitação visual. Para nós Portugueses , que não estamos habituados a tanta oferta nesta área é complicado resistir. 

Saturday is the first day of this Bicycle party, more and more people are coming and the animation is getting bigger and bigger. There are stalls selling used material, beautiful bikes we loved to take home, and the coveted and desirable wool sweaters. For us Portuguese, who are not accustomed to so much supply in this area it is difficult to resist to buy everything.

Por todo o lado se encontram bicicletas e pormenores bonitos...por todo o lado se respira a cultura da bicicleta .

Everywhere you will find beautiful bikes and details ... everywhere you breathe the culture of the bicycle.

DSCF1170.jpg
DSCF1351.jpg
DSCF1375.jpg
DSCF1618.jpg
DSCF1633.jpg
DSCF1636.jpg

Ao final da tarde as pessoas vão-se juntando nas esplanadas dos cafés e Restaurantes. Pessoas de diferentes nacionalidades convivem de forma descontraída bebendo uma cerveja ou um copo de vinho, saboreando as  famosas “tapas” espanholas. As pessoas da Vila saem á rua e também elas entram em franco convívio com os visitantes. A alegria instala-se por todas as ruas e praças, o ruído das conversas e das gargalhadas contagia-nos.

At the end of the afternoon people gather in the cafes and restaurants. People of different nationalities live together in a relaxed way drinking a beer or a glass of wine, savoring the famous Spanish tapas. The people of the village go out on the street and they also come into open contact with the visitors. The joy settles in all the streets and squares, the noise of the conversations and the laughter contagious us.

DSCF1343.jpg
DSCF1246.jpg
DSCF1493.jpg

Foi também no sábado que teve lugar o momento mais emocionante deste fim de semana, a homenagem a Luciano Berruti, aquele que será sempre o eterno numero 1 . Foi projetado o documentário sobre Luciano, onde está patente a grandeza da sua Humanidade e toda a ternura que colocava no que fazia, todo o amor que tinha para dar.  Todos tivemos oportunidade de mais uma vez perceber como é que um homem com a sua idade é  considerado unanimemente o grande "Eroico". Aqui o “Herói” não é apenas a grande figura atlética que todos vence, que todos veneram pela sua pujança fisica, quantas vezes batoteira, aqui o grande “Herói” é muito mais que isso e outras qualidades são mais importantes. Honestidade, entrega, amizade, dedicação, determinação e esforço, simpatia, amor, tudo isto Luciano nos transmitia, tudo isto era e é  Luciano e tudo isto é a Eroica. Foi  extremamente comovente assistir a este documentário onde esteve presente o seu filho Jacek que tão bem o representou.

It was also on Saturday that took place the most exciting moment of this weekend, the homage to Luciano Berruti, who will always be the eternal number 1. The documentary about Luciano shows the greatness of his Humanity and all the tenderness that he put in what he did, all the love he had to give, is evident. We have all had an opportunity once again to see how a man of his age is unanimously considered the great "Eroico". Here the "Hero" is not only the great athletic figure that everyone wins, who all venerate for their physical strength, here the great "Hero" is much more than that and other qualities are more important. Honesty, dedication, friendship, determination and effort, sympathy, love, all this Luciano transmitted to us, all this was and is Luciano and all this is Eroica. It was extremely touching to watch this documentary where his son Jacek was present who so well represented him.

O grande dia

DSCF1528.jpg

São 5,15 da manhã de Domingo. O centro de Cenicero ainda está deserto. Apenas os membros  da organização trabalham qual silenciosas formigas para que tudo esteja pronto as 6,00 quando começarem a partir os  que vão fazer o percurso grande. São 3 os percursos da Eroica  Hispania, que é considerada a mais dura de todas. O primeiro tem 69 Km de extensão com 1200 metros de desnível, o segundo 139 Km e o terceiro 193 Km com 3349 metros de desnível.

It's 5:15 am on Sunday morning. The center of Cenicero is still deserted. Only the members of the organization work quietly like ants so that everything is ready at 6.00 when those who will make the great journey will start. Eroica Hispania has 3 routes.. The first is 69 km long with 1200 meters of unevenness, the second 139 km and the third 193 km with 3349 meters of unevenness.

94ccbae98cff2afc1d639cbb802c0f11da93e675.jpg

“Coisa pouca”, dirão os menos atentos, “coisa nada pouca “dirá quem participa. É preciso lembrar que estes percursos serão feitos em bicicletas antigas, bicicletas em aço. Que descerão montes e subirão colinas, que serão feitos maioritariamente por estradas de terra, que com a chuva se transforma em barro , e gravilha .  Mas "coisa nada pouca" sobretudo porque a experiencia é extraordinariamente bela, seja pela beleza dos caminhos e das paisagens seja pela franca e calorosa camaradagem. “Coisa pouca” é que não é, pois o dia é cheio de emoções, é cheio de tenacidade e de paixão Um dia perfeito nunca será “coisa pouca”.

"Little thing", the less attentive will say, "nothing at all" will say who participates. It is necessary to remember that these routes will be made in old bicycles, steel bicycles. That hills will come down and hills will rise, that will be travelled mostly on dirt roads, which with the rain turn into clay, and gravel. But "nothing at all", especially because the experience is extraordinarily beautiful, whether for the beauty of the paths and landscapes or for the frank and warm camaraderie. "A little thing" is what it is not, because the day is full of emotions, it is full of tenacity and passion A perfect day will never be. a "little thing".

