Eroica Hispania parte 3

Ane Gabiria & Unai Pro

     “Me encantan las miradas y sonrisas que recibimos cada vez que salimos en tandem. Es como si ver un tandem diera suerte”... Ane Gabiria     

 

“Me encantan las miradas y sonrisas que recibimos cada vez que salimos en tandem. Es como si ver un tandem diera suerte”... Ane Gabiria

 

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A Ane e o Unai levaram para a Eroica um dos 3 “tandem” que estiveram presentes. É uma  alegria ver “tandens” antigos e normalmemente que os leva espalha simpatia. Não deve ser fácil subir colinas com tal "máquina". Cruzamo-nos várias vezes no percurso e depois na meta. A Ane parava, contemplava, tirava fantásticas fotografias ( que podem ver aqui ) e por incrível que possa parecer subiam tudo o que havia para subir. Uma das coisas mais saudáveis de se participar nestes eventos é conhecer pessoas novas e fazer novos amigos.  Nem que fosse só por os ter conhecido já valia a pena ter ido á Eroica Hispania.

LC - De que região de Espanha são?

 Ane- De Galdakao, un pueblo a 9 kms de Bilbao.

LC- em quantas Eroicas Hispania já participaram?

Ane-  Hemos estado en todas las ediciones de la Eroica, en algunas (2015,2017) sacando fotos y en las otras (2016,2018) participando con el tandem.

LC- O que é para ti participar numa Eroica?

Ane-.- La Eroica nos tiene enamorados. Tener la posibilidad de pedalear entre viñedos, rodeados de otros amantes del ciclismo y vestidos con ropas de otra época te hace transportarte a aquella época. Es una prueba en la que puedes disfrutar de la bici sin ningún tipo de prisa. Tienes tiempo de pedalear, reir, hablar, comer bien y disfrutar! Solo disfrutar!

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LC- Como foi o vosso dia de passeio?

Ane- Fue un día perfecto! El tiempo nos respetó y aunque parecía que iba a llover, pudimos pedalear incluso con sol. Participamos en la Eroica Corta (69kms). Es un recorrido perfecto para hacerlo en tandem, que a pesar de tener rampas exigentes, no son demasiado largas como para no poder afrontarlas. El tandem además me da la posibilidad de ir en bici junto con mi pareja, aun no teniendo el mismo estado de forma. Al ir en tandem también puedo disfrutar de mi otra afición: la fotografía. Hay momentos en los que puedo ir sacando fotos mientras pedaleo, cosa que no sería capaz de hacerlo si fuera en mi bici. La verdad es que se me hizo corto y me quedé con ganas de más.

LC- O que mais te agradou ?

Ane- Me encantó todo! El ambiente, los paisajes, la gente... y tener la posibilidad de conocer a gente como tú!  Un día espectacular!

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Maria & Paolo

A Maria e o Paolo conheceram-se numa Eroica hispania e desde aí nunca mais se perderam de vista. A Maria é Espanhola , de Najera, uma aldeia perto de Cenicero, o Paolo Italiano, de Milão.  Nas Eroicas também existem muitas histórias de amor. E de superação.

Maria and Paolo met in an Eroica Hispania and from there on they never lost sight of each other again. Maria is Spanish from Najera, a village near Cenicero, Paolo is Italian and from Milan. In Eroicas there are also many love stories.

 

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A Maria vai á Eroica Hspania desde a primeira edição, o Paolo desde 2012 que vai a todas em Itália e  também tem vindo a Espanha. Adoram o espírito do evento, sem competição e muito convívio e respeito entre todos.

LC- O que mais gostam nas Eroicas?

Paolo - Gostamos de tudo , do ambiente, não apenas durante a prova mas também no dia antes . É um ambiente espetacular. Gente de todo o mundo que se respeita e se admira. Gostamos também das camisolas de lã e das bicicletas antigas, tudo isto tem algo de muito especial. Gostamos também muito do percurso, com “estrada branca” (gravilha) bem conservada e autentica. Gostamos do aspecto ecológico para conservação do ambiente e destes caminhos naturais, da boa e saborosa comida, sem barritas , da recuperação das bicicletas antigas, mais simples, mas muito mais bonitas, e sobretudo da magnifica atmosfera de amizade.

LC- Como se conheceram?

P- Conhecemo-nos em Junho de 2016 em Cenicero, na segunda edição da Eroica Hispania. No mês de Maio tinha conhecido, David, um amigo de Maria, na Eroica da Primavera, na Toscania  e depois de no final bebermos uma cerveja ele convidou-me a ir a Eroica Hispania. E assim foi. Em Junho apanhei um autocarro com mais amigos que se dirigiam para a Eroica Hispania onde ia também Giacarlo Brocci e os seu filhos, e fomos para Espanha. 1500 Km para ir, 1500 Km para voltar!!

Conheci a Maria numa adega com um copo de vinho de Rioja na mão e falamos só um pouco. Maria fez nesse ano o passeio mais curto e eu o mais longo. Disse-lhe que teria de fazer pelo menos uma vez na vida o mais longo. E por aí ficamos pois ela tinha um namorado na altura. Na Eroica Heroica Hispania de 2017 e depois de muita chuva a Maria estava á espera de amigos que fizeram o percurso longo, eu vinha com eles. Era o homem mais feliz do mundo! Falamos mais um pouco e durante o Inverno também estivemos em contacto. Fomo-nos encontrando em Espanha e também em Itália  e na Primavera apaixonamo.nos. Em Abril deste ano fomos a Roubaix onde a Maria tentou pela primeira vez andar numa bicicleta de estrada moderna. Divertimo-nos muito nessa altura. Desde esse dia começamos a pensar que a Maria poderia na próxima Eroica Hispania tentar fazer o percurso grande, um sonho que estava no nosso coração. Esta Eroica hispania foi a primeira que fizemos juntos !!! Recentemente a Maria recebeu de presente uma bicicleta clássica muito bonita, uma Zeus, Uma autentica bicicleta espanhola, mais leve e rápida que a que tinha anteriormente. Quem lha ofereceu foi David, o nosso amigo que é responsável por toda a nossa história. Este ano já fizemos uma viagem de Milão a Veneza, para que Maria treinasse um pouco mais, em Maio , na Eroica Montalcino já fez os 120 Kms. A Maria é muito forte de corpo e cabeça, tem muito espírito de sacrifício e anda muito bem de bicicleta. Assim nesta Eroica Hispania, saimos ás 6 da manhã e tentamos fazer o percurso maior,190 Km, connosco iam os nossos amigos David e Ricky que é Inglês. Tivemos alguns problemas mecânicos pelo caminho mas fizemos tudo com muita calma. Fomos os últimos e chegamos por volta das 21,30. Estávamos muito felizes pois tínhamos conseguido chegar antes do por do sol o que era o nosso objectivo. A Maria esteve sempre  muito bem disposta e divertida durante todo o percurso. No final nem parecia cansada. Foi a primeira vez que cruzamos uma linha de meta juntos, foi a realização de um sonho. Muitos amigos nos esperavam, esperavam os últimos, este casal, esta rapariga tão forte. Creio que Maria terá sido a primeira rapariga “Riojeana” a concluir este percurso. No final bebemos uma cerveja com amigos de todo o mundo.Com todos os amigos que nos esperavam. Amigos de Barcelona, de Cenicero, de Inglaterra, de Roma, de Brooklyn, de Lisboa...Estavamos muito felizes.Todos nos reveremos em Gaiole...Para mim a eroica Hispania é a mais autentica, a mais bonita. Tem todo o espírito de Giacarlo Brocci e de Luciano Berruti. A Eroica é uma grande família.

Maria goes to Eroica Hspania since the first edition, Paolo since 2012 went to all in Italy and also has come to Spain. They love the spirit of the event, without competition and much conviviality and respect among all.

LC- What do you like the most in the Eroicas?

Paolo - We like everything, the environment, not only during the race but also the day before. It's a spectacular setting. People from all over the world respect each other and admire each other. We also like the wool sweaters and old bikes, all this has something very special. We also enjoyed the route, with a well preserved and authentic "white road" (gravel). We like the ecological aspect to preserve the environment and these natural paths, the good and tasty food, the recovery of old bicycles, simpler but more beautiful, and above all the magnificent atmosphere of friendship.

LC- How did you two meet?