Por volta das 5,50 começam a chegar os primeiros participantes, vão partir para o percurso grande, o percurso dos “eroicos”. As luzes noturnas da praça ainda estão ligadas mas o dia começa a despontar. A pequena  mas bonita e acolhedora carrinha dos cafés “Baque” abre as suas portas e começa a distribuir o seu saboroso e reconfortante café. Contra todas as previsões parece que afinal não chove. Willy Mulonia, director da Eroica Hispania, é um homem feliz “Não vai chover eu sempre acreditei que não chovia"!!. E quem acredita desta forma, quem faz as coisas com tal entusiasmo, merece ser recompensado pela natureza. E Willy foi.

Around 5.50 the first participants begin to arrive, they will leave for the great route, the route of the "eroicos". The night lights of the square are still on but the day begins to dawn. The small but beautiful car of the "Baque" cafe opens its doors and begins to distribute its tasty and comforting coffee. Against all predictions it seems that after all it does not rain. Willy Mulonia, director of Eroica Hispania, is a happy man "It will not rain I always believed it would not rain !!". And whoever believes in this way, whoever does things with such enthusiasm deserves to be rewarded by nature. And Willy was.

Para ser considerado um verdadeiro “Eroico” é necessário conseguir  percorrer  o percurso grande numa bicicleta antiga, em aço. Percorrendo montes e vales, estradas secundarias, estradas de terra e gravilha, (não, o “Gravel” não foi inventado agora, como muitos pensarão) como faziam antigamente os ciclistas que participavam em grandes provas. Onde o esforço era puro e imenso, onde participar num evento ciclista era como participar numa grande aventura, de grande sofrimento mas também de grande paixão e entrega.  Uma aventura para verdadeiros Heróis. O “Eroico” levanta-se de manhã muito cedo pois parte por volta das 6 da manhã e antes da partida ainda há que comer algo e dar os últimos retoques na bicicleta . Ás 6,00 partem e se uns chegam cedo outros já só chegarão quando a noite também voltar a chegar. Para se participar numa “Eroica” não é necessário participar no percurso mais longo, existem  2 percursos, mais fáceis para que muito mais ciclistas possam participar. Nunca é um desafio fácil mas estes são muito mais adquados para quem não está habituado a tão grande esforço.

To be considered a true "Eroico" it is necessary to be able to cross the great route in an old bicycle, in steel. Going through mountains and valleys, back roads, dirt roads and gravel, (no, the "Gravel" was not invented now, as many will think) as did cyclists who participated in major events. Where the effort was pure and immense, where to participate in a cycling event was like participating in a great adventure, of great suffering but also of great passion and dedication. An adventure for true Heroes. The "Eroico" gets up very early in the morning because he leaves around 6 in the morning and before the departure there is still something to eat and to prepare the bike. At 6.00 they leave and if some arrive early, others will arrive only when the night comes again. To participate in an "Eroica" is not necessary to participate in the longest route, there are 2 routes, easier so that many more cyclists may participate. It is never an easy challenge but these are much more suitable for those who are not used to such a great effort.

E vão partindo. Sozinhos, aos pares ou em grupo.  Vão partindo felizes porque o dia promete ser perfeito.

And they leave. Alone, in pairs or in groups. They leave happily because the day promises to be perfect.

Na estrada

DSCF1816.jpg

"É tudo tão bonito, quando parece que não pode ser mais bonito fazemos uma curva e eis que nos deparamos com uma beleza ainda maior"

"It's all so beautiful, when it looks like it can not be more beautiful we make a turn and here we come across an even bigger beauty"

Marie Vieira. Portugal

IMG_9008.jpg
IMG_9011.jpg
IMG_9028.jpg

A região da Rioja e lindíssima e o percurso magnifico. A beleza do percurso absorve-nos e não se consegue pensar em mais nada que não seja disfrutar e sorver cada momento. As paisagens mudam constantemente. A companhia é perfeita. Toda a gente está  em sintonia e imbuída deste espírito  de conquista e de esforço apenas  pelo prazer de o fazer,  de conseguir de forma sã superar os obstáculos. Deste espírito de amizade e partilha . De vez em quando  paramos, apenas para saborear e apreciar ainda melhor. Para, juntos, admirarmos todo o esplendor que nos rodeia.

The region of Rioja is beautiful and the route magnificent. The beauty of the course absorbs us and we can not think of anything other than enjoying and sucking every moment. The landscapes change constantly. The company is perfect. Everyone is in tune and imbued with this spirit of conquest and effort only for the pleasure of doing it, of succeeding in overcoming obstacles. Everybody lives this spirit of friendship and sharing. From time to time we stop just to savor and enjoy it even better. Together, let us admire the splendor that surrounds us.

 

E eis que chega o reconfortante e esperado abastecimento. Boa comida e não menos boa bebida. Neste caso a água é a mais bem vinda, mas não faltam os sumos variados, e claro o bom vinho da Rioja. Não faltam também as excelentes iguarias com as varias tortilhas, os queijos e os presuntos. E sobretudo é uma ocasião de convívio entre todos. Não há pressas, ninguém tem de ganhar a ninguém. Os acompanhantes dos participantes também se juntam á festa. O local é de reencontro e de  confraternização.  E um bom Espanhol, um bom Português ou um bom Italiano adoram fazer isso junto a uma mesa com boa comida e bebida.

And here comes the comforting and awaited supply. Good food and not less good drink. In this case the water is the most welcome, but the juice is varied, and of course the good Rioja wine. There are also excellent delicacies with the various tortillas, cheeses and hams. And above all it is an occasion of socializing among all. There is no hurry, no one has to beat anyone. The attendants of the participants also join the party. The place is for reunion and fraternization. And a true Spanish, a true Portuguese or a true Italian love doing this next to a table with good food and drink.

E regressamos  á estrada, de  estômago aconchegado e alma cheia.

And we return to the road, with a cozy stomach and full soul.

Na chegada as palmas, os abraços, os beijos, as felicitações.  O prazer da conquista. A felicidade das coisas simples.

On arrival the palms, the hugs, the kisses, the congratulations. The pleasure of conquest. The happiness of simple things.

Fim da 1ª Parte/end of the first part

Passeio Cenas a Pedal/MUBI.

Foi fantástico o passeio organizado pela "Cenas a Pedal" e pela MUBI. Passeio pela zona Oriental de Lisboa, onde se têm criado excelentes condições para a mobilidade suave e passando por locais que eu enquanto Lisboeta mais ou menos conhecedor nem sequer conhecia. Como é o caso da Quinta Conde dos Arcos, um excelente espaço verde que convido a visitar. Um passeio em excelente companhia, com muitos pais e muitas crianças e até dois pequenos e simpáticos  cachorros, um passeio de família e amigos que gostam de bicicletas e que partilham  o que de melhor existe na Bici-cultura.. É deste tipo de passeios que Lisboa e Portugal muito precisam, que celebram a bicicleta e o prazer de com ela partilhar excelentes momentos. Que promovem verdadeiramente o seu uso e a sã camaradagem.  Não podia também ter tido melhor escolha o local para o tão aguardado pic-nic, a Mata de Alvalade, outro excelente espaço verde da nossa cidade.  Aqui se comeu e bebeu, aqui se partilharam também coisas doces e boas  e sobretudo as mais importantes que são a camaradagem e a amizade entre todos. Excelente a todos os níveis este passeio que serviu também para angariar fundos para a casa da Bicicultura, um projecto muito importante que todos esperamos venha a ser uma realidade em breve. Obrigado a todos que organizaram e participaram neste passeio. PS. estas são as fotografias possíveis de quem apenas levou um telémovel e deixou a máquina em casa. A última foto foi amavelmente tirada pelo Bruno Mendes.

Rua do Ouro.

Família

IMG_8602.jpg

Pode não parecer mas esta fotografia diz muito. Não pela sua qualidade, foi feita com um telemóvel em segundos na Rua do Ouro, mas pelo que representa em termos de mudança. Da mudança que lenta mas de forma constante e progressiva se vai fazendo na nossa cidade. Há uns tempos atrás era impossível uma fotografia desta informalidade nas ruas de Lisboa. Cada vez isto é mais natural, cada vez a mudança se torna mais visível. Será que estas crianças queriam ir antes no "conforto" do automóvel? A mim não me parece mesmo nada.

Calhas que dão jeito.

IMG_8062.jpg

Há dias numa página de facebook alguém questionava a utilidade destas calhas colocadas em algumas passagens com escadas em Lisboa. Esta ciclista levava uma bicicleta bem carregada na frente e na traseira, ia com certeza trabalhar e utilizava a bicicleta como meio de transporte, sem estas calhas não conseguiria subir as escadas. Também eu as utilizo com frequência e dão mesmo muito jeito

Ardenne Bags

_F5A0523.jpg

Podia falar-vos apenas da qualidade e da beleza das malas Ardenne, que têm este nome devido ao facto da Marie ter nascido nesta zona de França, faria isso se falasse  apenas uma marca de malas e sacos bons e bonitos mas a marca Ardenne é muito mais que isso.  São sacos feitos manualmente  por alguém que gosta mesmo muito de bicicletas, de andar nelas e sobretudo que coloca muito amor no que faz. Os sacos Ardenne para além de muito bons, úteis e bonitos nunca são iguais, são personalizados e valorizam, e de que maneira, a nossa bicicleta.  A Marie faz tudo isto com paixão, com a mesma paixão com que usa e trata das suas bicicletas.  Essa é a grande diferença e isso é notório em casa saco, em cada mala que faz com as suas mãos. A Marie  é uma artesã da nova geração, das que não querem deixar estas artes morrerem. E ainda bem pois  faz com isso felizes os seus clientes e amigos. Apresento-vos a Marie Viera e a sua Ardenne.

_F5A0537.jpg

LC: Quando começaste a fazer malas e outros acessórios para bicicletas e porquê?

MV: Comecei a fazer malas há alguns anos, simplesmente porque precisava de uma. Tinha começado a usar a bicicleta para as minhas deslocações e precisava de uma forma de transportar as minhas coisas. Como já costurava roupa há alguns anos tinha algum material em casa e improvisei o resto. Devo dizerque não ficou grande coisa.... Mas serviu para alguém ver e se interessar, e pedir uns alforges caseiros. A partir daí vi que tinha algum potencial, melhorei os materiais, comprei uma máquina de costura dos anos 60 própria para o serviço e fui fazendo mais malas a pedido.