Q- We met in June 2016 in Cenicero, in the second edition of Eroica Hispania. In the month of May I had met, a friend of Maria's, in the Spring Eroica in Tuscany, and after drinking a beer in the end he invited me to go to Eroica Hispania. And so it was. In June I picked up a bus with more friends who were going to Eroica Hispania, Giacarlo Brocci and his children were also on the bus, and we went to Spain. 1500 km to go, 1500 km to go back !!I met Maria in a wine cellar with a glass of Rioja in her hand and we talked a little. Maria made the shortest trip that year and I the longest. I told her that I would have to do the longest  at least once in my life. And that was it, because she had a boyfriend at the time.In Eroica Heroica Hispania in 2017 and after much rain Maria was waiting for friends who made the long journey, I came with them. I was the happiest man in the world! We talked some more and during the winter we were also in touch. We were meeting in Spain and also in Italy and in spring we fell in love.In April of this year we went to Roubaix where Maria tried for the first time to ride a modern road bike. We had a lot of fun then.From that day we began to think that Maria could at the next Eroica Hispania try to make the great journey, a dream that was in our heart. This Eroica Hispania was the first one we did together !!! Maria recently received a very beautiful classic bicycle, a Zeus, an authentic Spanish bicycle, lighter and faster than the one she had previously. The one who offered it to us was David, our friend who is responsible for our entire history. This year we have already made a trip from Milan to Venice, so that Maria could train a little more, in May, at Eroica Montalcino she already made the 120 Kms. Maria is very strong of body and mind, she has a true spirit of sacrifice and rides very well. So in this Eroica Hispania, we left at 6 in the morning and tried to make the biggest route, 190 km, with us went our friends David and Ricky who is English. We had some mechanical problems on the way but we did everything very calmly. We were the last ones and we arrived around 21.30. We were very happy because we had managed to arrive before sunset and that was our goal. Maria was always very well-disposed and fun during the whole trip. In the end she did not even look tired. It was the first time we crossed a finish line together, it was the realization of a dream. Many friends were waiting for us, waiting for the last, this couple, this strong girl. I think Maria was the first "Riojeana" girl to complete this course. In the end we drank a beer with friends from all over the world. With all the friends who were waiting for us. Friends from Barcelona, enicero, England, Rome, Brooklyn, Lisbon ... We were very happy. We will all return to Gaiole ...For me eroica Hispania is the most authentic, the most beautiful. It has the spirit of Giacarlo Brocci and Luciano Berruti. Eroica is a great family.

Os 7 Magníficos/The Magnificent 7

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Fizeram quase 600 Km para ligar Barcelona a Cenicero. Vieram de varias partes de Espanha para se Juntarem nesta aventura. Em Barcelona irá abrir brevemente o primeiro Eroica Café fora de Itália e isso merecia ser comemorado.

They made almost 600 km to arrive from Barcelona to Cenicero. They came from various parts of Spain to join in this adventure. In Barcelona will open soon the first Eroica Café outside of Italy and this deserves to be celebrated.

Não se conheciam todos uns aos outros e vieram de vários locais de Espanha. O primeiro dia  foi muito duro mas depois tudo se foi alterando com a beleza das paisagens e com a camaradagem dos companheiros de viagem, com o esforço que cada um fez. O segundo dia  já custou menos, já faltavam menos quilómetros e a iam-se conhecendo melhor uns aos outros. Todos se entreajudavam. Foi uma viagem em “que cada dia fizemos uma Eroica”  por caminhos de terra , por caminhos tranquilos, a mesma filosofia da Eroica em cada dia , em cada quilómetro, visitando e conhecendo locais até chegar a Cenicero para participar na “Eroica Hispania”.  6 homens e uma mulher  que se sentiu como uma princesa de quem todos tomavam conta, a quem todos protegiam.

They did not know each other and came from various places in Spain. The first day was very hard, but then everything changed with the beauty of the scenery and the comradeship of the fellow travelers with the effort that each one made. The second day already was less hard, with less miles to travel and they knew each other better. Everyone was helping each other. It was a trip where "every day we made an Eroica" by paths of land, by quiet paths, the same philosophy of Eroica every day, every kilometer, visiting and knowing places until arriving at Cenicero to participate in "Eroica Hispania". 6 men and one woman who felt like a princess of whom everyone was taking care of, whom everyone protected.

Eroica Café/ Barcelona

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Miguel, Eroica café, Barcelona

Porquê abrir um café Eroica?

Miguel . Porque irá ser um local de encontro de todos os amantes de Eroica . Será um local permanente de partilha e de convívio. Onde se falará de bicicletas e de muitas outras coisas. É uma maneira de recuperar e essência dos bares antigos, um lugar onde possas conversar sobre tudo.

Pensas que será possível transmitir todo este espírito da Eroica?

Absolutamente. A Eroica tem muita essência , á Eroica vai a pessoa que gosta de desfrutar das paisagens, dos percursos, de desfrutar verdadeiramente da bicicleta., de conviver. É isso  que encontrará no “Eroica Cafe”. No Eroica Café vão suceder eventos que têm a ver com ciclismo, com comida, não com gastronomia, mas com comida verdadeira. A força da Eroica não tem só a ver com pedalar , tem também a ver com a sua ligação á terra,  á região, á comida. Da mesma forma que o aço é importante em relação ao ciclismo para nós será importante recuperar a tradição da boa comida.  O que queremos fazer é uma Eroica permanente. É um pouco como trazer a Eroica do mundo rural para o mundo urbano. Uma coisa que me apaixonou  e impressionou a primeira vez que fui á Eroica foi que estavam pedalando juntas pessoas que nada tinham que ver umas com as outras. Pessoas completamente diferentes em tudo. Desde o ciclista que paga uma fortuna por uma bicicleta ao jovem que tira a o pó á bicicleta do seu avô há muito guardada, desde o mais  novo ao mais velho, gente muito diferente que pedala junta. Em harmonia. É este o espirito que queremos no Eroica café.

Why open an Eroica coffee?

Because it will be a meeting place for all lovers of Eroica. It will be a permanent place of sharing and conviviality. Where you will talk about bicycles and many other things. It is a way of recovering the essence of the old bars, a place where you can talk about everything.

Do you think it will be possible to convey this whole spirit of Eroica?

Absolutely. Eroica has a lot of essence, in Eroica participates the person who likes to enjoy the landscapes, the routes, to truly enjoy the bicycle., To live. That's what you'll find at "Eroica Cafe". At Eroica Café events will happen that have to do with cycling, with food, not with gastronomy, but with real food. The strength of Eroica is not just about pedaling, it has to do with its connection to the land, the region, the food. Just as steel is important in relation to cycling for us it will be important to regain the tradition of good food. What we want to do is a permanent Eroica. It's a bit like bringing Eroica from the rural world to the urban world. One thing that struck me and impressed me the first time I went to Eroica was that they were pedaling together people who had nothing to do with each other. Completely different people at all. From the cyclist who pays a fortune for a bicycle to the young man who dusts his grandfather's bicycle for a long time, from the youngest to the oldest, very different people who pedal together. In harmony. this is the spirit

Willy

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Wily é o estratega, é a alma de Eroica Hispania. Está em todo o lado. Todos querem falar com ele e ele fala com todos. Willy não para. No Briefing que faz no dia antes da prova é duma eficiência incrível, explicando , respondendo a perguntas, esclarecendo. Explica tudo em Espanhol, em Inglês e em Italiano. Mas não está só, tem uma grande equipa com ele. É espantoso observar como Willy e toda a sua equipa trabalha.

Wily is the strategist, he is the soul of Eroica Hispania. He is everywhere. Everyone wants to talk to him and he talks to everyone. Willy does not stop. In the Briefing he gives the day before the route you can see his incredible efficiency, explaining, answering questions, clarifying. He explains everything in Spanish, English and Italian. But he is not alone, he has a great team with him. It's amazing how Willy and his team work.

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LC - Como correu a Eroica Hispania 2018 ?

WIlly - Foi a melhor até ao dia de hoje.

LC - quantos Participantes?

W-844

LC - Quantas participantes do sexo feminino.

W- 14% eram Mulheres

LC- Quantos Portugueses ?

W - Cinco.

LC- Qual a idade do participante mais velho ?

W- Adolfo Bello, nasceu em  1933

LC – O que mais gostaste na organização de este ano?

W - As paisagens, a Rioja este ano está bela como nunca. E adoro a equipa que tenho, sem eles seria impossível ter um evento assim. E ainda hão-de chegar mais.