LC: Qual a diferença entre uma mala feita à mão e uma feita em série?

MV: Acho que a grande diferença está na produção em série vs produção artesanal ou mesmo em pequena escala. Todos os sacos que vemos foram cosidos por alguém, algures. Diria que a produção artesanal é mais intimista. Pode-se conversar com quem vai fazer o trabalho, pode se pedir algo mais personalizado. A nível humano é outro tipo experiência, muito diferente da de entrar numa grande superfície e comprar a mala genérica x ou y.

_F5A0460.jpg

LC: Que valorizas mais quando fazes uma mala?

MV: Quando faço uma mala valorizo o rigor. Gosto de fazer costuraras bonitas e direitas e de furar as correias todas bem alinhadas, por exemplo. Valorizo também o lado artesanal do processo, sei que mesmo fazendo dois modelos iguais, na mesma cor, nunca serão exatamente iguais, cada uma tem qualquer coisa que a diferencia.

LC: Que tipo de malas e acessórios fazes?

MV: Faço tudo um pouco. Ultimamente tenho feito muitas malas de guiador, de vários tamanhos. Mas também faço malas de selim, alforges, malas a tiracolo , rolos de ferramentas e em breve terei um modelo de mochila. Também já fiz malas com base em fotografias de anúncios antigos e meia dúzia de medidas. Na verdade só sou limitada pela imaginação e bom senso.

_F5A0457.jpg

LC: Que cuidados tens na escolha de materiais?

MV: Escolho materiais resistentes que envelheçam bem. Aqueles que quanto mais os usamos mais bonitos ficam, ganham carácter. Assim cada mala acaba por ganhar padrões de uso únicos, que só a tornam mais bonita

LC: Como nasceu o teu entusiasmo pelas bicicletas? Sei que tens uma história muito interessante de quando te inscreveste num fórum de bicicletas antigas e começaste a contactar com pessoas que tinham o mesmo gosto que tu, podes contarum pouco dessa história?

MV: Posso claro! É uma história longa, mas como pode servir a alguns e algumas aqui vai ela: Tudo começou quando regressei a casa depois de ficar desempregada e regressei “à terra”. Aqui as pequenas deslocações fazem-se de bicicleta, e na altura só tinha a minha bicicleta de adolescente, uma btt horrorosa já herdada da minha irmã mais velha. Era tudo mau: grande demais, pesada, selim desconfortável, gasta (faltam-lhe vários dentes na pedaleira, comidos pelo o uso) e cheia de folgas. Ainda assim fartei-me de andar com ela antes de ter a carta de condução, porque não tinha outro remédio. Precisava de ir às explicações, na altura também montava a cavalo e tinha de ir ao picadeiro etc etc. E como é óbvio detestava-a e detestava tudo o que tinha a ver com bicicletas. Nem pensar em voltar a pegar nela! Por isso comecei a procurar alternativas. E eis que alguém me oferece uma pasteleira que tinha ficado esquecia num alpendre durante 20 anos. Decidi que ia por aquilo a andar de novo e inscrevi-me no tal fórum português e mais tarde no fórum francês. Conheci muita gente extremamente simpática, que me ajudaram imenso na minha empreitada. Alguns tornaram-se amigos próximos, e ainda nos encontramos ara pedalar ou para conversar. Depois com a pasteleira comecei a ganhar gosto pela bicicleta ( imagina a desgraça que aquela btt era) e comecei a querer ir mais longe e a querer saber mais. Arranjei outra bicicleta, grande demais, uma demi-course motoconfort, mas que me deixava antever o que seria ter uma bicicleta mais ligeira do meu tamanho, e por isso comecei a andar atrás do graal. Graal esse que um dia chegou a minha casa, vindo de França, oferecido por um randonneur da velha guarda, que nunca conheci pessoalmente mas que tinha lá uma bicicleta que de tão pequena não servia a mais ninguém, e teve a generosidade de me enviar. E depois disso nunca mais parei de pedalar, mas desta vez por gosto, além das saídas utilitárias. Moral da história: muitas vezes, alguém que diz não gostar de andar de bicicleta simplesmente nunca experimentou uma como deve ser!

_F5A0534.jpg

LC: Achas que as bicicletas podem ser um elo de ligação de pessoas que não se conhecem e fomentar amizades?

MV: Tenho a certeza que sim. Conheci muita gente simpática à conta das bicicletas, e fiz imensos amigos. Mas há um senão: há tantas formas de se andar e gostar de bicicletas que para haver o tal elo de ligação os gostos velocipédicos têm de ser iguais ou pelo menos semelhantes.

LC: Que sinónimos encontrarias para a palavra bicicleta?

MV: Seriam: liberdade, descoberta, simplicidade.

_F5A0533.jpg

LC: O que sentes quando andas de bicicleta e onde mais gostas de andar?

MV: Quando ando de bicicleta sinto-me bem, descontraída, e alegre, especialmente quando o sol brilha etenho o vento de costas! Claro que há momentos mais difíceis, quando só queremos chegar ao fim da subida, ou que o vento mude de direção, mas esses não contam...Gosto principalmente de andar onde não há carros e pouca gente, onde não há barulhos “humanos”. Gosto de passar por sítios com paisagens interessantes e tenho um fraco por estradas de montanha, mesmo sabendo que acabo sempre por sofrer nelas.

LC: O que vês numa bicicleta antiga?

MV: Gosto das bicicletas antigas porque são bonitas, elegantes, simples, robustas e envelhecem bem. Como permanecem por muito tempo, ao longo dos anos podemos olhar para elas, passar a mão pelo selim e pensar “ já fomos juntos a este e aquele lugar, já chegamos a sítios onde nunca pensei que pudesse chegar”

_F5A0517.jpg

Estrela.

FIIR5121.jpg

Fim-de-semana grande com previsão de chuva e neve nas terras altas. Um óptimo fim-de-semana para ir com a “Cinzenta” à Serra  e á minha terra de adopção no sopé  da montanha. Cada vez me sinto mais em casa nesta região e á medida que sinto que Lisboa, a minha querida Lisboa onde nasci e vivo se vai transformando e de alguma forma afastando sinto que a Beira e o Interior se vão entranhando  cada vez mais em mim.  O sábado serviu para tratar de coisas  que se têm de tratar  quando se vai ao campo e para visitas de amigos.  Fomos nessa noite jantar a um dos melhores e mais agradáveis restaurantes da Região, “A lenda Viriato” em Unhais da Serra. Restaurante que recomendo vivamente pela sua singularidade e bom gosto, ou pela excelente comida e acolhimento. Um Restaurante fora do normal onde dá imenso prazer ir. Dizia-me há tempos um amigo que ”não vai comer fora por necessidade ou ter fome, vai pelo prazer de ir a um local agradável, onde se come uma comida diferente e de onde saímos reconfortados e bem dispostos” é este o caso da “Lenda do Viriato” . Aqui se comem iguarias como o Javali selvagem ou o fabuloso tornedó, as trutas e os excelentes produtos da região. Com ótimos acompanhamentos dos quais destaco o puré de maçã.  Todos os pratos são servidos com o requinte da época e parece que estamos sentados á mesa de um Rei a comer principescamente. Pelo meio ouvimos a história, ou uma versão da história de Viriato e dos seus feitos gloriosos contra o ocupante Romano enquanto saboreamos um dos excelentes vinhos da cada vez mais afamada região da “Beira”  ou nos deliciamos com uma tarte de abobora ou umas  "Papas de Carolo".

IMG_8169.jpg

A noite foi chuvosa e fria, invernal e o Domingo assim amanheceu. A Primavera  deve ter ido dar uma volta a qualquer lado, mas por ali não andava. Pelo menos até ao fim da tarde. Ainda assim arrisquei e por entre aguaceiros fortes e periodos de sol dei um dos passeios que mais gosto até perto das Minas da Panasqueira.  Quando o Sol dava um ar da sua graça as cores das flores saltavam e pairava no ar um perfume discreto mas bem perceptivel. As encostas floridas faziam-me parar e observar apenas por observar. A felicidade estava mesmo ali á mão.

IMG_8226.jpg

As rodas da Cinzenta rejubilavam quando aparecia o sol quente e o meu corpo e a minha mente, já tão farta de chuva, também. Chuva que tem sido uma bênção para as as ribeiras  e para  os rios que correm fartos de água distribuindo vida e abundância ás terras até há pouco ressequidas e secas. Agora é preciso que pare de chover para que os frutos amadureçam na sua doçura.

Montes Hermínios

Subir á Torre de bicicleta era um sonho antigo. Sempre achei muito difícil conseguir fazê-lo. Mas parece que com a idade tenho mais força de vontade. O esforço transformado em prazer,  a íngreme subida transformada numa singular, única e apaixonante paisagem e o facto de o conseguir ser apenas uma grande e maravilhosa vitória.

IMG_8293.jpg

E não poderia ter escolhido melhor dia para o fazer. Temperatura amena no sopé da Serra, sem vento e esfriando um pouco á medida que subia.

IMG_8301.jpg

Subir esta Serra com uma bicicleta em Aço pesada como um Burro,” Eh-lá tanto também não” diz a Cinzenta entre o divertido e o ofendido, “ sei que não tenho daqueles tubos especiais e mais não sei o quê mas também não sou assim tão pesada”!! Subir á Serra, dizia eu, antes de ser interrompido, com uma bicicleta destas,sem carbonos e afins, parece ser uma tontice das grandes, ainda por cima para um “rapaz” dos seus 54 anos .Mas não para mim, ou por outra, também ás vezes a mim me parece mas o prazer é indescritível e hoje não me veria a fazê-lo de outra maneira tal é o fascínio que tenho por este tipo de bicicletas. Bicicleta que é uma companheira e uma amiga, sobretudo para quem com elas rola solitariamente.

IMG_8307.jpg

Parte em terra batida da estrada Unhais da Serra-Torre.

IMG_8309.jpg

Subir devagar, apreciar cada momento, saborear. Parar um pouco para admirar um pequeno regato que corre livremente. Apreciar as Vacas comendo a erva fresca e verde, tentar encetar uma pequena conversa com elas, sim elas ouvem-nos e olham para nós por vezes com aquele ar de compaixão de quem nos considera tão inteligentes mas também, por vezes, tão tristes. São sensíveis e sábias as nossas amigas Vacas.