LC- Foi muito emotiva a homenagem a Luciano, em que pensas quando pensas nele?

W- Felicidade !!

LC - How was Eroica Hispania 2018?

WIlly - It was the best until today.

LC - how many Participants?

W- 844

LC - How many female participants.

W -14% were Women

LC- How many Portuguese?

Five.

LC- How old is the oldest participant?

W-Adolfo Bello, was born in 1933

LC - What do you like most about this year's organization?

W - The landscapes, Rioja this year is as beautiful as ever. And I love the team I have, without them it would be impossible to have such an event. And more will come.

LC- It was a very emotional homage to Luciano, what do you think of when you think about him?

Happiness !!

 

 

 

Eroica Hispania 2018 ( Parte 2 )

Uma Eroica sem o seu Herói?

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Peço que me desculpe o escriba mas este titulo não está correto . Luciano esteve presente, sempre , no coração de todos.  Luciano estava por toda a parte. Estava no pensamento de todos e de certeza  que as ruas e os becos de Cenicero o sentiam. Que se  lembram das passagens de Luciano e da sua bicicleta, quando eram um só, do ruído das rodas antigas contra as calçadas gastas, do sorriso de Luciano e da sua simpatia e boa disposição. Do seu carisma. Cenicero recordou Luciano, os amigos recordaram Luciano, quem mal o conhecia mas conhece o seu legado pensou em Luciano. A organização fez homenagens simples, mas tocantes  e sinceras. Luciano esteve presente. Luciano fez parte da Eroica Hispania 2018.

I apologize this  title is not correct. Luciano was always present in everyone's heart. Luciano was everywhere. It was in  the thought of everyone and I’m sure that the streets and alleys of Cenicero felt him also. They reminded Luciano and his bike's rides, the noise of the old wheels against the worn sidewalks, of Luciano's smile and of his sympathy and good disposition. Of his charisma. Cenicero remembered Luciano, his friends remembered Luciano, those who barely knew him but know his legacy thought of Luciano. The organization made simple but touching and heartfelt tributes. Luciano was present. Luciano was part of Eroica Hispania 2018.

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E depois Jacek. A mesma simplicidade de Luciano, a mesma simpatia e ternura. Simpatia e ternura que por todos ia distribuindo. Dava e recebia abraços, tirava fotografias, cumprimentava e conversava. De modo natural convivia com todos. O seu modo simples e  sincero a todos conquistava. Jacek parecia que seguia os passos de seu pai pelas estreitas ruas de Cenicero, que escutava os ruídos da sua bicicleta e que entendia tudo o que as pedras lhe diziam.

And then Jacek. The same simplicity of Luciano, the same sympathy and tenderness. Sympathy and tenderness that everyone received. He would give and receive hugs, take photographs, greet and talk. Naturally he mingled with everyone, his simple and sincere way of conquering them all. Jacek seemed to follow in his father's footsteps along the narrow streets of Cenicero, who listened to the sounds of his bicycle and understood everything the stones told him.

 

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Os passos de seu pai, as suas pedaladas eram agora as dele. Como se o seu pai estivesse presente em cada esquina, em cada banco de jardim em cada viela. E ele percebia-o. A herança lendária de Luciano está bem entregue e Jacek será, pela sua simplicidade, pela sua simpatia e por mérito próprio o numero 1 de todas as Eroicas.

His father's footsteps, his pedals were now his. As if his father was present at every corner, on every garden bench in every alley. And he sensed it. Luciano's legendary heritage is well delivered and Jacek will be, for his simplicity, his sympathy and his own merit the number 1 of all Eroicas.

O legado de seu pai não poderia estar melhor entregue. Luciano Berruti, que deve andar na brincadeira no céu dos ciclistas e das bicicletas, metido numa divertida fuga ao lado de Gino Bartali e de Fausto Coppi, deve estar extremamente feliz e orgulhoso observamdo, com o seu sorriso matreiro, o seu filho Jacek.

His father's legacy could not have been better delivered. Luciano Berruti, who must be joking in the skies with cyclists and bicycles, in an amusing escape with Gino Bartali and Fausto Coppi, must be extremely happy and proud to observe, with his sly smile, his son Jacek.

Eroica Hispania 2018 ( Parte 1 )

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 A sua forma física não era a melhor e vinha extenuado, para ele a subida parecia uma parede que  tentava escalar empurrando a sua bicicleta como um fardo. Cada passo que dava lhe parecia o ultimo antes de se sentar no chão devido ao cansaço. Por ele passou, ainda em cima da sua bicicleta, uma outra participante que  tentava subir, já aos “esses” e em grande esforço, a desafiante subida. Sentiu as poucas forças que tinha  ressuscitarem e gritou-lhe “força, não desistas, estás quase” e correndo atrás  deu um pequeno empurrão à outra participante para a  ajudar um pouco  a chegar ao topo.  Ela conseguiu e ele ficou feliz por ter ajudado.

Este é o espírito da Eroica. Este é o espirito da Eroica Hispania e de todas as Eroicas que se realizam no mundo inteiro.

 His physical shape was not the best and he was exhausted, for him the climb looked like a Wall, it was like trying to climb pushing his bicycle like a bale. Every step he took seemed to him the last, before he sat down on the floor because of his tiredness. Another one passed by him,  still on top of his bicycle, another participant who tried to climb, already making  "SS sways" and in great effort, the challenging ascent. He felt the few forces he had being resurrected and shouted "go on,! do not give up, you're almost there" and running behind him he gave a little shove to the other participant to help him to reach the top. He succeeded and he was happy to have helped.

This is the spirit of Eroica. This is the spirit of Eroica Hispania and of all the Eroicas that take place all over the world.

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Participar numa “Eroica” não é apenas participar em mais uma prova de ciclismo, em mais uma manifestação desportiva ou em mais um passeio. Participar numa “Eroica” é muito mais que isso, é participar num acto de amor ás bicicletas , á tradição, á cultura, á amizade e ao companheirismo.  Participar numa “Eroica” é partilhar a alegria e o sofrimento, é partilhar as excelentes paisagens e as dificuldades dos percursos.  É partilhar os raios de sol que nos aquecem mas também, e com gosto , a chuva que nos molha e encharca as roupas e os sapatos, que nos ensopa até aos ossos, mas que também nos lava a alma e restablece. É partilhar a alegria do reencontro ou de conhecer amigos novos, é partilhar uma refeição e beber um copo de bom vinho em boa companhia. É partilhar experiencias e paixões, é  esforçar-se de forma incondicional  apenas  por objectivos  tão simples como sejam a participação, a partilha ou a superação de si próprio. É participar num evento onde se dá valor ao esforço apenas pela beleza de o fazer.

Participating in an "Eroica" is not only to participate in another cycling event, another sporting event or another tour. To participate in "Eroica" is much more than that, it is to participate in an act of love for bicycles, tradition, culture, friendship and companionship. To participate in an "Eroica" is to share the joy and the suffering, is to share the excellent landscapes and the difficulties of the routes. It is to share the rays of the sun that warm us but also the rain that dampens us and soaks our clothes and shoes, which weaves to the bones, but which also cleanses our soul and restores us. It is sharing the joy of reunion or meeting new friends, is sharing a meal and drinking a glass of good wine in good company. It is sharing experiences and passions, and striving unconditionally only for objectives as simple as participation, sharing or overcoming yourself. It is to participate in an event where the effort is valued only for the beauty of doing it.

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Eroica Hispania 2018

Cenicero, La Rioja. Hispania

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A “Eroica hispania 2018” realizou-se nos dias 2 e 3 de Junho em Cenicero. Cenicero fica situada na belíssima região da  La Rioja em Espanha, já junto ao País Basco. É uma pequena e bonita vila com 2176 habitantes que vive essencialmente da agricultura  com grande destaque para a produção de vinho ou não foose esta a mais importante região vinícola de Espanha e uma das mais importantes do mundo. As suas ruas são estreitas com casas cor de terra e tem na sua praça principal um bonito coreto. É nessa praça principal que tem inicio e fim a Eroica Hispania. São essas ruas estreitas  cor de terra que recebem calorosamente quem visita Cenicero nestes dias.