IMG_8308.jpg

Nas duas noites anteriores tinha nevado acima dos 700/800  metros e a neve que já via há muito ao longe começa a aparecer. Nunca tinha andado de bicicleta com neve, a sensação  de felicidade é indiscritível.

JLSF1181.jpg

Comoção, maravilhamento, felicidade. Apenas o pequeno senão de não ter com quem partilhar no momento tais sentimentos, era apenas eu e a Cinzenta, que não nos queixamos e somos muito felizes juntos mas que naquele momento gostaríamos de ter tido mais alguém com quem partilhar tais emoções...

IMG_8311.jpg

E, á medida que subimos, vai aparecendo cada vez mais neve, há muitos anos que a Serra da Estrela não estava assim e eu e a cinzenta com tanta sorte em ter o privilégio de testemunhar este momento.

IMG_8313.jpg

Pedalada atrás de pedalada vamos subindo e lembro-me da conversa da noite anterior na Lenda do Viriato, de como estas montanhas anteriormente se chamavam Montes Hermínios, das lutas gloriosas  pela independência. Do que devem ter sofrido soldados e povo nestes montes. Vou-me lembrando também dos pastores e outras gentes que outrora  percorriam estas terras por obrigação e necessidade, tempos muito duros nada comparados com a facilidade com que se percorrem hoje em dia, por simples prazer, estes caminhos.

IMG_8325.jpg

Passando o centro de limpeza de neve começa a parte mais complicada, o frio ainda não incomoda muito embora a temperatura já ronde 1 grau positivo, o vento é pouco mas começamos a ter pendentes mais acentuadas e a altitude começa a dificultar um pouco a respiração. Nada que amedronte as rodas cansadas da Cinzenta  ou as pernas dum Ciclista já algo idoso mas o facto é que tivemos de parar algumas vezes,  que aproveitavamos para apreciar a maravilhosa vista.

IMG_8315.jpg
IMG_8326.jpg
IMG_8331.jpg

E eis que chegamos á Torre cansados mas felizes. Na pequena subida que antecede a dita o muro de neve era alto como não se via há muitos anos. Pessoas incentivavam-nos dando palavras carinhosas e de espanto, outros batiam até palmas e tiravam fotografias. Uma senhora perguntou-me mesmo se queria um empurrão, ao que respondi com um enorme sorriso: "Agora que estou a chegar é que não"!!  Algumas pessoas estavam verdadeiramente espantadas e com alguma razão, é que afinal não é todos os dias que se  testemunha a chegada de dois idosos ao Alto da Torre.

IMG_8328.jpg

Chegados à torre sentimos pela primeira vez o frio,  a temperatura era de -2 Graus e estava algum nevoeiro.  Quando parei junto ao Centro Comercial de pouco interesse é que senti como estava frio. Toda a gente á minha volta vestida com roupa adequada e eu naquela figura. As minhas pernas tremiam e as rodas da Cinzenta também. Vesti á pressa  uma camisola mais grossa, dei a volta ao largo e comecei rapidamente a descer. E essa acabou por ser a parte mais dolorosa pois o frio e a intensidade da descida fizeram-nos sofrer um pouco mais que a subida.  Eu e a Cinzenta já não temos idade nem capacidade para tanta travagem, para tanto apelo á velocidade e para tanta curva e contra-curva.

LXAY0714.jpg
OGDP1267.jpg
IMG_8321.jpg
IMG_8269.jpg

Foi excelente este passeio que recomendo vivamente. Como já referi tive a sorte e o privilégio de o  fazer  num dia perfeito em todos os apectos. Aconselho  a que o façam em companhia e não sozinhos como o fiz. Com companhia tudo é mais fácil e divertido.  Tenham sempre atenção ao tempo que faz na Serra e ao facto deste mudar muito rapidamente em certas ocasiões. É imprescindível levar um agasalho pois as diferenças de temperatura podem ser muito grandes e descer não é a mesma coisa que subir em termos térmicos. Não esquecer de levar comida e de beber, isso é imprescidivel. Bons passeios.

Velo Corvo

Pedro, o artesão de bicicletas.

Estarão os artesãos a acabar? Estarão os ofícios que dependem do trabalho manual a acabar? Estarão para terminar as pequenas marcenarias, as pequenas carpintarias ou as pequenas olarias?  Enquanto houverem pessoas como o Pedro não. O Pedro trocou a Engenharia pelo engenho do fazer, numa arte que dá vida a coisas inanimadas. Tal como um Mestre Carpinteiro tem a sua carpintaria e dá nova vida à madeira ou um Mestre Oleiro tem a sua olaria onde transforma o barro em peças únicas, onde cria e da´ vida a objectos maravilhosos o Pedro tem a sua pequena oficina e todos os dias suja as suas mãos com o óleo das bicicletas. Todos os dias as suas mãos mexem no aço nobre de uma bicicleta antiga ou nas correntes e nos pedais que a ajudam a andar.  Tal como um Mestre Relojoeiro, tal como um Mestre Ceramista ou pintor ,tal como um Mestre Marceneiro o Pedro todos os dias cria e transforma, todos os dias as suas mãos  se envolvem e enlaçam com a matéria prima do seu oficio. Todos os dias o Pedro cria vida onde outros apenas vêm ferro ou rodas. O Pedro é um Mestre nas sua arte e as bicicletas sabem disso. Sim sabem, porque uma bicicleta antiga não é apenas um conjunto de ferros com dois aros, uma bicicleta antiga tem personalidade, chega a ter alma. Na sua oficina o Pedro e as bicicletas fundem-se, o Pedro é uma bicicleta e uma bicicleta é o Pedro. Das antigas, das com memoria, das que respeitam o passado, das que vivem com a simplicidade das simples coisas boas e maravilhosas. Das que não se deixam influenciar apenas pelas modas ou pelo que não é autentico. A oficina do Pedro não é apenas uma oficina, a oficina do Pedro é um local de encontro, é um local de boas conversas e de amizades que se vão construindo. A oficina do Pedro, a Velo Corvo, é um oásis analógico num mundo cada vez mais tecnológico.  Aqui conversa-se e sonham-se aventuras, aqui bebe-se um café reconfortante e ouve-se uma palavra de estima e optimismo. Da loja do Pedro ninguém sai triste. A loja do Pedro chega a ser um local de terapia.

_F5A0434.jpg

Acabarão em breve os artesãos ?  Não enquanto existirem pessoas como o Pedro e outras que felizmente tenho a honra de conhecer, que dignificam a arte, que amam os materiais que trabalham manualmente, que fazem desta sociedade uma sociedade mais humana e que com a sua arte ajudam a transformar o mundo e a fazer muito mais feliz quem está á sua volta.

_F5A0454.jpg

Curta entrevista com o Pedro Gil

Como é que um engenheiro muda a sua vida,sai duma vida aparentemente confortável num emprego e abre uma oficina de bicicletas?

Simplesmente, mudando. Vencendo a inércia, o não fazer nada, o acomodar-se, o ter medo de que as coisas não corram bem, a incerteza. Não era feliz. Ganhava mais dinheiro, de certeza. Mas, para que é que serve o dinheiro sem felicidade? A altura da minha vida em que ganhei mais dinheiro foi também a minha altura menos feliz. Agora, sou mais livre, com menos dinheiro mas infinitamente mais feliz.

Que procuras oferecer aos teus clientes que muitas vezes passam a ser amigos?

Um ponto recorrente que surgia sempre que falávamos de lojas de bicicleta era que por vezes o antendimento era bom, mas frio. Por vezes, muitas das lojas, ainda estavam no regime frio do balcão. A bicicleta, para mim, não é como um electrodoméstico que se avaria e para o qual se compra uma qualquer peça de substituição (mas alguém ainda arranja pequenos electrodomésticos?). A bicicleta, geralmente tem alma. Logo, a loja de bicicletas tem de ter alma e significado. E, aqueles que entendem o que estou a fazer com a Velo Corvo, tornam-se meus amigos rapidamente porque sabem que farei tudo para que saiam da loja satisfeitos. E é isso que quero fazer, sempre. Procurar dar o melhor atendimento. Seja para uma camara de ar como para uma bicicleta montada às peças.

O que te atrai numa bicicleta antiga?

Penso que sobretudo terá a ver com questões estéticas. Muito simplesmente, para as bicicletas de ciclismo, estrada, todo o caminho, randonneuses, etc, dos anos 70 para a frente tudo fica mais feio ( e pior). Para as bicicletas de todo o terreno, de 95 para a frente. Curiosamente, com o meu primeiro ordenado num emprego part-time como mecânico de bicicletas, comprei uns travões V-brake, Shimano XT. Acho que a partir daí (anos 90), as coisas perderam o seu encanto- o excesso de tecnologia, ou melhor: o aumentar da “rede” necessária para tornar possível a construção de uma bicicleta. A super-industrialização e máquina fria do vender e vender depressa, para no ano seguinte vender uma qualquer “melhoria”. 

_F5A0472.jpg

Achas possível uma bicicleta ter alguma espécie de "alma"?

Pois claro que sim. Contudo, não podemos pegar numa bicicleta, tirá-la da caixa, e esperar que ela tenha alma. Muitas pessoas dão nomes à bicicleta. Logo aí, atribuimos uma personificação, uma sensação de que há algo mais do que metal. Mas só isto não basta. Temos de fazer qualquer tipo de alteração. Nem que seja colocar uma campainha. E, quanto mais única for a bicicleta, mais alma terá. Quanto mais uso têm certas peças, mais alma terá. O selim que já esteve em várias bicicletas, as manetes de travão que já tenho desde 95, a mala de guiador que uso todos os dias, etc etc. Todas as minhas bicicletas “boas” foram montadas com peças usadas /novas. E é precisamente este grau de intervenção humana, não standardizada, que dá a “unicidade” e alma à bicicleta. E claro, quanto mais uso tiver a bicicleta, mais alma terá.

_F5A0551.jpg

A tua loja é muito mais que uma pequena oficina de bicicletas não é ?

Claro que sim! A ideia não é só arranjar bicicletas. A ideia é mesmo juntar o maior número de pessoas que pensem de maneira mais ou menos semelhante e irmos todos pedalar. 

_F5A0475.jpg

Qual a sensação quando um cliente vem buscar uma bicicleta e sentes que gostou muito do trabalho que fizeste?

A sensação é óbviamente boa. Conseguir, com o meu trabalho manual, fruto de décadas de aprendizagem, melhorar algo que , para muita gente tem um lugar fulcral na vida delas (a bicicleta), é para mim muito recompensador. 