The "Eroica hispania 2018" was held on 2 and 3 June in Cenicero. Cenicero is located in the beautiful region of La Rioja in Spain, near the Basque Country. It is a small and beautiful village with 2176 inhabitants that lives mainly from agriculture with great prominence for the production of wine , one of the most important wine regions of Spain and one of the most important in the world. Its streets are narrow with earthy houses and it has in its main square a beautiful bandstand. It is in this main square that begins and ends the Eroica Hispania. These earthy narrow streets  are the ones that warmly welcome anyone visiting Cenicero these days.

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Cenicero fica engalanada para o efeito e por todo o lado se vêm bicicletas andando de um lado para o outro. Ciclistas ocupam ruas, praças , restaurantes e esplanadas . Os hotéis da região enchem-se de hóspedes e o relvado das piscinas locais de campistas. Pela ruas sente-se o clima de festa, de convívio entre todos.

Cenicero is “dressed up” out for this purpose and everywhere you see bicycles. Cyclists occupy streets, squares, restaurants and terraces. Hotels in the area are filled with guests and the lawns of local campers' pools. The streets feel the atmosphere of partying, of conviviality among all.

 

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Sábado é o primeiro dia desta festa de Bicicletas, vão chegando cada vez mais pessoas e a animação vai sendo cada vez maior.  Visitam-se bancas de venda de material usado, de bonitas bicicletas que tanto gostávamos de levar para casa, das tão cobiçadas  e apetecidas camisolas de lã. É difícil resistir a tanta solicitação visual. Para nós Portugueses , que não estamos habituados a tanta oferta nesta área é complicado resistir. 

Saturday is the first day of this Bicycle party, more and more people are coming and the animation is getting bigger and bigger. There are stalls selling used material, beautiful bikes we loved to take home, and the coveted and desirable wool sweaters. For us Portuguese, who are not accustomed to so much supply in this area it is difficult to resist to buy everything.

Por todo o lado se encontram bicicletas e pormenores bonitos...por todo o lado se respira a cultura da bicicleta .

Everywhere you will find beautiful bikes and details ... everywhere you breathe the culture of the bicycle.

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Ao final da tarde as pessoas vão-se juntando nas esplanadas dos cafés e Restaurantes. Pessoas de diferentes nacionalidades convivem de forma descontraída bebendo uma cerveja ou um copo de vinho, saboreando as  famosas “tapas” espanholas. As pessoas da Vila saem á rua e também elas entram em franco convívio com os visitantes. A alegria instala-se por todas as ruas e praças, o ruído das conversas e das gargalhadas contagia-nos.

At the end of the afternoon people gather in the cafes and restaurants. People of different nationalities live together in a relaxed way drinking a beer or a glass of wine, savoring the famous Spanish tapas. The people of the village go out on the street and they also come into open contact with the visitors. The joy settles in all the streets and squares, the noise of the conversations and the laughter contagious us.

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Foi também no sábado que teve lugar o momento mais emocionante deste fim de semana, a homenagem a Luciano Berruti, aquele que será sempre o eterno numero 1 . Foi projetado o documentário sobre Luciano, onde está patente a grandeza da sua Humanidade e toda a ternura que colocava no que fazia, todo o amor que tinha para dar.  Todos tivemos oportunidade de mais uma vez perceber como é que um homem com a sua idade é  considerado unanimemente o grande "Eroico". Aqui o “Herói” não é apenas a grande figura atlética que todos vence, que todos veneram pela sua pujança fisica, quantas vezes batoteira, aqui o grande “Herói” é muito mais que isso e outras qualidades são mais importantes. Honestidade, entrega, amizade, dedicação, determinação e esforço, simpatia, amor, tudo isto Luciano nos transmitia, tudo isto era e é  Luciano e tudo isto é a Eroica. Foi  extremamente comovente assistir a este documentário onde esteve presente o seu filho Jacek que tão bem o representou.

It was also on Saturday that took place the most exciting moment of this weekend, the homage to Luciano Berruti, who will always be the eternal number 1. The documentary about Luciano shows the greatness of his Humanity and all the tenderness that he put in what he did, all the love he had to give, is evident. We have all had an opportunity once again to see how a man of his age is unanimously considered the great "Eroico". Here the "Hero" is not only the great athletic figure that everyone wins, who all venerate for their physical strength, here the great "Hero" is much more than that and other qualities are more important. Honesty, dedication, friendship, determination and effort, sympathy, love, all this Luciano transmitted to us, all this was and is Luciano and all this is Eroica. It was extremely touching to watch this documentary where his son Jacek was present who so well represented him.

O grande dia

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São 5,15 da manhã de Domingo. O centro de Cenicero ainda está deserto. Apenas os membros  da organização trabalham qual silenciosas formigas para que tudo esteja pronto as 6,00 quando começarem a partir os  que vão fazer o percurso grande. São 3 os percursos da Eroica  Hispania, que é considerada a mais dura de todas. O primeiro tem 69 Km de extensão com 1200 metros de desnível, o segundo 139 Km e o terceiro 193 Km com 3349 metros de desnível.

It's 5:15 am on Sunday morning. The center of Cenicero is still deserted. Only the members of the organization work quietly so that everything is ready at 6.00 when those who will make the great journey will start. Eroica Hispania has 3 routes.. The first is 69 km long with 1200 meters of unevenness, the second 139 km and the third 193 km with 3349 meters of unevenness.

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“Coisa pouca”, dirão os menos atentos, “coisa nada pouca “dirá quem participa. É preciso lembrar que estes percursos serão feitos em bicicletas antigas, bicicletas em aço. Que descerão montes e subirão colinas, que serão feitos maioritariamente por estradas de terra, que com a chuva se transforma em barro , e gravilha .  Mas "coisa nada pouca" sobretudo porque a experiencia é extraordinariamente bela, seja pela beleza dos caminhos e das paisagens seja pela franca e calorosa camaradagem. “Coisa pouca” é que não é, pois o dia é cheio de emoções, é cheio de tenacidade e de paixão Um dia perfeito nunca será “coisa pouca”.

"Little thing", the less attentive will say, "nothing at all" will say who participates. It is necessary to remember that these routes will be made in old bicycles, steel bicycles. That hills will come down and hills will rise, that will be travelled mostly on dirt roads, which with the rain turn into clay, and gravel. But "nothing at all", especially because the experience is extraordinarily beautiful, whether for the beauty of the paths and landscapes or for the frank and warm camaraderie. "A little thing" is what it is not, because the day is full of emotions, it is full of tenacity and passion A perfect day will never be. a "little thing".

Por volta das 5,50 começam a chegar os primeiros participantes, vão partir para o percurso grande, o percurso dos “eroicos”. As luzes noturnas da praça ainda estão ligadas mas o dia começa a despontar. A pequena  mas bonita e acolhedora carrinha dos cafés “Baque” abre as suas portas e começa a distribuir o seu saboroso e reconfortante café. Contra todas as previsões parece que afinal não chove. Willy Mulonia, director da Eroica Hispania, é um homem feliz “Não vai chover eu sempre acreditei que não chovia"!!. E quem acredita desta forma, quem faz as coisas com tal entusiasmo, merece ser recompensado pela natureza. E Willy foi.

Around 5.50 the first participants begin to arrive, they will leave for the great route, the route of the "eroicos". The night lights of the square are still on but the day begins to dawn. The small but beautiful car of the "Baque" cafe opens its doors and begins to distribute its tasty and comforting coffee. Against all predictions it seems that after all it does not rain. Willy Mulonia, director of Eroica Hispania, is a happy man "It will not rain I always believed it would not rain !!". And whoever believes in this way, whoever does things with such enthusiasm deserves to be rewarded by nature. And Willy was.

Para ser considerado um verdadeiro “Eroico” é necessário conseguir  percorrer  o percurso grande numa bicicleta antiga, em aço. Percorrendo montes e vales, estradas secundarias, estradas de terra e gravilha, (não, o “Gravel” não foi inventado agora, como muitos pensarão) como faziam antigamente os ciclistas que participavam em grandes provas. Onde o esforço era puro e imenso, onde participar num evento ciclista era como participar numa grande aventura, de grande sofrimento mas também de grande paixão e entrega.  Uma aventura para verdadeiros Heróis. O “Eroico” levanta-se de manhã muito cedo pois parte por volta das 6 da manhã e antes da partida ainda há que comer algo e dar os últimos retoques na bicicleta . Ás 6,00 partem e se uns chegam cedo outros já só chegarão quando a noite também voltar a chegar. Para se participar numa “Eroica” não é necessário participar no percurso mais longo, existem  2 percursos, mais fáceis para que muito mais ciclistas possam participar. Nunca é um desafio fácil mas estes são muito mais adquados para quem não está habituado a tão grande esforço.

To be considered a true "Eroico" it is necessary to be able to cross the great route in an old bicycle, in steel. Going through mountains and valleys, back roads, dirt roads and gravel, (no, the "Gravel" was not invented now, as many will think) as did cyclists who participated in major events. Where the effort was pure and immense, where to participate in a cycling event was like participating in a great adventure, of great suffering but also of great passion and dedication. An adventure for true Heroes. The "Eroico" gets up very early in the morning because he leaves around 6 in the morning and before the departure there is still something to eat and to prepare the bike. At 6.00 they leave and if some arrive early, others will arrive only when the night comes again. To participate in an "Eroica" is not necessary to participate in the longest route, there are 2 routes, easier so that many more cyclists may participate. It is never an easy challenge but these are much more suitable for those who are not used to such a great effort.

E vão partindo. Sozinhos, aos pares ou em grupo.  Vão partindo felizes porque o dia promete ser perfeito.

And they leave. Alone, in pairs or in groups. They leave happily because the day promises to be perfect.

Na estrada

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"É tudo tão bonito, quando parece que não pode ser mais bonito fazemos uma curva e eis que nos deparamos com uma beleza ainda maior"

"It's all so beautiful, when it looks like it can not be more beautiful we make a turn and here we come across an even bigger beauty"

Marie Vieira. Portugal

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A região da Rioja e lindíssima e o percurso magnifico. A beleza do percurso absorve-nos e não se consegue pensar em mais nada que não seja disfrutar e sorver cada momento. As paisagens mudam constantemente. A companhia é perfeita. Toda a gente está  em sintonia e imbuída deste espírito  de conquista e de esforço apenas  pelo prazer de o fazer,  de conseguir de forma sã superar os obstáculos. Deste espírito de amizade e partilha . De vez em quando  paramos, apenas para saborear e apreciar ainda melhor. Para, juntos, admirarmos todo o esplendor que nos rodeia.

The region of Rioja is beautiful and the route magnificent. The beauty of the course absorbs us and we can not think of anything other than enjoying and sucking every moment. The landscapes change constantly. The company is perfect. Everyone is in tune and imbued with this spirit of conquest and effort only for the pleasure of doing it, of succeeding in overcoming obstacles. Everybody lives this spirit of friendship and sharing. From time to time we stop just to savor and enjoy it even better. Together, let us admire the splendor that surrounds us.

 

E eis que chega o reconfortante e esperado abastecimento. Boa comida e não menos boa bebida. Neste caso a água é a mais bem vinda, mas não faltam os sumos variados, e claro o bom vinho da Rioja. Não faltam também as excelentes iguarias com as varias tortilhas, os queijos e os presuntos. E sobretudo é uma ocasião de convívio entre todos. Não há pressas, ninguém tem de ganhar a ninguém. Os acompanhantes dos participantes também se juntam á festa. O local é de reencontro e de  confraternização.  E um bom Espanhol, um bom Português ou um bom Italiano adoram fazer isso junto a uma mesa com boa comida e bebida.

And here comes the comforting and awaited supply. Good food and not less good drink. In this case the water is the most welcome, but the juice is varied, and of course the good Rioja wine. There are also excellent delicacies with the various tortillas, cheeses and hams. And above all it is an occasion of socializing among all. There is no hurry, no one has to beat anyone. The attendants of the participants also join the party. The place is for reunion and fraternization. And a true Spanish, a true Portuguese or a true Italian love doing this next to a table with good food and drink.

E regressamos  á estrada, de  estômago aconchegado e alma cheia.

And we return to the road, with a cozy stomach and full soul.

Na chegada as palmas, os abraços, os beijos, as felicitações.  O prazer da conquista. A felicidade das coisas simples.

On arrival the palms, the hugs, the kisses, the congratulations. The pleasure of conquest. The happiness of simple things.

Fim da 1ª Parte/end of the first part

Passeio Cenas a Pedal/MUBI.

Foi fantástico o passeio organizado pela "Cenas a Pedal" e pela MUBI. Passeio pela zona Oriental de Lisboa, onde se têm criado excelentes condições para a mobilidade suave e passando por locais que eu enquanto Lisboeta mais ou menos conhecedor nem sequer conhecia. Como é o caso da Quinta Conde dos Arcos, um excelente espaço verde que convido a visitar. Um passeio em excelente companhia, com muitos pais e muitas crianças e até dois pequenos e simpáticos  cachorros, um passeio de família e amigos que gostam de bicicletas e que partilham  o que de melhor existe na Bici-cultura.. É deste tipo de passeios que Lisboa e Portugal muito precisam, que celebram a bicicleta e o prazer de com ela partilhar excelentes momentos. Que promovem verdadeiramente o seu uso e a sã camaradagem.  Não podia também ter tido melhor escolha o local para o tão aguardado pic-nic, a Mata de Alvalade, outro excelente espaço verde da nossa cidade.  Aqui se comeu e bebeu, aqui se partilharam também coisas doces e boas  e sobretudo as mais importantes que são a camaradagem e a amizade entre todos. Excelente a todos os níveis este passeio que serviu também para angariar fundos para a casa da Bicicultura, um projecto muito importante que todos esperamos venha a ser uma realidade em breve. Obrigado a todos que organizaram e participaram neste passeio. PS. estas são as fotografias possíveis de quem apenas levou um telémovel e deixou a máquina em casa. A última foto foi amavelmente tirada pelo Bruno Mendes.

Rua do Ouro.

Família

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Pode não parecer mas esta fotografia diz muito. Não pela sua qualidade, foi feita com um telemóvel em segundos na Rua do Ouro, mas pelo que representa em termos de mudança. Da mudança que lenta mas de forma constante e progressiva se vai fazendo na nossa cidade. Há uns tempos atrás era impossível uma fotografia desta informalidade nas ruas de Lisboa. Cada vez isto é mais natural, cada vez a mudança se torna mais visível. Será que estas crianças queriam ir antes no "conforto" do automóvel? A mim não me parece mesmo nada.

Calhas que dão jeito.

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Há dias numa página de facebook alguém questionava a utilidade destas calhas colocadas em algumas passagens com escadas em Lisboa. Esta ciclista levava uma bicicleta bem carregada na frente e na traseira, ia com certeza trabalhar e utilizava a bicicleta como meio de transporte, sem estas calhas não conseguiria subir as escadas. Também eu as utilizo com frequência e dão mesmo muito jeito

Ardenne Bags

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Podia falar-vos apenas da qualidade e da beleza das malas Ardenne, que têm este nome devido ao facto da Marie ter nascido nesta zona de França, faria isso se falasse  apenas uma marca de malas e sacos bons e bonitos mas a marca Ardenne é muito mais que isso.  São sacos feitos manualmente  por alguém que gosta mesmo muito de bicicletas, de andar nelas e sobretudo que coloca muito amor no que faz. Os sacos Ardenne para além de muito bons, úteis e bonitos nunca são iguais, são personalizados e valorizam, e de que maneira, a nossa bicicleta.  A Marie faz tudo isto com paixão, com a mesma paixão com que usa e trata das suas bicicletas.  Essa é a grande diferença e isso é notório em casa saco, em cada mala que faz com as suas mãos. A Marie  é uma artesã da nova geração, das que não querem deixar estas artes morrerem. E ainda bem pois  faz com isso felizes os seus clientes e amigos. Apresento-vos a Marie Viera e a sua Ardenne.

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LC: Quando começaste a fazer malas e outros acessórios para bicicletas e porquê?

MV: Comecei a fazer malas há alguns anos, simplesmente porque precisava de uma. Tinha começado a usar a bicicleta para as minhas deslocações e precisava de uma forma de transportar as minhas coisas. Como já costurava roupa há alguns anos tinha algum material em casa e improvisei o resto. Devo dizerque não ficou grande coisa.... Mas serviu para alguém ver e se interessar, e pedir uns alforges caseiros. A partir daí vi que tinha algum potencial, melhorei os materiais, comprei uma máquina de costura dos anos 60 própria para o serviço e fui fazendo mais malas a pedido.

LC: Qual a diferença entre uma mala feita à mão e uma feita em série?