Os passeios velo corvo.

Já são míticos os passeios VC . Como vês esses passeios e qual o seu objectivo?

Na pergunta está parte da resposta. Míticos, não por ser a Velo Corvo, mas sim, pelo facto de a Velo Corvo ajudar a desvendar a possibilidade que cada um de nós temos de ir um bocado mais longe. Quantos de nós não passamos horas a vermos fotos no instagram e a pensar “quem me dera conseguir fazer”? A verdade é que conseguimos, pelo menos, fazer um bocadinho mais do que já fazemos! Algo mais do que ficar em casa a ver fotos no instagram. Nem que seja uma tarde num qualquer parque, ou uma manhã a subir uma montanha. Nem que seja uma voltinha ao quarteirão durante a semana. 

_F5A0546.jpg

Andar devagar, apreciar a paisagem, conviver com amigos...o que é para ti andar de bicicleta?

Ora, é isso mesmo. Andar a uma velocidade mais ou menos confortável, sentir a paisagem e conviver com amigos. Isso tudo mas também o pedalar como uma espécie de meditação.

O Picnic é um dos pontos altos destes passeios...

Isso e o café! Para quê ir pedalar, para chegar lá acima e comer alpista? Não faz muito sentido alimentar-me de barras energéticas, não achas? Acho pouco recompensador. Para além disso, é bom para meter a conversa em dia e se tiver sol....

_F5A0480.jpg

Onde gostas de passear ? Sei que Sintra é uma das tuas paixões …

Gosto de passear em Sintra, porque reúne um conjunto de qualidades: paisagem dramática, subida excelente, perto de casa, árvores, bom sítio para acampar e fazer picnics, e uma descida linda. Mais genéricamente, gosto de passear em sítios bonitos, SEM carros. Algo que me transporte para fora da minha vivência diária, sobretudo.

O que é para ti o verdadeiro ciclo-turismo?

Bem, o nome cicloturismo, em Portugal, é usado para tudo e mais alguma coisa: passeios com carros vassoura a tocar música pimba, com multidões envoltas em licra, com bicicletas desadequadas. O cicloturismo tem de ter duas coisas: ciclo e turismo. Parece que a parte do turismo, por cá, é substituida por um porco no espeto. Nada contra comer, mas pelo menos uma visita a um monumento qualquer, não? E a parte estética também é importante. A ideia do cicloturismo será sair cedo e chegar tarde, levar a mala de guiador cheia de tralha, ir a algum sítio com alguma história e significado, tentar aprender alguma coisa, tirar umas fotos e voltar para casa satisfeito. E tudo isto de bicicleta. Pronto. Simples. Ah, e de preferência sem usar carro nem roupa de licra. 

_F5A0492.jpg

Como vês o desenvolvimento do uso da bicicleta como meio de transporte em Lisboa e que mudanças gostarias de ver na cidade?

Vejo com bons e felizes olhos. Os erros feitos nos anos 80 e 90 têm de ser corrigidos. Tanto a nível urbanistico, de infraestruturas, como a nível de mentalidades (se bem que estes se calhar ainda vêm de mais atrás). Por mais que se tente dar a volta à situação, uma boa percentagem de pessoas que vivem nos grandes centros urbanos têm de mudar a sua mentalidade. Não pode haver situações individuais para cada pessoa. Não podemos dispender de espaço vital, em locais já densamente populados, para que os automobilistas possam estacionar, quase gratuitamente. A cidade é de todos e não só de alguns. E, se olharmos de um ponto de vista ainda mais exterior, o carro está ligado a tantos outros fenómenos nocivos à vida humana. Logo, tudo o que limite o seu uso, é para mim, positivo. Radical? Sim, porque vou à radix, raiz do problema. A raiz do problema é mesmo esta: a cidade tem espaço limitado, o planeta tem recursos limitados. Logo, é fisicamente impossível continuar a viver como vivemos. 

Relativamente a mudanças. Para já, multas constantes aos infractores. O excesso de velocidade é constante, mesmo em ruas estreitas, perto de escolas, etc. Há avenidas que são utilizadas como autoestradas. A Avenida de Roma não é a autoestrada de Roma! 

E atenção: esta desculpabilização não é exclusiva a Lisboa. Em qualquer aldeia, há um carro a circular em excesso de velocidade. Fiscalização? Pouca. E quando a há, é a crítica do costume. “É caça à multa”. Bem, se não houver infracção, não há multa, certo?

Logo aí, poderia ajudar a reduzir a sensação de insegurança que sentimos, como utilizadores da bicicleta, ao circular nas ruas. Outras alterações: construção de mais ciclovias, mas das que funcionem. Alteração de algumas regras do código da estrada, que permitam por exemplo, a circulação em contramão em algumas ruas, (por ciclistas) e que permitam a passagem com vermelho em determinadas circunstâncias.

Algumas palavras finais? 

Procurar a felicidade em pedalar simplesmente por pedalar. 

_F5A0448.jpg

Sei que o Pedro gosta de escrever e por isso mesmo pedil-he que escrevesse um pequeno texto sobre a sua loja. Escreveu este texto numa sua antiga máquina de escrever e obviamente que não resisti a publicar o texto na sua versão original.

30653098_10157691443889896_1419907585238106112_n.jpg