MV: Acho que a grande diferença está na produção em série vs produção artesanal ou mesmo em pequena escala. Todos os sacos que vemos foram cosidos por alguém, algures. Diria que a produção artesanal é mais intimista. Pode-se conversar com quem vai fazer o trabalho, pode se pedir algo mais personalizado. A nível humano é outro tipo experiência, muito diferente da de entrar numa grande superfície e comprar a mala genérica x ou y.

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LC: Que valorizas mais quando fazes uma mala?

MV: Quando faço uma mala valorizo o rigor. Gosto de fazer costuraras bonitas e direitas e de furar as correias todas bem alinhadas, por exemplo. Valorizo também o lado artesanal do processo, sei que mesmo fazendo dois modelos iguais, na mesma cor, nunca serão exatamente iguais, cada uma tem qualquer coisa que a diferencia.

LC: Que tipo de malas e acessórios fazes?

MV: Faço tudo um pouco. Ultimamente tenho feito muitas malas de guiador, de vários tamanhos. Mas também faço malas de selim, alforges, malas a tiracolo , rolos de ferramentas e em breve terei um modelo de mochila. Também já fiz malas com base em fotografias de anúncios antigos e meia dúzia de medidas. Na verdade só sou limitada pela imaginação e bom senso.

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LC: Que cuidados tens na escolha de materiais?

MV: Escolho materiais resistentes que envelheçam bem. Aqueles que quanto mais os usamos mais bonitos ficam, ganham carácter. Assim cada mala acaba por ganhar padrões de uso únicos, que só a tornam mais bonita

LC: Como nasceu o teu entusiasmo pelas bicicletas? Sei que tens uma história muito interessante de quando te inscreveste num fórum de bicicletas antigas e começaste a contactar com pessoas que tinham o mesmo gosto que tu, podes contarum pouco dessa história?

MV: Posso claro! É uma história longa, mas como pode servir a alguns e algumas aqui vai ela: Tudo começou quando regressei a casa depois de ficar desempregada e regressei “à terra”. Aqui as pequenas deslocações fazem-se de bicicleta, e na altura só tinha a minha bicicleta de adolescente, uma btt horrorosa já herdada da minha irmã mais velha. Era tudo mau: grande demais, pesada, selim desconfortável, gasta (faltam-lhe vários dentes na pedaleira, comidos pelo o uso) e cheia de folgas. Ainda assim fartei-me de andar com ela antes de ter a carta de condução, porque não tinha outro remédio. Precisava de ir às explicações, na altura também montava a cavalo e tinha de ir ao picadeiro etc etc. E como é óbvio detestava-a e detestava tudo o que tinha a ver com bicicletas. Nem pensar em voltar a pegar nela! Por isso comecei a procurar alternativas. E eis que alguém me oferece uma pasteleira que tinha ficado esquecia num alpendre durante 20 anos. Decidi que ia por aquilo a andar de novo e inscrevi-me no tal fórum português e mais tarde no fórum francês. Conheci muita gente extremamente simpática, que me ajudaram imenso na minha empreitada. Alguns tornaram-se amigos próximos, e ainda nos encontramos ara pedalar ou para conversar. Depois com a pasteleira comecei a ganhar gosto pela bicicleta ( imagina a desgraça que aquela btt era) e comecei a querer ir mais longe e a querer saber mais. Arranjei outra bicicleta, grande demais, uma demi-course motoconfort, mas que me deixava antever o que seria ter uma bicicleta mais ligeira do meu tamanho, e por isso comecei a andar atrás do graal. Graal esse que um dia chegou a minha casa, vindo de França, oferecido por um randonneur da velha guarda, que nunca conheci pessoalmente mas que tinha lá uma bicicleta que de tão pequena não servia a mais ninguém, e teve a generosidade de me enviar. E depois disso nunca mais parei de pedalar, mas desta vez por gosto, além das saídas utilitárias. Moral da história: muitas vezes, alguém que diz não gostar de andar de bicicleta simplesmente nunca experimentou uma como deve ser!

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LC: Achas que as bicicletas podem ser um elo de ligação de pessoas que não se conhecem e fomentar amizades?

MV: Tenho a certeza que sim. Conheci muita gente simpática à conta das bicicletas, e fiz imensos amigos. Mas há um senão: há tantas formas de se andar e gostar de bicicletas que para haver o tal elo de ligação os gostos velocipédicos têm de ser iguais ou pelo menos semelhantes.

LC: Que sinónimos encontrarias para a palavra bicicleta?

MV: Seriam: liberdade, descoberta, simplicidade.

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LC: O que sentes quando andas de bicicleta e onde mais gostas de andar?

MV: Quando ando de bicicleta sinto-me bem, descontraída, e alegre, especialmente quando o sol brilha etenho o vento de costas! Claro que há momentos mais difíceis, quando só queremos chegar ao fim da subida, ou que o vento mude de direção, mas esses não contam...Gosto principalmente de andar onde não há carros e pouca gente, onde não há barulhos “humanos”. Gosto de passar por sítios com paisagens interessantes e tenho um fraco por estradas de montanha, mesmo sabendo que acabo sempre por sofrer nelas.

LC: O que vês numa bicicleta antiga?

MV: Gosto das bicicletas antigas porque são bonitas, elegantes, simples, robustas e envelhecem bem. Como permanecem por muito tempo, ao longo dos anos podemos olhar para elas, passar a mão pelo selim e pensar “ já fomos juntos a este e aquele lugar, já chegamos a sítios onde nunca pensei que pudesse chegar”

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Estrela.

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Fim-de-semana grande com previsão de chuva e neve nas terras altas. Um óptimo fim-de-semana para ir com a “Cinzenta” à Serra  e á minha terra de adopção no sopé  da montanha. Cada vez me sinto mais em casa nesta região e á medida que sinto que Lisboa, a minha querida Lisboa onde nasci e vivo se vai transformando e de alguma forma afastando sinto que a Beira e o Interior se vão entranhando  cada vez mais em mim.  O sábado serviu para tratar de coisas  que se têm de tratar  quando se vai ao campo e para visitas de amigos.  Fomos nessa noite jantar a um dos melhores e mais agradáveis restaurantes da Região, “A lenda de Viriato” em Unhais da Serra. Restaurante que recomendo vivamente pela sua singularidade e bom gosto, ou pela excelente comida e acolhimento. Um Restaurante fora do normal onde dá imenso prazer ir. Dizia-me há tempos um amigo que ”não vai comer fora por necessidade ou ter fome, vai pelo prazer de ir a um local agradável, onde se come uma comida diferente e de onde saímos reconfortados e bem dispostos” é este o caso da “Lenda do Viriato” . Aqui se comem iguarias como o Javali selvagem ou o fabuloso tornedó, as trutas e os excelentes produtos da região. Com ótimos acompanhamentos dos quais destaco o fabuloso puré de maçã.  Todos os pratos são servidos com o requinte da época e parece que estamos sentados á mesa de um Rei a comer principescamente. Pelo meio ouvimos a história, ou uma versão da história de Viriato e dos seus feitos gloriosos contra o ocupante Romano enquanto saboreamos um dos excelentes vinhos da cada vez mais afamada região da “Beira”  ou nos deliciamos com uma divinal tarte de abobora ou umas deliciosas  "Papas de Carolo".

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A noite foi chuvosa e fria, invernal e o Domingo assim amanheceu. A Primavera  deve ter ido dar uma volta a qualquer lado, mas por ali não andava. Pelo menos até ao fim da tarde. Ainda assim arrisquei e por entre aguaceiros fortes e periodos de sol dei um dos passeios que mais gosto até perto das Minas da Panasqueira.  Quando o Sol dava um ar da sua graça as cores das flores saltavam e pairava no ar um perfume discreto mas bem perceptivel. As encostas floridas faziam-me parar e observar apenas por observar. A felicidade estava mesmo ali á mão.

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As rodas da Cinzenta rejubilavam quando aparecia o sol quente e o meu corpo e a minha mente, já tão farta de chuva, também. Chuva que tem sido uma bênção para as as ribeiras  e para  os rios que correm fartos de água distribuindo vida e abundância ás terras até há pouco ressequidas e secas.Agora é preciso que pare de chover para que os frutos amadureçam na sua doçura.

Montes Hermínios

Subir á Torre de bicicleta era um sonho antigo. Sempre achei muito difícil conseguir fazê-lo. Mas parece que com a idade tenho mais força de vontade. O esforço transformado em prazer,  a íngreme subida transformada numa singular, única e apaixonante paisagem e  o facto de o conseguir ser apenas uma grande e maravilhosa vitória.

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E não poderia ter escolhido melhor dia para o fazer. Temperatura amena no sopé da Serra, sem vento e esfriando um pouco á medida que subia-mos, eu e a Cinzenta.

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Subir esta Serra com uma bicicleta em Aço pesada como um Burro,” Eh-lá tanto também não” diz a Cinzenta entre o divertido e o ofendido, “ sei que não tenho daqueles tubos especiais e mais não sei o quê mas também não sou assim tão pesada”!! Subir á Serra, dizia eu, antes de ser interrompido, com uma bicicleta destas,sem carbonos e afins, parece ser uma tontice das grandes, ainda por cima para um “rapaz” dos seus 54 anos mas não para mim, ou por outra, também ás vezes a mim me parece mas o prazer é indescritível e hoje não me veria a fazê-lo de outra maneira tal é o fascínio que tenho por este tipo de bicicletas. Bicicleta que é uma companheira e uma amiga, sobretudo para quem com elas rola solitariamente.

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Parte em terra batida da estrada Unhais da Serra-Torre.

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Subir devagar, apreciar cada momento, saborear. Parar um pouco para admirar um pequeno regato que corre livremente. Apreciar as Vacas comendo a erva fresca e verde, tentar encetar uma pequena conversa com elas, sim elas ouvem-nos e olham para nós por vezes com aquele ar de compaixão de quem nos considera tão inteligentes mas também por vezes tão tristes. São sensíveis e sábias as nossas amigas Vacas.

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Nas duas noites anteriores tinha nevado acima dos 700/800  metros e a neve que já via há muito ao longe começa a aparecer. Nunca tinha andado de bicicleta com neve, a sensação  de felicidade é indiscritível.

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Comoção, maravilhamento, felicidade. Apenas o pequeno senão de não ter com quem partilhar no momento tais sentimentos, era apenas eu e a Cinzenta, que não nos queixamos e somos muito felizes juntos mas que naquele momento gostaríamos de ter tido mais alguém com quem partilhar tais emoções...

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E, á medida que subimos, vai aparecendo cada vez mais neve, há muitos anos que a Serra da Estrela não estava assim e eu e a cinzenta com tanta sorte em ter o privilégio de testemunhar este momento.

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Pedalada atrás de pedalada vamos subindo e lembro-me da conversa da noite anterior na Lenda do Viriato, de como estas montanhas anteriormente se chamavam Montes Hermínios, das lutas gloriosas  pela independência. Do que devem ter sofrido soldados e povo nestes montes. Vou-me lembrando também dos pastores e outras gentes que outrora  percorriam estas terras por obrigação e necessidade, tempos muito duros nada comparados com a facilidade com que se percorrem hoje em dia por simples prazer estes caminhos.

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Passando o centro de limpeza de neve começa a parte mais complicada, o frio ainda não incomoda muito embora a temperatura já ronde 1 grau positivo, o vento é pouco mas começamos a ter pendentes mais acentuadas e a altitude começa a dificultar um pouco a respiração. Nada que amedronte as rodas cansadas da Cinzenta  ou as pernas dum Ciclista já algo idoso mas o facto é que tivemos de parar algumas vezes,o  que aproveitavamos para apreciar a maravilhosa vista.

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E eis que chegamos á Torre cansados mas felizes. Na pequena subida que antecede a dita o muro de neve era alto como não se via há muitos anos. Pessoas incentivavam-nos dando palavras carinhosas e de espanto, outros batiam até palmas e tiravam fotografias. Uma senhora perguntou-me mesmo se queria um empurrão, ao que respondi com um enorme sorriso: "Agora que estou a chegar é que não"!!  Algumas pessoas estavam verdadeiramente espantadas e com alguma razão, é que afinal não é todos os dias que se  testemunha a chegada de dois idosos ao Alto da Torre.

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Chegados à torre sentimos pela primeira vez o frio,  a temperatura era de -2 Graus e estava algum nevoeiro.  Quando parei junto ao Centro Comercial de pouco interesse é que senti como estava frio. Toda a gente á minha volta vestida com roupa adequada e eu naquela figura. As minhas pernas tremiam e as rodas da Cinzenta também. Vesti á pressa  uma camisola mais grossa, dei a volta ao largo e comecei rapidamente a descer. E essa acabou por ser a parte mais dolorosa pois o frio e a intensidade da descida fizeram-nos sofrer um pouco mais que a subida.  Eu e a Cinzenta já não temos idade nem capacidade para tanta travagem, para tanto apelo á velocidade e para tanta curva e contra-curva.

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Foi excelente este passeio que recomendo vivamente. Como já referi tive a sorte e o privilégio de o  fazer  num dia perfeito em todos os apectos. Aconselho  a que o façam em companhia e não sozinhos como o fiz. Com companhia tudo é mais fácil e divertido.  Tenham sempre atenção ao tempo que faz na Serra e ao facto deste mudar muito rapidamente em certas ocasiões. É imprescindível levar um agasalho pois as diferenças de temperatura podem ser muito grandes e descer não é a mesma coisa que subir em termos térmicos. Não esquecer de levar comida e de beber, isso é imprescidivel. Bons passeios.

Velo Corvo

Pedro, o artesão de bicicletas.

Estarão os artesãos a acabar? Estarão os ofícios que dependem do trabalho manual a acabar? Estarão para terminar as pequenas marcenarias, as pequenas carpintarias ou as pequenas olarias?  Enquanto houverem pessoas como o Pedro não. O Pedro trocou a Engenharia pelo engenho do fazer, numa arte que dá vida a coisas inanimadas. Tal como um Mestre Carpinteiro tem a sua carpintaria e dá nova vida à madeira ou um Mestre Oleiro tem a sua olaria onde transforma o barro em peças únicas, onde cria e da´ vida a objectos maravilhosos o Pedro tem a sua pequena oficina e todos os dias suja as suas mãos com o óleo das bicicletas. Todos os dias as suas mãos mexem no aço nobre de uma bicicleta antiga ou nas correntes e nos pedais que a ajudam a andar.  Tal como um Mestre Relojoeiro, tal como um Mestre Ceramista ou pintor ,tal como um Mestre Marceneiro o Pedro todos os dias cria e transforma, todos os dias as suas mãos  se envolvem e enlaçam com a matéria prima do seu oficio. Todos os dias o Pedro cria vida onde outros apenas vêm ferro ou rodas. O Pedro é um Mestre nas sua arte e as bicicletas sabem disso. Sim sabem, porque uma bicicleta antiga não é apenas um conjunto de ferros com dois aros, uma bicicleta antiga tem personalidade, chega a ter alma. Na sua oficina o Pedro e as bicicletas fundem-se, o Pedro é uma bicicleta e uma bicicleta é o Pedro. Das antigas, das com memoria, das que respeitam o passado, das que vivem com a simplicidade das simples coisas boas e maravilhosas. Das que não se deixam influenciar apenas pelas modas ou pelo que não é autentico. A oficina do Pedro não é apenas uma oficina, a oficina do Pedro é um local de encontro, é um local de boas conversas e de amizades que se vão construindo. A oficina do Pedro, a Velo Corvo, é um oásis analógico num mundo cada vez mais tecnológico.  Aqui conversa-se e sonham-se aventuras, aqui bebe-se um café reconfortante e ouve-se uma palavra de estima e optimismo. Da loja do Pedro ninguém sai triste. A loja do Pedro chega a ser um local de terapia.

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Acabarão em breve os artesãos ?  Não enquanto existirem pessoas como o Pedro e outras que felizmente tenho a honra de conhecer, que dignificam a arte, que amam os materiais que trabalham manualmente, que fazem desta sociedade uma sociedade mais humana e que com a sua arte ajudam a transformar o mundo e a fazer muito mais feliz quem está á sua volta.

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Curta entrevista com o Pedro Gil

Como é que um engenheiro muda a sua vida,sai duma vida aparentemente confortável num emprego e abre uma oficina de bicicletas?

Simplesmente, mudando. Vencendo a inércia, o não fazer nada, o acomodar-se, o ter medo de que as coisas não corram bem, a incerteza. Não era feliz. Ganhava mais dinheiro, de certeza. Mas, para que é que serve o dinheiro sem felicidade? A altura da minha vida em que ganhei mais dinheiro foi também a minha altura menos feliz. Agora, sou mais livre, com menos dinheiro mas infinitamente mais feliz.

Que procuras oferecer aos teus clientes que muitas vezes passam a ser amigos?

Um ponto recorrente que surgia sempre que falávamos de lojas de bicicleta era que por vezes o antendimento era bom, mas frio. Por vezes, muitas das lojas, ainda estavam no regime frio do balcão. A bicicleta, para mim, não é como um electrodoméstico que se avaria e para o qual se compra uma qualquer peça de substituição (mas alguém ainda arranja pequenos electrodomésticos?). A bicicleta, geralmente tem alma. Logo, a loja de bicicletas tem de ter alma e significado. E, aqueles que entendem o que estou a fazer com a Velo Corvo, tornam-se meus amigos rapidamente porque sabem que farei tudo para que saiam da loja satisfeitos. E é isso que quero fazer, sempre. Procurar dar o melhor atendimento. Seja para uma camara de ar como para uma bicicleta montada às peças.

O que te atrai numa bicicleta antiga?

Penso que sobretudo terá a ver com questões estéticas. Muito simplesmente, para as bicicletas de ciclismo, estrada, todo o caminho, randonneuses, etc, dos anos 70 para a frente tudo fica mais feio ( e pior). Para as bicicletas de todo o terreno, de 95 para a frente. Curiosamente, com o meu primeiro ordenado num emprego part-time como mecânico de bicicletas, comprei uns travões V-brake, Shimano XT. Acho que a partir daí (anos 90), as coisas perderam o seu encanto- o excesso de tecnologia, ou melhor: o aumentar da “rede” necessária para tornar possível a construção de uma bicicleta. A super-industrialização e máquina fria do vender e vender depressa, para no ano seguinte vender uma qualquer “melhoria”. 

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Achas possível uma bicicleta ter alguma espécie de "alma"?

Pois claro que sim. Contudo, não podemos pegar numa bicicleta, tirá-la da caixa, e esperar que ela tenha alma. Muitas pessoas dão nomes à bicicleta. Logo aí, atribuimos uma personificação, uma sensação de que há algo mais do que metal. Mas só isto não basta. Temos de fazer qualquer tipo de alteração. Nem que seja colocar uma campainha. E, quanto mais única for a bicicleta, mais alma terá. Quanto mais uso têm certas peças, mais alma terá. O selim que já esteve em várias bicicletas, as manetes de travão que já tenho desde 95, a mala de guiador que uso todos os dias, etc etc. Todas as minhas bicicletas “boas” foram montadas com peças usadas /novas. E é precisamente este grau de intervenção humana, não standardizada, que dá a “unicidade” e alma à bicicleta. E claro, quanto mais uso tiver a bicicleta, mais alma terá.

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A tua loja é muito mais que uma pequena oficina de bicicletas não é ?

Claro que sim! A ideia não é só arranjar bicicletas. A ideia é mesmo juntar o maior número de pessoas que pensem de maneira mais ou menos semelhante e irmos todos pedalar. 

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Qual a sensação quando um cliente vem buscar uma bicicleta e sentes que gostou muito do trabalho que fizeste?

A sensação é óbviamente boa. Conseguir, com o meu trabalho manual, fruto de décadas de aprendizagem, melhorar algo que , para muita gente tem um lugar fulcral na vida delas (a bicicleta), é para mim muito recompensador. 

Os passeios velo corvo.

Já são míticos os passeios VC . Como vês esses passeios e qual o seu objectivo?

Na pergunta está parte da resposta. Míticos, não por ser a Velo Corvo, mas sim, pelo facto de a Velo Corvo ajudar a desvendar a possibilidade que cada um de nós temos de ir um bocado mais longe. Quantos de nós não passamos horas a vermos fotos no instagram e a pensar “quem me dera conseguir fazer”? A verdade é que conseguimos, pelo menos, fazer um bocadinho mais do que já fazemos! Algo mais do que ficar em casa a ver fotos no instagram. Nem que seja uma tarde num qualquer parque, ou uma manhã a subir uma montanha. Nem que seja uma voltinha ao quarteirão durante a semana. 

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Andar devagar, apreciar a paisagem, conviver com amigos...o que é para ti andar de bicicleta?

Ora, é isso mesmo. Andar a uma velocidade mais ou menos confortável, sentir a paisagem e conviver com amigos. Isso tudo mas também o pedalar como uma espécie de meditação.

O Picnic é um dos pontos altos destes passeios...

Isso e o café! Para quê ir pedalar, para chegar lá acima e comer alpista? Não faz muito sentido alimentar-me de barras energéticas, não achas? Acho pouco recompensador. Para além disso, é bom para meter a conversa em dia e se tiver sol....

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Onde gostas de passear ? Sei que Sintra é uma das tuas paixões …

Gosto de passear em Sintra, porque reúne um conjunto de qualidades: paisagem dramática, subida excelente, perto de casa, árvores, bom sítio para acampar e fazer picnics, e uma descida linda. Mais genéricamente, gosto de passear em sítios bonitos, SEM carros. Algo que me transporte para fora da minha vivência diária, sobretudo.

O que é para ti o verdadeiro ciclo-turismo?

Bem, o nome cicloturismo, em Portugal, é usado para tudo e mais alguma coisa: passeios com carros vassoura a tocar música pimba, com multidões envoltas em licra, com bicicletas desadequadas. O cicloturismo tem de ter duas coisas: ciclo e turismo. Parece que a parte do turismo, por cá, é substituida por um porco no espeto. Nada contra comer, mas pelo menos uma visita a um monumento qualquer, não? E a parte estética também é importante. A ideia do cicloturismo será sair cedo e chegar tarde, levar a mala de guiador cheia de tralha, ir a algum sítio com alguma história e significado, tentar aprender alguma coisa, tirar umas fotos e voltar para casa satisfeito. E tudo isto de bicicleta. Pronto. Simples. Ah, e de preferência sem usar carro nem roupa de licra. 

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Como vês o desenvolvimento do uso da bicicleta como meio de transporte em Lisboa e que mudanças gostarias de ver na cidade?

Vejo com bons e felizes olhos. Os erros feitos nos anos 80 e 90 têm de ser corrigidos. Tanto a nível urbanistico, de infraestruturas, como a nível de mentalidades (se bem que estes se calhar ainda vêm de mais atrás). Por mais que se tente dar a volta à situação, uma boa percentagem de pessoas que vivem nos grandes centros urbanos têm de mudar a sua mentalidade. Não pode haver situações individuais para cada pessoa. Não podemos dispender de espaço vital, em locais já densamente populados, para que os automobilistas possam estacionar, quase gratuitamente. A cidade é de todos e não só de alguns. E, se olharmos de um ponto de vista ainda mais exterior, o carro está ligado a tantos outros fenómenos nocivos à vida humana. Logo, tudo o que limite o seu uso, é para mim, positivo. Radical? Sim, porque vou à radix, raiz do problema. A raiz do problema é mesmo esta: a cidade tem espaço limitado, o planeta tem recursos limitados. Logo, é fisicamente impossível continuar a viver como vivemos. 

Relativamente a mudanças. Para já, multas constantes aos infractores. O excesso de velocidade é constante, mesmo em ruas estreitas, perto de escolas, etc. Há avenidas que são utilizadas como autoestradas. A Avenida de Roma não é a autoestrada de Roma! 

E atenção: esta desculpabilização não é exclusiva a Lisboa. Em qualquer aldeia, há um carro a circular em excesso de velocidade. Fiscalização? Pouca. E quando a há, é a crítica do costume. “É caça à multa”. Bem, se não houver infracção, não há multa, certo?

Logo aí, poderia ajudar a reduzir a sensação de insegurança que sentimos, como utilizadores da bicicleta, ao circular nas ruas. Outras alterações: construção de mais ciclovias, mas das que funcionem. Alteração de algumas regras do código da estrada, que permitam por exemplo, a circulação em contramão em algumas ruas, (por ciclistas) e que permitam a passagem com vermelho em determinadas circunstâncias.

Algumas palavras finais? 

Procurar a felicidade em pedalar simplesmente por pedalar. 

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Sei que o Pedro gosta de escrever e por isso mesmo pedil-he que escrevesse um pequeno texto sobre a sua loja. Escreveu este texto numa sua antiga máquina de escrever e obviamente que não resisti a publicar o texto na sua versão original.

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Coisas antigas. Alleycat em Lisboa.

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